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Psicologia Bariátrica Áreas de Atuação

Vídeo: Psicologia Bariátrica e Obesidade

Academia do Psicólogo
Academia do Psicólogo

Neste vídeo, Douglas Amorim, apresenta a sua experiência e atuação relacionadas à cirurgia bariátrica no pré e pós operatório. Aqui, vamos falar sobre as sessões, o que é importante investigar e como o trabalho pode ser realizado.

Psicólogo Douglas Amorim

https://player.vimeo.com/video/180344693

Transcrição

Olá, tudo bem? Meu nome é Douglas Amorim, eu sou psicólogo e hoje eu vou falar um pouco sobre psicologia bariátrica e obesidade. Vamos lá? Há cerca de três anos atrás, eu fiz a cirurgia bariátrica. Eu emanueci cerca de 65 quilos e, a partir disso, eu comecei a receber muitos pacientes na clínica, eu sou psicólogo clínico, muitos pacientes na clínica, no pré e no pós-operatório da cirurgia bariátrica.

Eu vi em mim todas as mudanças com que o processo de emagrecimento ele provoca, vi em mim também, durante algum tempo, tudo o que a obesidade provoca nas pessoas. Poder ofertar essa experiência como uma prática clínica é muito especial para mim e também é uma possibilidade de intervenção, a partir daquilo que eu mesmo já conheço como processo como um todo, tanto como psicólogo, tanto quanto paciente, alguém que passou pelo processo. Se você está hoje aí pensando num nicho para poder seguir a sua carreira, sua carreira em clínica, psicólogo clínico e chegou até aqui esse vídeo, provavelmente você veio por justamente ter um interesse dentro dessa área da psicologia bariátrica, da psicologia do emagrecimento, da psicologia da obesidade.

Eu queria te dar alguns dados aí para ver se te anima de alguma forma. Bom, hoje o Brasil é o segundo país no número de cirurgias bariátricas, perdendo aí só para os Estados Unidos. Ele também não fica só em números, o Brasil também é hoje um dos grandes desenvolvedores de práticas clínicas, tanto médicas quanto de outras áreas correlatas, na busca de uma saúde, da perda de peso.
Então o que eu quero dizer com esses números é que eles são animadores para quem pensa em negócios dentro da clínica. A possibilidade de ter um número muito grande de busca, de procura é bastante atraente, é bastante significativo num momento em que a gente está discutindo de forma maciça, tendo como um grande nome o próprio Bruno, a gente está discutindo de forma maciça a colocação dos psicólogos como grandes estrategistas, de se colocar como um empreendedor dentro da clínica, se colocar como uma pessoa que busca clientes, enfim, que deseja viver da psicologia como um todo, não só da psicologia clínica, mas como um todo. Bom, mas hoje eu vou falar sobre a psicologia clínica e especificamente da psicologia bariátrica e obesidade.

Então a partir do momento que eu fiz a cirurgia e eu comecei a colher os primeiros resultados ali, eu comecei a ser indicado por alguns médicos e por outros pacientes que já conheciam a minha história para poder fazer o atendimento deles aqui no pré e no pós-operatório. Muitos médicos eles não conseguem alertar no sentido de compreender até a importância de se fazer um acompanhamento psicológico no pré e no pós-operatório. Então muitos pacientes chegam ao meu consultório apenas desejando o laudo, que é exigido por alguns médicos, que é exigido por alguns planos de saúde.

Eles chegam aqui, eu vim aqui doutor porque eu preciso do laudo e quantas sessões eu vou precisar fazer, quantas sessões eu vou precisar passar até poder pegar o laudo. E quando eu digo para eles um mínimo mínimo de sessões, que no meu caso eu coloco quatro, não é regra, tá ok, mas no meu caso eu considero como quatro, é porque é um tempo bacana de poder acolher bem o paciente, de compreender bem os meandros, de poder fazer uma devolutiva um pouco mais acertada do quadro dele, né, então eu coloco como quatro sessões para o laudo. Então eles chegam aqui cheios de fantasias contra a cirurgia bariátrica, eles chegam aqui cheios de fantasia contra a própria obesidade, muitos deles não conseguem reconhecer a construção dos comportamentos que levaram a ser obeso, muitos deles consideram apenas como uma doença física, mas não como uma doença comportamental e nós que somos psicólogos a gente sabe que na verdade é uma doença comportamental, é óbvio que tem tendências, tendências que são biológicas, tendências que são físicas, mas a gente sabe e reconhece que é uma questão também comportamental.

Há um jargão próprio das equipes multidisciplinares que diz, se opera o estômago, mas não se opera a cabeça. E o que nós queremos dizer com isso? E o que a equipe quer dizer com essa frase é que tem questões que não são físicas, tem questões que são emocionais, psicológicas e elas requerem o acompanhamento de um profissional que cuida justamente dessa área, nós psicólogos. Então no pré-operatório o psicólogo ele faz a educação do sujeito, a educação do paciente, mostrando para eles a importância de se fazer o acompanhamento no pós-cirúrgico.

Se faz muito necessário com que o paciente compreenda os métodos comportamentais que o levaram até se tornar uma pessoa obesa. Muitos pacientes se construíram como obesos ao longo da vida e é essa personalidade que eles construíram, eles construíram como uma pessoa obesa. E as mudanças que virão serão muito drásticas.

Hoje a gente se depara com uma estatística, que não é uma pesquisa, mas é uma estatística das mudanças que trazem pacientes pós-bariátricos. Tem muitos deles que substituem, por exemplo, a compulsão alimentar por outro tipo de compulsão, a bebida alcoólica, o cigarro. Outros se tornam promíscuos.

Há um relato bastante maciço de términos de relacionamento amoroso, casamentos, e todas essas questões elas precisam ser observadas, elas precisam ser trabalhadas no pós-cirúrgico. Mas a gente tem um caminho até chegar lá, não é? Então, quais são as ferramentas iniciais que o psicólogo que gostaria de trabalhar com essa área precisa prestar atenção? Bom, primeiro é preciso fazer uma boa anamnese, uma boa investigação do histórico clínico do paciente. Você precisa compreender toda a sua história de vida, como é que eram os hábitos quando era criança.

Você precisa investigar se há algum tipo de compulsão alimentar, qual foi o tempo em que o sujeito tem lutado contra a obesidade. Você precisa entender se há o que a gente chama de gorditude, que é uma espécie de orgulho de ser gordo. Você precisa tentar compreender sobre isso.

A grande maioria dos pacientes, eles chegam no consultório com o discurso politicamente correto, e a gente tem observado isso com bastante frequência. Eles chegam dizendo que, ah, eu não vim pela estética, eu vim pela saúde. E você vai começando a investigar, e você consegue perceber que, na verdade, essa justificativa é politicamente correta.

Na verdade, o que o sujeito quer são outras coisas. Isso precisa ser investigado para compreender exatamente a raiz da motivação pela cirurgia. Você precisa compreender a estrutura familiar, você precisa compreender os hábitos, é preciso compreender os medos, as fantasias.

Muitos deles acreditam que dentro da cirurgia bariátrica você resolve todas as questões emocionais, e muitas vezes a própria cirurgia é desencadeadora de outras questões emocionais, e tudo isso precisa ser acolhido pelo profissional psicólogo. Então, uma boa anamnese é o caminho para poder acolher bem e orientar muito bem esse paciente. Outra coisa é você compreender muito bem sobre a questão da cirurgia bariátrica.

O que é a cirurgia bariátrica? Você como psicólogo, compreender as técnicas, conhecer os médicos que fazem a cirurgia bariátrica. Essa é uma dica também para aqueles que querem pensar nisso como nicho. Conheça os profissionais, saiba quais as técnicas que eles utilizam, tenta compreender um pouco a visão deles sobre a própria cirurgia bariátrica, tenta conversar com eles sobre as intervenções psicológicas, e isso tudo vai te auxiliar e te gabaritar para poder fazer um bom acompanhamento aos psicólogos.

Bom, esse era o vídeo de hoje. Eu espero ter ajudado vocês de alguma forma. A ideia é com que a gente fique cada vez mais… a possibilidade de trazer ferramentas concretas.

Esse primeiro vídeo foi uma apresentação para que vocês compreendam um pouco o trabalho que a gente quer desenvolver. Se vocês gostarem do vídeo, eu queria que vocês se manifestassem nos comentários. Isso é importante para a continuação do trabalho.
Se tiverem dúvidas, também coloquem. A ideia é, no próximo vídeo, a gente poder falar um pouco sobre a própria cirurgia bariátrica. Explicá-la, falar um pouco sobre os termos que a gente otimiza e que são todos importantes para o início do trabalho.
Quero agradecer muito a atenção de vocês. Espero ver vocês brevemente. Muito obrigado e tchau!

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