Quanto mais eu atendo pessoas como terapeuta ou coach, incluindo muitos colegas psicólogos, mais eu percebo o quanto um componente que faz toda a diferença para uma pessoa ser bem sucedida é o quanto ela acredita que é capaz, o quanto ela tem certeza que é competente naquilo que faz.
Portanto, vou dedicar o texto de hoje para bater na seguinte tecla: enquanto você não acreditar e ter plena convicção de que você é excelente no que faz, suas chances de sucesso serão menores...Bem menores! Ou seja, no texto de hoje vou discutir a vital importância da autoconfiança.
Apesar de sabermos disso, nós psicólogos não somos imunes às consequências ruins que decorrem de um sentimento de pouca autoconfiança.
Ficamos com medo, ansiosos, descrentes, decepcionados e com uma sensação de impotência, de incapacidade. Pare por um minuto e recorde-se da última vez em que você se pegou assim, sem confiança em relação ao seu desempenho profissional. Como você se sentiu? Como foi o seu desempenho?
Quando um psicólogo não sente confiança em si mesmo e em seu trabalho, podemos observar, dentre várias outras, as seguintes situações:
Sabemos que a autoconfiança é produto das relações, das interações que as pessoas vão tendo com o mundo, especialmente no que se refere a “fazer e ser bem sucedido”. Fazendo um recorte específico em relação ao período da sua graduação em psicologia, é interessante que você observe a sua trajetória desde o início da faculdade.
Ou seja, desde aspectos relacionados à sua aceitação na turma, ao seu contato com os professores, até mesmo em relação ao entendimento, compreensão e bom desempenho nas atividades práticas das disciplinas e estágios.
Nas práticas de estágio supervisionado, por exemplo, como você se saía? Ficava satisfeito com o feedback que recebia (direto ou indireto) tanto das pessoas que faziam uso do seu serviço quanto do professor supervisor? Ou mesmo nos períodos iniciais do curso, como era seu desempenho nas provas e trabalhos?
O trecho abaixo é um exemplo bastante simplista mas que ilustra como o sentimento de autoconfiança é construído.
Se depois de ter contato com bastante teoria em sala de aula (e ter tranquilidade em termos de assimilação adequada da mesma) eu vou ao primeiro dia de atendimento clínico e consigo ter um desempenho satisfatório ao final da primeira sessão, um sentimento de “adequação” começa a ser construído.
Se no decorrer das sessões seguintes minhas análises e intervenções vão produzindo bons resultados terapêuticos, meu sentimento de autoconfiança vai aumentando. Isso vai sendo consolidado à medida que eu atendo outros clientes e continuo construindo resultados satisfatórios. O raciocínio vale para qualquer campo de atuação na Psicologia.
Em resumo, portanto, o sentimento de autoconfiança é produto direto da minha ação, do meu desempenho, desde que ele produza resultados satisfatórios.
Quanto mais eu “fizer e ser bem sucedido”, mais consolidado o sentimento de que eu sou capaz, de que sou bom no que faço, de que sou confiante em meu desempenho profissional. Mais uma vez, aqui estou ilustrando de forma muito sintética como se dá a construção de um repertório de confiança em si mesmo e no próprio trabalho, que obviamente transcende a explanação acima.
Além disso, é claro que toda a história de vida pessoal passada em termos de sucesso ou insucesso nas relações interpessoais também tem um peso importante, até mesmo, por exemplo, para ser bem aceito e se relacionar bem com os colegas de turma logo no início da graduação. Estamos falando de algo complexo, e por isso fundamental de ser cuidado.
Agora você pode então estar se perguntando: e se meu histórico não contribui muito comigo, como fazer?
Tenho certeza que você já sabe a resposta... Felizmente ainda dá tempo de você cuidar destes aspectos! E um excelente começo é ter a coragem de olhar para si, de “se enfrentar” e identificar os pontos a serem melhorados. De fato, fazer uma espécie de “diagnóstico” da situação para só então traçar um plano de ação viável e coerente com suas necessidades. Neste sentido, a ajuda de um profissional pode ser muito bem-vinda.
E, por favor, não hesite em, se for preciso, “dar dois passos para trás para depois dar mil para a frente”. Lembre-se que, do jeito que você está hoje, vai continuar colhendo os mesmos resultados. Você está satisfeito com eles?
Um abraço.
Autor: Ghoeber Morales