Reeducação Alimentar: Sensação de Vazio

Escrito por Academia do Psicólogo | Mar 16, 2016 8:35:00 AM

O psicólogo que se propõe a trabalhar junto a seus clientes em processos de reeducação alimentar, ouve com frequência que estes experimentam profundas sensações de vazio.

Sensação de vazio pode ser um determinado período do dia em que o sujeito sente-se profundamente entediado. Ou frustrado. E experimenta momentos de uma vida sem sentido.

Via de regra, é esta percepção de vazio existencial que leva as pessoas a buscarem a saciedade das suas angústias através do alimento.

E é muito lógico que isso aconteça, pois o alimento é uma via imediata de alteração bioquímica que proporciona sensação de euforia através dos nutrientes.

Quem de nós não fica mais feliz ao ingerir açúcares, por exemplo?

O açúcar ativa os receptores dopaminérgicos que causam sensação de prazer. Os mesmos receptores que são ativados com o uso de drogas como a cocaína, por exemplo. Obviamente os efeitos são diferentes, mas os receptores ativados são os mesmos.

Foi o experimento da sensação de vazio no curso de uma vida, ou de um momento de vida, que levou  seu cliente a compensar a sensação de angústia com o alimento. Embora o cliente relate que é a ausência de comida que o deixa ansioso ou com sensação de vazio, a dinâmica é justamente o contrário.

Se há sensação de vazio estabelecida em algum sujeito, isso nada tem a ver com a privação de chocolate, por exemplo.

Mas, quando esse substituto for retirado, pode ter certeza que tudo o que não foi resolvido no âmbito em que se exigia a atenção, sairá em forma de sintoma. Sintomas, estes, que quanto mais negados, mais fortes surgirão.

E mais difícil e longo será o trabalho dos profissionais envolvidos.

Importante ressaltar que não existe consistência em um processo de reeducação do comportamento alimentar se não houver um psicólogo e um nutricionista, ou médico nutrólogo. Pois, ao equilibrarmos os nutrientes no organismo através da dieta, o cliente consegue saciar diversas tendências à compulsão, pois, a sabedoria do corpo busca nutrientes de que ele precisa através do alimento.

E muitas vezes a baixa de energia que o corpo experimenta, é expressa pelo comportamento equivocado na vontade de consumir açúcares.

Quando, na verdade, existem diversas outras fontes mais adequadas e saudáveis para saciar esta necessidade do corpo de mais energia, como por exemplo, os carboidratos complexos ou proteínas, como a administração de porções de frutas, legumes, entre outros.

Cabe ao psicólogo monitorar os sintomas que acompanham a troca de nutrientes na dieta dos seus clientes em programas de reeducação alimentar. Pois o psicólogo, sendo o profissional qualificado a ir além do discurso, analisando processos inconscientes, desejos latentes, consegue através de técnicas de entrevista e manejo das sessões, ir nas causas mais profundas das quais nem o próprio cliente tinha conhecimento.

Como atividade complementar, é indicado que os profissionais envolvidos disponham de espaços para o diálogo a respeito dos seus clientes. Preservando assuntos que por ventura sejam sigilosos, os grupos de discussão sobre clientes em comum agiliza o todo o processo e você consegue entregar um trabalho responsável, ético, em um menor tempo possível.

O processo de reeducação do comportamento alimentar pode durar um ano inteiro. Ou dois, dependendo da complexidade dos casos.

E abreviar esse sofrimento deve sempre ser uma meta dos grupos de atendimento.

Psicólogo Edu Azevedo

Psicólogo funcional integrativo
@psieduazevedo
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