Psicólogo(a) de “30 e Poucos”… e Sua Jornada de Carreira Até Aqui!
Psicólogos e Psicólogas com seus “30 e poucos” anos, ocupando diversas posições hierárquicas nas empresas, trabalhando em seus consultórios, ou em consultorias, com idades próximas, mas em etapas diferentes nas suas carreiras. Uns muitos felizes, outros nem tanto.
Estar na casa dos “30 e poucos” é algo socialmente representativo. É aquele momento em que a jovialidade e a maturidade se misturam, e juntas, fazem com que você se torne mais crítico e seletivo. Ao mesmo tempo trazem novos insights com relação à vida e carreira. É nesse ponto que as perguntas sobre espaço-tempo de si mesmo no mundo começam a aparecer.
Por que “30 e poucos”?
Na verdade, a escolha dos “30 e poucos” para titular este texto é bastante empírica. Alguns autores colocam que as inquietações sobre a vida aparecem aos 35 anos, outros dizem que é aos 40. Mas para esse texto não importa em qual “30 e poucos” você está, pois, entendo que muitas vezes é uma questão mais simbólica do que física ou cronológica. Pode ser um jovem de 18, até um jovem de 60 ou mais.
O ponto é que quando você chegar nos 30 anos, muito provavelmente já terá construído uma carreira, tenha sido ela a dos seus sonhos ou não. Mas especialmente para você, psicólogo ou psicóloga, que trabalha diretamente nas organizações, algumas inquietações e reflexões podem ou poderão surgir. Talvez você se pergunte: “O que eu poderia ter feito para conseguir ajudar mais as pessoas nas empresas em que trabalhei até aqui?” ou “O que eu fiz da minha carreira até aqui?”. Na verdade, em ambos os casos, muito provavelmente você fez o que era possível, e isso é bom!
As organizações...
Trabalhar numa organização requer sim abrir mão daquela Psicologia mais romântica e acolhedora, e dar espaço para uma Psicologia mais objetiva e empreendedora. O empreender aqui está com o sentido de investimento em si mesmo para crescer na carreira: aprender um novo idioma, fazer uma pós-graduação no tempo certo, fazer cursos, networking, etc. Mas onde esteve a Psicologia este tempo todo?
Bem, ela estava em você! Na maneira como você construiu suas relações, como você planejou sua carreira, influenciando suas decisões, guiando seus caminhos, pautando as suas reflexões. Nós psicólogos sabemos que a autoanálise tem suas limitações, é preciso que outro espelhe alguns dos nossos comportamentos para que tenhamos consciência deles, entretanto, isso não invalida o uso do conhecimento da psicologia para si mesmo, para se autoanalisar.
Tive um colega na época da faculdade que fez estágio em RH. Durou uma semana. Ele disse: “Isto não é para mim”! Segue como terapeuta até hoje. Já uma outra amiga, desde o primeiro dia do seu estágio, tinha uma postura executiva: “Adoro o ambiente organizacional”. Construiu e segue construindo uma carreira de destaque nas organizações. E aí eu te pergunto: um é menos psicólogo que outro?
Não.
A construção de uma carreira deve ser pautada na sua moeda de sucesso e não naquilo que te contaram que é. Conheço algumas pessoas que por necessidade financeira ou outra razão qualquer, tiveram de ir para o mundo das organizações. Por estarem contrariadas vivem reclamando de algo, de alguém.
Consequentemente construíram uma carreira mediana e com uma bela dose de frustração. De repente, após 10 anos nas organizações, lá na casa dos “30 e poucos”, quando pelo menos as questões financeiras se aquietaram, resolvem atender clinicamente: “Ah, quero ver se consigo ir migrando aos poucos para a clínica”.
E aí, caros leitores, lhes pergunto: essa pessoa foi psicóloga de si na construção de sua carreira? Não precisa nem ser formado em psicologia para saber que reclamações não constroem pontes; ação, energia, movimento, sim! Será que esta pessoa que durante 10 anos negligenciou a si mesma, não atendeu a primeira pessoa que deveria atender, conseguirá tão facilmente fazer este movimento de sair das organizações e ir para a clínica?
Não tenho nenhum dom profético, tampouco desejo que a frustração acompanhe a vida profissional dos colegas, mas uma coisa posso dizer sobre este caso: esta pessoa foi menos psicóloga do que os outros dois casos citados acima.
Movimentos de carreira são importantes e devem ser feitos. Na maturidade dos 30 e poucos é possível ter mais sensatez e saber o que deu certo até aqui e o que não deu mais - novamente é minha visão empírica e não científica. Agora, se tudo deu errado até então, por que do dia para a noite tudo dará certo?
Saúde Emocional – ela de novo?
Atualmente o acesso a informações sobre como se comportar para ter sucesso e evoluir na carreira é muito fácil. São reportagens de TV, colunas de jornais, revistas especializadas, chamadas nos rádios, muita coisa na Web, etc. Não significa que elas sejam de fácil aplicação. Menos ainda significam que essas informações ensejem conhecimentos sobre como ter a saúde emocional equilibrada.
Pare e faça um exercício, se pergunte quantas pessoas você conhece ou conheceu que teve algum desses sintomas:
- Estresse
- Ansiedade
- Falta de energia para fazer as coisas (fora do trabalho)
- Dificuldade para dormir
- Alteração abrupta de humor
- Infelicidade
- Depressão
- Visão negativa da vida
Imagino que uma ou duas pessoas podem aparecer em seu repertório.
Construir uma carreira é viver a jornada e não somente para o objetivo. Se hoje você trabalha numa organização, mas não foi por opção, foi por necessidade, não faça disso um lamaçal. As organizações são terrenos férteis, um verdadeiro laboratório para aprender sobre pessoas e para conhecer sobre si mesmo em meio a essas pessoas. O que você aprendeu com elas e foi bom? O que você aprendeu com elas e foi ruim? Que tipos de comportamentos elas fizeram você conhecer em si mesmo? E quantas perguntas mais quiser fazer.
E para finalizar, tenho três dicas, uma para cada público específico:
- Para você que tem uma carreira de sucesso numa organização, mas deseja mudar porque suas prioridades de vida são outras: continue a remar, o impulso dos seus conhecimentos adquiridos nas organizações fará sua nova carreira prosperar. Não é porque você quer mudar, que você tem que jogar tudo para o alto. Faça do seu repertório de conhecimentos pilares sólidos para sua nova carreira, seja ela qual for, numa consultoria, numa clínica, etc.
- Para você que tem uma carreira numa organização, mas não evoluiu muito se comparada com outras pessoas da mesma idade, abomina tudo isso, portanto, deseja mudar: reflita! Será que sua carreira não evolui até agora porque tudo que aconteceu foi ruim ou porque você impôs desafios a você mesmo(a)? Será que você também não criará desafios inexistentes ao seguir para outra carreira? E claro, já considerou fazer ou retomar sua terapia? =D
- Para você que está numa organização, está feliz da vida e só quer crescer mais: excelente! Continue a construir novos projetos, continue a ajudar as pessoas aí dentro. Elas precisam de você aí também, não é só na clínica. Empreender é fazer as coisas acontecerem de maneira ordenada para que gere os frutos que você gostaria de colher, e fazer isso dentro de uma empresa, como empregado, também é nobre, siga em frente!
À todos: a medida do sucesso não é só o posto que você ocupa ou a sua remuneração anual. É preciso que haja um equilíbrio entre a preservação da sua saúde emocional com as necessidades do seu trabalho e suas ambições de carreira. Mas você, já na maturidade dos seus 30 e poucos anos, se começar a mudar seus hábitos a partir de agora, pode ser que daqui a 10 anos tenha uma vida diferente.
Esse artigo expressa minha opinião pessoal, baseada em meus estudos, experiência profissional, atendimentos clínicos, conversas com pessoas próximas, e claro, nos meus 30 e poucos anos.
Autores: Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.
