Pular para o conteúdo
Carreira Mais

A Formação do Psicólogo

Academia do Psicólogo
Academia do Psicólogo

Aqui no Vida Acadêmica vamos falar de diferentes aspectos da formação do psicólogo. Inclusive, em qual perspectiva e contexto estamos utilizamos o termo formação. É claro que não no sentido de formado como acabado ou pronto, mas sim, como um processo, um constante vir a ser.

Falaremos para além dos muros das universidades mas, vamos começar examinando com muito carinho o que acontece dentro deles. Afinal, já é um grande trabalho pensar e vivenciar uma formação que considere e contemple a diversidade dos campos de atuação e das perspectivas teóricas da psicologia.

Neste sentido, gosto muito de pensar, como alguns autores propõe, que o psicólogo é o “profissional do encontro”. Encontro com pessoas, com conhecimentos de etiologias divergentes, de multiplicidade de fazeres. Estamos dispostos a estes encontros? É comum, nós psicólogos, nos especializarmos em uma linha teórica bem definida, mas, antes disso, precisamos nos entregar ao diferente, desconhecido e desafiante e nos enriquecer com essa abertura!

Como vocês já devem saber, existem alguns aspectos legais que são as diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação em psicologia. Além disso cada curso possui seu próprio projeto pedagógico, que normalmente é construído e atualizado com a participação dos próprios estudantes!

As diretrizes curriculares para o curso de graduação em psicologia estabelecem como princípios as questões que veremos a seguir.

Diretrizes Curriculares

Construção e o desenvolvimento de conhecimento científico em Psicologia

Digamos que este seja o ponto base, muito bem desenvolvido nas boas faculdades. A questão aqui seria, como anda a sua participação na construção deste conhecimento.

Afinal, chegar na sala de aula sem ler os textos norteadores e passar a noite ouvindo uma aula expositiva, não me parece muito com uma construção. Seja propositivo!

Ficar reclamando nos corredores não muda muita coisa. Mas, demonstrar interesse, propor estratégias, reunir materiais complementares, organizar seus colegas, isso sim pode trazer algum resultado bacana!

Compreensão de múltiplos referenciais para apreender a amplitude do fenômeno psicológico

Entendo que aqui é importante frisar a validade de uma formação generalista, que consiga caminhar por diversas abordagens diferentes.

Você pode amar psicanálise, mas não precisa odiar os analistas do comportamento; você pode amar psicologia social, mas não precisa odiar avaliação psicológica. Na realidade, aqui sequer trata-se de amor ou ódio, mas sim, de conhecimento.

Afinal, sempre teremos aquelas disciplinas que mexem mais com nossa motivação, nossos professores preferidos, aquilo que faz mais sentido com nossa história e, isso tudo é maravilhoso.

Mas, me recuso a acreditar que um aluno que, por exemplo, se fecha às aulas de psicologia organizacional sem conhecer o papel do psicólogo dessa área, compreenda quantas iniciativas bacanas e transformadoras podem ser feitas em uma empresa.

Compreensão crítica dos fenômenos sociais, econômicos, culturais e políticos

Muito se costuma falar durante a graduação sobre a compreensão crítica. O que é isso afinal de contas?

Digamos que você pode compreender os fenômenos, quaisquer que sejam, de forma literal, fazendo inferências ou interpretações, ou ainda, no caso da compreensão crítica, questionando os pressupostos e sendo capaz de refletir sobre a realidade, analisando o contexto, num esforço consciente e criativo para aperfeiçoar a sua percepção e testar novas hipóteses.

E para isso, meus queridos, eu recomendaria a curiosidade: diversifique a fonte de informação, livros, filmes, outras revistas, outros jornais, reportagens inteiras e não só a manchete do Facebook...  Sim, pois a Psicologia não acontece num vácuo, ela está inserida num mundo, na história da humanidade, imersa, influenciada e influenciadora da cultura.

Tão importante quanto desconstruir velhos conceitos, é estar aberto a construir novos.

Atuação em diferentes contextos, considerando os direitos humanos e necessidades pessoais, visando a qualidade de vida de indivíduos, grupos, organizações e comunidades.

Se você nunca leu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tire um tempinho e leia. É sério! É inclusive uma boa base para pensarmos o item que virá a seguir: o respeito e a ética. Esta declaração é base para o Estatuto da Criança e do Adolescente, que por sua vez, é base para qualquer trabalho com o público infanto-juvenil.

Com ela, você também pode refletir sobre os direitos das pessoas com deficiência, do público LGBTT, das famílias, do trabalhador, do paciente, enfim. É um documento que marcou nossa história enquanto humanidade e ajuda-nos a ter a sensibilidade para o trabalho com qualquer ser humano.

Respeito à ética

Se você ainda não conhece o famoso Código de Ética do Profissional Psicólogo, é bom conhecer. Mas, como você verá muito sobre ética durante a faculdade, vou me ater a questão do respeito. Um dia lendo um texto do Zimerman, sobre a teoria de Bion, ele escreveu sobre o respeito e compartilho com vocês:

“Respeito.

Bion reiterava a necessidade de que o analisando fosse aceito tal como de fato é, ou pode vir a ser, e não como o psicanalista gostaria que ele fosse, desde que também fique claro que respeitar as limitações do paciente não é o mesmo que se conformar com elas.

A etimologia nos mostra que o atributo de respeito tem um significado muito mais amplo e profundo do que o usualmente empregado.

Respeito vem de re (“de novo”) e spectore (“olhar”), ou seja, é a capacidade de o psicanalista (e, a partir daí, ser desenvolvida no paciente) voltar a olhar para o ser humano que está à sua frente, com outros olhos, com outras perspectivas, sem a miopia repetitiva dos rótulos e papéis que desde criancinha, foram incutidos no paciente.”.  

Lindo né?! Está na página 320 do livro “Bion: da teoria à prática, uma leitura didática”.

Aprimoramento e capacitação contínua

Bem, aqui é para fechar com chave de ouro, não é mesmo?!

Por mais importante que seja comemorarmos a formatura da graduação, ser psicólogo é um processo e não uma linha de chegada

Resumindo

É uma grande missão! A graduação por si só exige bastante dos acadêmicos e pode ser um processo muito enriquecedor. E para isso, você precisa se responsabilizar por sua formação.

E estes são apenas os princípios das diretrizes curriculares, ainda temos muito pela frente.

Mas, por enquanto, qual sua percepção sobre a formação do psicólogo? Qual a compreensão crítica sobre a formação que você tem vivenciado?

Links bacanas:

  • Você pode ver mais sobre o livro “Bion: da teoria à prática, uma leitura didática” aqui.
  • E a Declaração Universal dos Direitos Humanos aqui

AUTORA

DAIANA RAUBER

Me formei em psicologia na Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI em 2014 e sou especializanda em Psicanálise e Análise do Contemporâneo pela PUC-RS.

Desde então, construo um percurso com a psicanálise para meus atendimentos clínicos, baseado no tripé psicanalítico: formação teórica, supervisão e análise pessoal.

Compartilhar este post