Reflexão Crítica Sobre o Uso do MBTI

Escrito por Academia do Psicólogo | Sep 12, 2016 10:44:00 PM

Já pensou em utilizar conhecimentos como os tipos psicológicos de Jung para melhorar a gestão da sua equipe?

Neste vídeo, Rafael apresenta o MBTI, um instrumento que pode ser utilizado nas organizações e se transformar em um plano de ação para aproveitar melhor os potenciais da sua equipe. Como? Vem conferir as experiências compartilhadas aqui no vídeo.

https://player.vimeo.com/video/182171648

Autores:Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.

Transcrição

Oi pessoal, tudo bem? Mais um vídeo meu aqui para a Academia do Psicólogo, no canal Psicobrothers. E hoje nós vamos falar sobre o MBTI, um instrumento que foi desenvolvido por duas americanas baseados na teoria dos tipos psicológicos de Carl Jung. Esse instrumento tem ganhado cada vez mais adeptos na sua utilização, na sua aplicação no mundo corporativo, seja para treinamentos, para trabalhos de desenvolvimento de equipes, e de fato é um instrumento bastante interessante.

Eu gosto muito da proposta dele. E o que ele faz? De maneira bastante ampla, tá gente? Porque falar do MBTI num vídeo curto é desafiador, mas eu acho que eu vou tentar trazer para vocês aqui alguns tópicos, pelo menos para a gente entender o que se trata e até colocar um pouco de luz crítica na forma como ele vem sendo utilizado. Então o que ele se propõe? A mapear quais são as funções psicológicas preferenciais das pessoas, sempre colocando em uma ordem de comparação.

Se a pessoa é introvertida, se ela é extrovertida, se ela é pensamento, se ela é sentimento, se ela é intuição, se ela é percepção, ou melhor, sensação é o termo que eles usam, se é intuição, se é sensação, e por fim, se ela é julgamento e aí sim percepção. E esses dois itens, percepção e julgamento, eu já acho que utilizam de maneira errada, ou traduziam de maneira errada, porque eu acho que não deveriam ser as melhores palavras para serem utilizadas. Mas tudo bem, percepção e julgamento.

Essas palavras combinadas vão gerar 16 tipos psicológicos, e aí tem algumas letrinhas, a pessoa INTJ, TSTP, INTT e por aí vai. E são as combinações das palavras, cada uma tem uma letrinha lá que vai determinar o que significa cada tipo. A pessoa faz um teste, então a única empresa qualificada aqui no Brasil, autorizada para utilizar o MBTI, é a Felipeli Consultoria.

Então você tem um link que você acessa lá na Felipeli, faz a avaliação, responde uma série de perguntas lá, e aí ao final, quem está aplicando o MBTI na pessoa, recebe um PDF descrevendo qual o tipo psicológico dessa pessoa, e que tem bastante detalhes, e normalmente bate, tá gente, combina bastante com o estilo da pessoa mesmo. Estilo preferencial, e não um estilo do que a pessoa é, em sua essência, alguma coisa assim. Para tornar um pouco mais claro o que eu quero dizer de preferência, vamos supor que você está em um ambiente que você é totalmente aberto, e você tem que se concentrar muito, e você até tem uma capacidade de concentração muito boa, mesmo que o mundo está caindo ao seu redor, você consegue ali se concentrar no seu trabalho, focar e fazer.

Mas você preferia ter uma salinha fechada para que você ficasse isolado ali para se concentrar. Então é isso, via de regra, imagina que para todos os itens lá do MBTI, pensamento, sentimento, intuição, extroversão, etc, intuição e pensamento, já me embananei aqui com os tipos, mas imagina que você consegue algumas coisas, fazer em uma situação específica, mas você tem preferência que fosse daquele jeito. Então isso tem toda uma organização psíquica de como você hierarquiza as suas emoções e as utiliza no ambiente de trabalho.

Então o MBTI mapeia isso com bom mérito, eu gosto dos resultados, como eu já comentei com vocês. E para quem não conhece, gente, eu acho que vale a pena entrar no site da Feliper, entender um pouco mais, tem muito material na internet, eu vou deixar alguns links aqui para vocês conhecerem também um pouco mais o conceito da ferramenta. E eu também indico um livro, que é o Ser Humano é Ser Diferente, deixar mais perto aqui para vocês verem, que é justamente o livro que descreve o MBTI em sua essência, ele que mapeia e conceitua bem a ferramenta.

A gente ganha esse livro quando a gente faz o treinamento. E só quem pode aplicar o MBTI são pessoas qualificadas, não é qualquer um que pode aplicar. Então você tem que fazer o treinamento da Feliper, que não é barato, e você então passa a ser um dos autorizados a aplicar o MBTI aqui no Brasil.

Mas cá entre nós, ninguém está vendo esse vídeo, tem uma série de links na internet, que eu deixo aqui para vocês também, não tem problema nenhum, que tem uma similaridade com a ferramenta oficial e que a gente faz gratuitamente. Eu vou deixar para vocês também consultarem e de repente até avaliarem quais são os seus tipos, e a gente pode conversar até um pouco mais sobre esse tipo de psicológico, é um tema que eu converso horas e horas e horas. Mas, muito bem, vem a parte crítica do MBTI.

Você vai lá na empresa, você psicólogo, fez um trabalho bacana, aplicou o MBTI nas pessoas, deu feedback, organizou lá dinâmicas para dar o feedback, porque não é só dar o feedback, é explicar todo o conceito por trás de cada um dos tipos, então tem todo um processo para dar o feedback do MBTI, é bem interessante, é bem feito, e as pessoas recebem, leem, gostam, e o que as empresas fazem com isso depois? Esse é o meu questionamento. Você recebe lá, lê, é legal, sou INTJ, no meu caso sou INTJ, para título de curiosidade, mas como que as empresas estão utilizando e ampliando o conhecimento do MBTI? Eu sou INTJ, teoricamente eu deveria ter um pouco mais de espaço para exercer a minha introversão dentro do BND corporativo, eu recebo isso, meu gestor vai olhar para isso, diz a minha experiência, eu estou falando de uma visão bastante empírica, os gestores entregam lá, lêem quais são os MBTIs das suas equipes, e é legal, putz, bacana, o seu MBTI é esse. Tá, gestor, o que agora você vai fazer para favorecer o ambiente que potencialize o uso das minhas capacidades preferenciais? Eu não sei se os gestores estão fazendo isso, tá, gente? Eu acho que não.

E por quê? Porque eles nem sabem que eles deveriam fazer isso. E por quê? Porque os psicólogos que aplicam o MBTI, e não necessariamente são psicólogos, porque não precisa ser psicólogo para aplicar o MBTI, basta ter a formação da Felipéria, mas porque as pessoas que estão aplicando o MBTI não necessariamente orientam os gestores de que eles poderiam fazer uso melhor dessa ferramenta. Se vocês lerem este livro aqui, que originou tudo, são 600 páginas, olha como é grosso o bicho.

Lendo este livro aqui, vocês vão ver que os tipos psicológicos vão muito além de dar 4 letrinhas para as pessoas e determinarem como elas são. Na verdade, tem toda uma construção de dinâmica psíquica de opostos. Aí é bem Jungiano isso, tá, gente? E se o MBTI foi feito à luz de Jung, a gente tem que debater ele à luz de que Jung criou.

Então é uma dinâmica de opostos. Se as pessoas são tipos extrovertidas e tipos pensamento, se vocês as colocarem para fazer atividades de introversão, de sentimento, você vai matar a performance dessa pessoa. Você vai acessar os conteúdos mais sombrios dela, numa linguagem Jungiano.

Mas os gestores têm esse conhecimento? Você, psicólogo, que aplica o MBTI, tem esse conhecimento? Eu não sei. Então esse é o meu ponto de reflexão aqui. Mas eu também não quero ser só negativo.

Eu tenho sugestões para a gente poder resolver essa questão e fazer o uso do MBTI uma ferramenta maior do que ela realmente tem sido hoje. De novo, eu acho que o instrumento é maravilhoso, tem uma oposta excelente. Mas não basta entregar um papel, a pessoa ler, ah, legal, esse é o meu tipo, e passar bem.

Eu acho que poderiam ser desenvolvidos aqui. Eu estou deixando a minha mente fluir da maneira mais livre possível, tá, gente? Mas acho que com a experiência de vocês, vocês vão fazer links interessantes também para o dia a dia de trabalho de vocês. Mas será que nós não poderíamos construir grupos de trabalho para entender melhor quais são os conceitos do MBTI e debater como que você poderia desenvolver a equipe e a dinâmica de trabalho de forma que atendesse as expectativas dos tipos psicológicos das pessoas? É claro que há uma guerra, sim, porque se você tem na sua equipe tipos extrovertidos e tipos introvertidos, dificilmente você vai conseguir conciliar a forma de trabalhar para os dois tipos, porque são opostos.

E o maior, das maiores oposições que eu percebo nas empresas são os tipos sentimentos e os tipos pensamento. Os tipos pensamento são aqueles mais racionais, mais decididos, mais organizados, que vêm primeiro o este, segundo o este, terceiro o este. E os tipos sentimento têm uma maneira mais humana de verem as coisas.

Não importa se o primeiro é esse, o segundo é aquele, o terceiro é aquele. O que importa é como que as pessoas vão reagir a tudo isso. Que tipo de impacto tem na vida delas, como que a gente pode acolher essas pessoas.

Então imagina o choque que dá entre esses dois tipos. Então eu acho que precisa, sim, debater o MBTI e ver como que a aplicabilidade prática dele não fique só num papel, mas fique, sim, numa forma de trabalhar e de organizar a equipe. Eu acho que esse é um papel nosso, como psicólogos, de levar essa consciência crítica sobre o MBTI.

Eu acho que vale a pena, sim, ler os tipos psicológicos de Jung. Vale a pena entender quais são as funções sombrias e por que isso deve ser levado em conta na organização do trabalho. Baseado em MBTI.

E por que o MBTI não deve ficar só num papel. Ele tem que ir pra outras discussões. Gente, eu falo pra vocês por experiência própria.
Eu já recebi, eu já fiz o MBTI em grupo de trabalho três vezes. Eu posso dizer que em uma das experiências foi interessante porque eu conversei com a minha gestora e ela exigia comportamentos meus. Eu falei, gestora, você exige de mim, mas isso não está em mim, você exigir isso.

E foi interessante porque ela teve uma maturidade muito legal e ela deu um passinho pra trás de algumas exigências e eu também dei um passinho pra trás no sentido de compreender aquilo que ela queria e esse um passinho que cada um deu pra trás se tornou um passão enorme e foi uma das gestoras que eu tive os melhores relacionamentos de trabalho em toda a minha vida. Então, não ficar só no papel, mas levar pra reflexão prática. Pra quem trabalha com consultoria interna de recursos humanos, bater lá na porta do gestor e falar, gestor, como você está usando o MBTI no seu dia a dia? Que tipo de ação prática você está tomando com relação a ele? E o gestor, às vezes, ele não vai saber.

E aí cabe a você, psicólogo organizacional, dar essa sugestão pro gestor. Ou então, você desenvolveu um treinamento ali com as pessoas, deu feedback do MBTI, fez uma dinâmica. Normalmente as pessoas fazem uma dinâmica separando as pessoas por tipos pra elas vivenciarem um pouco mais o que quer dizer esse tipo dela.

Mas se passou dessa dinâmica, qual é o plano de ação que a gente pode fazer baseado nesses tipos? E outra, por que não se deve acessar as funções sombrias das pessoas? Porque aí você vai ter a pior versão das pessoas nas organizações. E aí as piores versões se contaminam. E aí se contaminam, cria um ambiente ruim, é ruim de trabalhar.

E a gente não quer isso. Nós queremos organizações saudáveis, com pessoas saudáveis, com o propósito delas concretizado nas ações do dia a dia. Nas empresas que elas trabalham, nas empresas que elas administram, e no mundo profissional como um todo.

Então, vamos utilizar o MBTI, vamos fazer um bom uso dessa ferramenta, mas vamos pensar nos planos de ação. Como que a gente torna o MBTI uma ferramenta do dia a dia de gestão pra entender as pessoas. E não só mais um papel com testes, com coisas descritas.

Porque isso, gente, tem um monte. Eu conheço alguns outros, mas eu nem atrevo a falar porque o que eu mergulhei pra entender mesmo é o MBTI, então nem vou entrar aqui em outros tipos de avaliação. Mas eu tenho certeza que vocês conhecem outros.

O Quantum, por exemplo, o PI, por aí vai. Beleza? Então hoje é mais um vídeo reflexivo pra gente colocar um pouquinho de luz na utilização desse instrumento muito bacana. E botando numa teoria que eu gosto muito dos tipos psicológicos de Jung, mas que precisa ser sim aprofundada e tornar mais concreta do que é. Não é só um papel, é um plano de ação pra uma melhor gestão de equipe.

Beleza? Grande abraço e até o próximo vídeo.