Invasão Enriquecedora
Nesse vídeo o cenário da Simples Insight foi invadido pelos queridos parceiros da Academia do Psicólogo: Daiana Rauber e Edu Azevedo.
Numa conversa descontraída, falamos sobre alguns aspectos da psicologia no Fitness, trabalho com grupos, sobre a importância do engajamento pessoal na construção da carreira como psicólogo e sobre o diálogo entre diferentes linhas de atuação.
Autoras: Simples Insight - Que tal ouvir sobre psicologia e psicanálise de maneira leve, atual e divertida? Que tal aprender também sobre atendimento clínico, supervisão, atendimento online, redes sociais, início de carreira… Pois todos estes temas – e muito outros – serão tratados pelas psicólogas da Simples Insight. É a psicanálise abordada de uma forma mais solta, dinâmica e simples. Acessível para estudantes, profissionais e curiosos de plantão.
Transcrição
Vou chamar a fã do Bruno. Olá, pessoal. A gente tá começando mais um Fale-Me-Mais sobre isso e hoje a gente tem dois invasores aqui com a gente.
Invadimos o consório. Eu e Edu. Invadiram.
Pois é, e hoje a ideia é a gente poder fazer uma conversa mais light, assim, né? Dessa integração da academia do psicólogo. Essa integração que a academia do psicólogo tem proporcionado não só para a Simples Insight, mas para todos os nossos participantes. Hoje a gente tá aqui com o Edu.
O Edu, inclusive, a gente soube que ele é da Gestalt. Não sei se vocês já sabiam, né? Ele atua no Fitness. Formação clínica em Gestalterapia, base em Gestalterapia.
Então, a minha parte no Fitness foi muito baseada em logoterapia, e a Gestalterapia estava em proximidade com essas minhas. Mas hoje estamos aqui na casa da Psicanálise. Estamos na casa da Psicanálise.
Estou passando de fã. Isso. É, não, eu ficava com a Psicanálise.
Na verdade, assim, a gente estava quase numa sessão aqui, e ele foi a Psicanálise. É. E a gente se posicionou assim, né? Ou o contrário. Daqui a pouco que eu lasguei, a gente vai ficar na posição conjunta.
Nossa, bem legal, assim, a gente ter podido se encontrar, né? Antes, mais uma coisa virtual. E hoje, estamos aqui conversando. Isso.
Eu acho que isso faz um empate, assim, né? Quando a gente fala de uma psicologia, de um novo tempo para a psicologia, é um pouco disso também, né? A gente conseguir dialogar pelas diversas abordagens, né? Não sabemos o que está acontecendo aqui, mas… Com todo o pessoal da academia que está produzindo, Wesley e o Correio de Tiros, PsicoBrothers, Gestaltica Simone, é a gente conseguir conversar, né? Assim, falar das abordagens que a gente faz, de uma maneira pacífica, civilizada. Eu acho que isso é muito legal, essa troca. Hoje, antes de estar aqui, a gente almoçou, todo mundo junto.
E foi muito legal, assim, né? Eu poder trazer a experiência dele, a Briana poder trazer a experiência delas. Eu acho que, com pouco tempo, eu já aprendi bastante com isso aqui. É uma psicologia mais humana.
Mais humana. Exatamente. Cultivar, também, esse encontro presencial, que hoje em dia está cada vez mais rápido.
A gente acaba se lendo por internet, por chamada de áudio e vídeo, mas, presencialmente, é outra conversa, outras coisas se desenvolvem quando a gente está junto presencialmente. É importante poder se encontrar também, assim. Vocês que estão assistindo, a gente não pode realizar alguma coisa.
O pessoal do Sul. Exatamente. Acho que uma coisa importante que a gente estava conversando sobre a questão do edu, assim, também, é da maneira como ele está chegando até um público totalmente diferenciado, assim.
Até então, não tinha muito esse espaço. Eu acho que a gente pode, também, conversar um pouquinho sobre isso. Como grupo de academia, né? Como entrar no orquestra, como grupo de academia, que o grande carro-chefe que faz com que as academias tenham interesse no psicólogo tem sido hoje emagrecimento.
Pelo menos aqui no Sul, essa é a primeira conversa que eles têm comigo. Edu, vem aqui que eu queria conversar um pouco contigo. Eles apresentam, geralmente, grupos de emagrecimento, que acho que vai ser uma tendência daqui pra frente, assim como grupos de corrida, que já, hoje, no Brasil todo, está bem consolidado.
O próximo passo vai ser grupo de emagrecimento. E o pessoal tem percebido que não é só a relação com a comida, não é só saber, porque tem uma frase que a gente usa muito, saber como emagrecer, todo mundo sabe. O difícil é tu conseguir fazer isso, fazer parte da tua vida.
Aprender a dizer não, aprender a melhorar tua relação com aquele momento da comida, estar presente naquele momento, estar comendo com consciência, saciedade. Então, tudo isso, hoje, as portas desse mundo fixo estão se abrindo. E acho que, se a gente conseguir chegar com o jeitinho, eles abrem pra nós, cada vez mais, espaço pra gente ir ganhando esse nosso espaço valioso de conseguir transformar a vida das pessoas.
Eu achei isso que tu traz muito bacana, porque, assim, é onde a gente fala também que acontece essa interface. Enquanto eles no consultório, não aparecem as palavras pra render. Aprender a dizer não, a ter consciência daquilo que tu tá fazendo, o momento que tu tá fazendo.
A dor de ansiedade. A ansiedade, né? Acho que é uma coisa muito importante que a gente fala o dia a dia. E se fala, assim, né? Sobre a ansiedade.
Parece que é um algo cego, como dizem. E como isso tá relacionado? Acontecendo no emagrecimento, na impulsividade, na hora que a gente tem medo, vazio. A sensação de vazio, que é um vazio existencial, é falta de mim mesmo.
E isso é mais ou menos sentido no peito, parecido com a dorzinha da fome. Então a gente associa uma coisa com a outra, porque não tem maturidade. Ninguém ensinou pra nós que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
A gente não aprende, simplesmente não aprende. Pelo contrário, né? O que eu mais vejo, assim, é uma fragmentação, né? Corpo é corpo, mente é mente, né? Nessa questão da comida não é o que você falou, né? A gente não aprende. Eu acho que a gente aprende justamente ao contrário.
Que a gente se vincula emocionalmente no momento da comida, praquele momento do cuidado da avó, da mãe que preparou. Então vocês se reúnem pra comer. A gente se encontrou hoje aqui pra almoçar.
A primeira coisa que a gente fez. Então assim, a comida também tem muito essa questão desse vínculo emocional. Você tá feliz, come pra comemorar.
Você tá triste, come pra esquecer, pra passar por aquele momento. E quantas coisas a gente pode ter no lugar disso, quantos lugares legais dentro da tua mente, dentro do teu coração, que tu pode aplicar, que não seja só de um banquete. Então tudo isso é colocado nas sessões com esses clientes, pra eles começarem a se questionar sobre coisas que ninguém antes falou pra eles.
É o que eles estão colocando na comida, nessa hora? É mais ou menos essa a conversa com o pessoal? Ele vem indiretamente do discurso deles. A gente capta. Por causa que o técnico, o treinador, o nutricionista, eles têm uma escuta, mas não é uma escuta clínica como a nossa.
Então a gente consegue pegar coisas no ar que vem nessas conversas, que o outro profissional não conseguiria pegar. E a gente usa isso em favor daquele cliente. Então é muito mais rápido e muito mais importante.
Porque tu pega questões no ar, sutilezas que ele disse no discurso, vai construindo isso junto com ele, e menos tempo ou mais tempo, eles acabam tendo um desenvolvimento emocional, nem seja em quatro meses. A gente tem que ter calma. Às vezes demora.
Três meses, quatro meses, deixa o tempo pra pessoa. Uma hora, tudo aquilo que tu vai trabalhando com ele, vai fazer ele se sentir, e ele consegue despertar uma nova consciência logo, e emagrecer. Eu acho que vai internalizando, né? Porque o que eu vejo muito, seja em economia, até uma visão mais profissional, é muito de fora pra dentro.
Na verdade, tem que ser de dentro pra fora, porque nós vemos muito clichê isso, mas parece que as pessoas esquecem, né? E eu acho que isso é muito da psicologia, porque o caminho, quando a gente conversa sobre isso, e olha por esse lado, a questão do emagrecimento, faz todo o sentido do mundo, que precisa ter um psicólogo nas academias. Então, às vezes, eu acho que, enquanto psicólogos, enquanto profissão, às vezes esse posicionamento, de poder ir lá, e falar, olha, esse é o nosso trabalho, pra demonstrar que a gente tá fazendo, que a gente pensa em emagrecimento, como se faz diferença. Porque eu tenho certeza que se você fala desse jeito, explica dessa forma pras pessoas, elas vão pensar, claro.
Faz sentido. Não é que ninguém pensou nisso antes, né? Exatamente. Cadê a ciótica agora? Ah, deixa pra eu falar uma outra coisa.
Eu acho que é uma coisa que o Edu tem bastante, que é esse trabalho com os grupos, na psicologia, e que na psicanálise ainda é uma coisa que eu acho que talvez não aconteça tanto, né? Normalmente, o trabalho tradicional é com uma pessoa, que é meio doado, né? Então, eu acho que isso, mais em consultório, a cada um colocando mais pra psicodragia ou pra psicanálise mesmo. Serviço de atendimento, seja no parque, no hospital, funciona bastante. É que eu acho que, de uma maneira mais independente, não sei se também tem muita procura.
A gente tentou, até a gente sim, fazer alguns grupos. Acho que a gente divulgou um grupo que não teve muita procura, sabe? Mas eu acho muito interessante o que você falou. E a gente tá fazendo isso porque tu estuda bio, né? Exatamente.
Então, eu acho muito legal e eu até fico pensando como é que é essa questão da procura. A gente tentou, né? Realmente, não tem muita coisa do consultório, é bem focada pro individual. Em grupo de emagrecimento, é muito importante ter a presença do branco porque as pessoas se motivam pelo espelho do outro.
Pois é. Pode ver no espelho? É. Como é fácil tu encontrar em rede social inspirações, onde as pessoas colocam inspirações pras outras poderem seguir, o antes e o depois. Então, esse trabalho de grupo sistematizado, tantos e tantos encontros de forma individual, você fazer um grupo com quem pode por aquele momento, é muito bem-vindo porque eles saem com o outro cada dia. Então, geralmente, o que eu faço? A gente pega uma pessoa que foi destaque naquela semana, naquela quesera, naquele mês e coloca ela pra falar um pouco sobre como foi o dia-a-dia dela.
Isso impulsiona as pessoas. Essa própria ausência que eu acho que é muito válida. Eu acho que o grupo, às vezes, assim, não é pro qualquer um, mas eu vejo situações, de repente, o consultório se definindo da situação, como seria importante a pessoa, num grupo, poder dividir ouvir outras pessoas que estão passando pela mesma situação.
Eu acho que isso é muito terapêutico. Eles gostam muito de saber como é que tu conseguiu. E a pessoa que, talvez, viveu aquilo dizendo, eu consegui dessa forma, e ela se enxerga batendo, é difícil pra ti o quanto foi pra mim.
E nisso, às vezes, mais é possível. Que coisas são os cuidados que tu tem? Porque eu imagino que, pelo menos, começou o grupo. O pessoal tá meio inibido.
Existe toda uma série de coisas, assim, que deve tomar cuidado. Às vezes, uma sessão, se tá todo mundo ou alguém em casa, alguma coisa muito forte, tem também que ter todo um manejo diferente do grupo, do que quando vai acontecer. Então, primeira coisa, a presença ela é profissional.
Todos são convidados. Naquele dia, alguns não vieram. Não é por acaso.
Muitas vezes, aquele dia você sabia que o assunto ia impactar eles. Então, se respeita. Primeiro é bom.
Depois, vai fazer um aquecimento dos assuntos. Vai explicando como é que foi o mês, vai explicando como foram as rotinas, vai deixando eles confortáveis com aquele momento. E depois, automaticamente, alguém vai falar ou vai questionar.
Então, como a guia, estou te lendo aqui agora, é fenomenológica, é o que aparece, a base do meu trabalho é essa. Então, vai dando estímulo, aquecimento, e um órgão vai falar. E aquele vai ser o assunto.
Vai acolhendo o que vier e trabalhando, né? Exatamente. Eu lembrei de uma experiência, trabalhei bastante tempo com grupo terapêutico e com oficina de escrita terapêutica. Era muito legal, assim.
E a gente usava um dispositivo e uma ferramenta que era escrita com pacientes julgados e pacientes bem prejudicados de alguma forma, assim, né? E, nossa, aí é coisa riquíssima, assim, porque a gente colocava uma frase ou um texto, a gente lia e pedia que eles escrevessem em cima disso. E começava que eles mesmos, entre eles, acabavam se acolhendo e se ajudando. Mas daí, claro, né? Com os profissionais e tudo isso.
A gente vai fazendo um manejo de supervisão. É, é um manejo. Mas, no fim das contas, pede pro grupo e ele se gere sozinho.
Vai sozinho. A gente só vai agregando alguns limites. Até acabou o turno e passou o tempo.
O grupo foi super… Nem que seja por uma ou duas pessoas. Mas não é grupo terapêutico, é isso? Não. Não é, né? É um grupo de discussão.
Pra gente trocar ideias de como foi a experiência. Isso, eu acho que conta bastante pra procura. Tanto o tema, o foco.
Porque o foco é um foco que interessa muita gente assim, eu digo, da pessoa se disponibilizar. Mas já um grupo terapêutico, psicoterapia de grupo, eu já acho que é mais complicado. Por exemplo, pessoas com uma adição ou pessoas que estão passando por um processo de saúde, geralmente elas buscam grupos de apoio que nem sempre tem um profissional.
Geralmente é formado por pessoas que estão passando. Grupo de entreajuda. De entreajuda, exato.
Daí a gente acaba ficando fora desse grupo. Eu acho que esse também, inclusive, não sei, talvez pela minha experiência, mas talvez seja um pouco explorado pelos psicólogos. É que assim, tem pessoas trabalhando com grupos em todos os lugares, né? O nutricionista faz um grupo, o fisioterapeuta faz um grupo.
Em todos os lugares que for, vai também trabalhando com algum grupo. Eu acho que o psicólogo tem muito a contribuir, inclusive, para o profissional que vai fazer o manejo daquele grupo. Então, assim, que cuidados eu preciso ter? Que olhar eu preciso ter no grupo? Eu acho que é uma coisa que eu não vejo, pelo menos, muitos psicólogos fazendo formação nesse sentido também.
Talvez até de outros profissionais. O lugar onde você inserir, né? Porque eu acho que de maneira independente é muito mais complicado. Você está dentro de uma academia, né? Que já está aí o público.
Agora, se formar que nem a gente, né? Falar um pouquinho de Tampouco, até, ia ser de uma maneira independente. As pessoas teriam que buscar e olhar para fora. Eu acho que isso até entra na área da educação.
Quantos educadores, grupos de adolescentes, grupos de jovens estão trabalhando por aí? Talvez o psicólogo. Nas escolas, né? Até mesmo nas escolas, assim, né? Que olhar que o grupo poderia fazer diferente. Até por maneira de como é que eu vou conduzir esse grupo? Que dados eu vou ter? Como é que eu vou inserir uma temática mais difícil? É um espaço que a gente talvez tenha ocupado pouco e que poderia trazer muitas contribuições.
Talvez a gente não está sabendo oferecer. Nós, psicólogos, sabemos do que se trata esse grupo. A gente não está sabendo explicar às pessoas que isso é interessante e que isso é válido.
E aí a gente sai da série meia também, né? Grupo terapêutico é importante, funciona, cabe em vários espaços, mas aí tem um outro tipo de grupo que é de comunicação. O psicólogo também se insere, faz várias contribuições, mesmo nos grupos que o psicólogo não está presente, tem todo o conhecimento da psicologia que pode mudar com isso. Mas eu acho que tem mais uma coisa que é importante a gente falar, que eu acho que é a questão dessa conversa do psicólogo com outros profissionais.
Ah, verdade, né? Não fique só na psicologia, na construção da psicologia, que ela possa se construir. Porque, na verdade, eu penso também que eu estava falando pra vocês, é que dentro da psicanálise, não se bastam dentro da psicologia, dentro da psicanálise, tem que buscar esse diálogo, essa informação. A gente está tratando de pessoas, a gente não está tratando de uma maioria.
E eu acho que é fundamental, assim, eu acho que tanto esse diálogo entre profissionais diferentes, que eu acho que talvez o Edu aqui converse muito com isso, mas assim, em todos os lugares, a não ser no consultório, que você pode, se você não quiser esse movimento acabar ficando só na psicologia, mas em todos os lugares é muito importante essa conversa entre os profissionais. E depois até o que a gente está fazendo aqui, entre os psicólogos mesmo, que é o que a gente tem aqui também, que é outra coisa. E que a gente, enquanto psicólogo, possa ter um movimento de aprendizado com os outros profissionais.
E não chegue lá querendo ensinar eles a fazer o trabalho deles, que se a gente não cuida, essa é a postura. Ah, eu vou lá, vou explicar para aquele profissional como eu posso melhorar o trabalho dele. Não, chega lá e diz, eu quero aprender sobre isso, como é que tu trata o teu cliente.
Como é que pode melhorar o meu trabalho. Então, tu chegando ali, ela já vai te dar um monte de informação que o outro profissional vai te fazer pensar e tu vai estudar. Daqui a pouco, aquele profissional vai vir nesse psicólogo, é um cara que está se interessando pela minha área.
Ele vai abrindo cada vez mais pra ti aquela área de atuação dele, daqui a pouco vocês estão parceiros. E mesmo dentro do consultório, eu acho que pode existir essa troca, por exemplo, pode ter um paciente que está no processo desse psicólogo de emagrecimento, e tu poderia de repente conversar com o outro psiquiatra, com outro profissional que está atendendo, justamente pra tal paciente. Essa é a questão, a gente poder cuidar mais.
A integração com as pessoas. Acho que isso acontece talvez mais no consultório, quando é psicologia infantil, por exemplo. A gente acaba tendo um diálogo assim, que tu já se importa com a pessoa, ele vai pra escola, dialoga com a família.
Em casos de adultos, a gente acaba tendo um diálogo maior com o psiquiatra. Não é sempre, obviamente, que vão abrir a porta pra gente. A gente pode se servir também Isso, num curso, por exemplo, universidade, toda semana, daquele curso, vai ter um evento, semana acadêmica de nutrição, semana acadêmica de educação física, semana acadêmica de psiquiatria.
Por que a gente não vai? Eu passei pela gravação inteira sem ir. Quantos anos, quanta informação que eu podia ter ido lá aprender, pegar meu caderno e anotar. Então eu sempre falo pras pessoas que estão começando agora.
Pare de participar dos outros cursos. Vai aprender. Daqui a pouco você vai ter a figurinha conhecida.
Todo mundo te acolhe. Aí quando tu vem com um projeto, as pessoas te ouvem? Não. Então tu vem fazer esse presente comigo porque tu cuidou disso durante a graduação.
Isso, na graduação, eu acho que é fundamental a gente conseguir conversar. Claro que isso tem que ser muito monônimo do aluno, mas a gente tem estudantes também que participam da academia. Então, esse olhar, começar a participar de outros momentos, outras esferas que não só a psicologia ajuda muito.
Segue pra ti como laboratório daquilo que tu já tá aprendendo. Seja fora da universidade, participa de grupos, participa de uma ONG, participa de alguma coisa na tua cidade. Isso tem mil espaços que tu pode te inserir e ter contato com a prática.
Às vezes não vale, claro, fazer uma terapia porque tu ainda não tá formado pra isso, mas assim, quanta coisa tu já pode aprender. É isso que vocês estão falando, muito importante. E eu não sei como é que é esse funcionamento, como é que tá hoje longe disso, se o pessoal estudante se colocar a buscar mais, a procurar mais.
Realmente, o que eu falo no dia-a-dia, as pessoas ficam meio longe disso. Eu acho que os sites na faculdade são uma boa oportunidade. E em geral, quanta coisa ele tem que fazer, não como um psicólogo formado, mas assim, de participar de uma universidade, um grupo, em um espaço que esteja acontecendo, de se inserir e começar a aprender com outros profissionais.
Um grupo esportivo também, procurar os atletas, grupos esportivos, com treinadores ir lá observar, perguntar como é que é feito esse trabalho, como é que é feito o trabalho de motivação. E anotar, e anotar tudo, que uma hora pode ser que aquilo te desperte uma paixão que tu não sabia que teria se não tivesse procurado esses lugares. Todo curso oferece eventos gratuitos, principalmente semana acadêmica.
Por que a gente não pode participar desses eventos, sendo que são abertos? No máximo, eles pedem uma certa frequência, se tu quer o certificado, mas é geralmente o pessoal daquele curso. A gente pode ir lá como ouvinte, chega cedinho, pega o lugar e se perde todo aquele assunto, e das pessoas também. Conhecer os profissionais, conhecer o pessoal que está se formando na universidade.
Conhecer os mestres, os professores, se apresentar. Que depois, no caso de uma parceria, fica muito mais fácil conseguir, porque tu já é uma pessoa conhecida naquele centro de conhecimento. Não aparecer, não.
Já construir isso durante a universidade. Quando a gente fala muito em relação à psicologia, o quão importante é a relação com o outro, e quase nada melhor. Porque a gente se relacionava com outro saber, com outras pessoas, para aprender, se colocar, ter prática, ter experiência.
Como é que foram os estágios de mestres? Eu fiz estágio na faculdade, e era podia escolher duas áreas. Eu fiz um ano estágio de clínica, que era psicoterapia, já tinha vindo da faculdade mesmo, e fiz estágio em comunitária. Então, era um estágio numa comunidade.
Era de escolher, pelo menos quando eu fiz, e na minha faculdade, eu escolhia. Poderia ser institucional, organizacional, escolar. Eu fui para essas duas áreas.
E eu teria que fazer quatro áreas. Tinha que fazer clínica organizacional, comunitária e escolar. O máximo que a gente podia fazer era montar os horários de acordo com o que a gente tinha e pelos nossos horários.
Mas era o estágio, dois anos de estágio nessas quatro áreas, junto com o PCC. A maioria das pessoas já pegava o livro junto para poder encerrar. Eu dava sete anos, sete anos e meio, bem logo a pessoa já pegava o livro.
Então, o final era bem massacrante, muito interessante para a gente ter que dar conta disso tudo, porque era quase um turno em uma área, almoçar, o outro turno era em outra área, e dar conta de tudo isso. Parece que agora mudou, flexibilizou. Agora pode escolher.
Mas o interessante de fazer turnos é que você pode ter contato com elas. Ter contato com elas antes de às vezes errar, fazer uma opção que você não gosta. É, já aprende.
Eu até conheci mais, porque eu acho que a gente também fica com a ideia de que não gosta. Eu, por exemplo, sempre perguntei porque eu não gostava de organismo profissional. E não sei o que é hoje.
Se eu tivesse tido uma experiência, eu poderia ter gostado, não sei. Eu tive uma experiência super legal. Acabei não tendo nenhum organismo profissional, mas eu fiz um estágio que era voltado para a repetição de talentos em um hospital.
Então, assim, imagina quanta coisa legal você pode enrolar e pode criar com a ideia de que os funcionários, os colaboradores gostem mais daquela empresa. Sim. Tem muita coisa que você pode fazer em todos os espaços.
O meu estágio eu tive foram três anos de estágio. Um organizacional, um na clínica, que hoje tem muita popularidade também. O outro ano era um semestre em uma instituição que se chama Okinoka.
Eu fiz uma biblioteca e fiz um acolhimento institucional, mas assim, a faculdade era bem aberta. O pessoal queria fazer presídios, um corpo de bombeiros, em lugares bem diferentes. Na escola, na saúde pública, você tinha várias opções.
E eu lembrei agora também que a gente também teve ambientação profissional. Então, antes dos estágios, a gente tinha algum trabalho que a gente tinha que ir até o espaço, conhecer como funcionava e elaborar um trabalho em cima disso. Eu acho que ir agora, acompanhando o que está acontecendo agora na faculdade, já ter algumas experiências de trabalho integrado com as disciplinas, acho que é um movimento que está começando a acontecer e que quem não tiver essa oportunidade na faculdade de acontecer isso aí dentro do institucional, a gente vai também meter a cara e fazer.
Eu, na verdade, na minha, eram dois estágios obrigatórios e entre os mais organizacionais, o mais público, trabalhava já em serviço social também. Mas eu fiz por conta própria dentro de um estágio de uma reunião de terapia. A gente trabalhava com crianças bem mais sérias.
E, na social, eu acabei trabalhando com adolescentes em vulnerabilidade e eram comunicados. E, também, nesse período, eu tive a oportunidade de fazer a formação em acompanhamento e acho que foi sensacional. Foi quando eu comecei a me dar por conta que a psicanálise podia sair do sétimo tradicional.
Porque eu fazia a psicanálise e a minha supervisão era um viés psicanalítico. Então, foi bem interessante. É bem isso, né? É experimentar pra, pelo menos, tu saber o que tu não quer durante a formação.
Então, tá, pessoal. A gente vai ficando por aqui. A gente espera que vocês tenham gostado.
Se tiverem alguma dúvida… A gente gostou, né? A gente gostou bastante. Mas, se vocês tiverem alguma dúvida ou alguma questão, pode escrever aqui pra gente e, se puder, a gente responde. E, Letícia, a gente já vai devolver o seu lugar aqui.
Ah, é? Ainda temos lugar, né? Estamos indo para o clube. Então, tá, pessoal. Até mais.
Tchau, tchau.
