Psicólogo do Futuro

Escrito por Academia do Psicólogo | Oct 11, 2016 1:45:00 AM

O que você fará daqui 20 anos?

É muito?

Então tá... 5 anos...?

Aliás, o que você fará logo após o café da manhã, almoço, jantar?

Brincadeiras à parte, projetar o futuro nem sempre é algo tão fácil. É claro, existem os sonhos e as fantasias, aquilo que é pensado independentemente de você dominar uma metodologia, ferramenta, língua, e que pode ser “concretizado” na sua mente.

Pode acreditar: sonhar e fantasiar é uma condição muito importante para o desenvolvimento humano.

Agora, trazendo para realidade, o que você fará no futuro será parte integrante daquilo que você fez ou faz agora. Falo de suas experiências de vida, como a faculdade de psicologia, por exemplo. Por algum motivo você decidiu estudar esta ciência.

Bom, se você deseja seguir carreira nas organizações, é importante compreender o que está acontecendo no mundo e como as pessoas e o mercado estão se transformando.

Conforme afirma Harry Kay apud Ardila, “A psicologia a médio prazo (no ano 2000), se caracterizará (...) pela necessidade de adaptar o ser humano às mudanças aceleradas, pelos problemas da educação e da aprendizagem, (...) pela utilização de instrumentos e técnicas inovadoras, entre outras, avanços na informática (...)”

Bom, quero deixar claro três coisas:

1 - O foco aqui não é a psicoterapia, mas, como você é psicólogo (a), amplie este universo para o fato de ocorrem “mudanças aceleradas”. É provável que a psicoterapia como conhecemos, também mude.

2 - Este artigo não é sobre “dar dicas”, e sim, oferecer uma visão macro dos fatos. Caberá a você tecer críticas a respeito dessas informações, buscar mais, compará-las à sua realidade e agir, se assim desejar.

3 – Muitas coisas descritas aqui já estão acontecendo. Na prática, não seria “futuro”! Porém, tendem a transformar as relações e experiências de vida nas próximas décadas.

Vamos lá?

#1 – Marketing digital

Embora a economia brasileira venha sendo um problema nos dias atuais (atuais???), cada vez mais empresas (PJ) e pessoas (PF), destacam-se no mundo online. E muito pela facilidade no acesso à internet devido aos dispositivos móveis.

Isto favorece a criação de conteúdo, comercialização de produtos (e-commerce), interação social, aprendizagem, dentre outros.

Diante de um novo mundo, que vai além do off-line, o marketing digital torna-se uma ação importante para encontrar oportunidades e gerar novos negócios.

Links patrocinados, redes sociais, E-mail marketing, SEO, APPs, plataforma, são nomenclaturas que se você ainda não está familiarizado, está atrasado.

Claro, não é o caso para “bitolar-se” e transformar-se em um workaholic digital. Mas o conhecimento e adaptação (criar e recriar) estão ligados a uma forma muito peculiar de encontrar vitalidade na vida, conectando sua carreira a um propósito maior que, por sua vez, conectará seu propósito às necessidades da empresa.

#2 – Saúde emocional nas empresas

Bom, a saúde não se resume apenas a um lugar específico. Menciono aqui as “empresas”, pois o número de afastamentos por causa de doenças emocionais (mentais) no trabalho têm aumentado significativamente.

Segundo dados do INSS, no Brasil, esta é a terceira maior causa de afastamentos do trabalho – no mundo é a segunda.

O fato é que, cada vez mais, as pessoas buscam integrar as suas vidas e não separá-las como sempre ouvimos por aí: “Você precisa separar a vida profissional da pessoal ”.

Se quer que o aprendizado da equipe ocorra, que as metas sejam atingidas, os indicadores estejam em dia e as pessoas felizes, é preciso criar programas de desenvolvimento que não apenas ofereçam um coffee break gostoso com direito a 2 ou 3 dias de treinamento em uma sala de aula – formato que já ficou bem chato, por sinal!

É preciso olhar para o ser humano e acolhê-lo.

E muitas vezes, “acolher” não significa só ouvir seus problemas e ajudá-lo a desabafar. Acolhimento é uma ação que também considera a possibilidade de oferecer condições para que as pessoas e equipes de trabalho, façam atividades que se relacionam com um propósito maior da vida delas.

E qual é esse propósito?

Bom, aí fica para você descobrir.

O ponto é que mudanças desse porte envolvem a alta liderança e implicam em uma reformulação na cultura da empresa:

  • Paternalista e maternal;
  • Competitiva e cooperativa;
  • Heroína e anti-heroína.

Perceba que deve haver um equilíbrio dentre esses arquétipos. E como o mundo está mudando e as relações humanas estão “clamando” por atenção, talvez seja uma boa encabeçar projetos assim, acolher, entende?

Ah, psicoterapia nas empresas é algo a se pensar. Se as pessoas podem fazer inglês, massagem, ginástica laboral, fisioterapia, porque não cuidar da saúde emocional dessa forma também?

Lembre-se, você é psicólogo e precisa olhar para fenômenos que vão além da administração.

É o que estamos fazendo, Rafael e eu, com a Solução Ativa. Acho que este é um bom exemplo para compartilhar aqui.

#3 – Atendimento e interação online

“Sim, chegamos a isso. Como pode? ”.

Talvez seja essa a expressão de muitos psicólogos que, independentemente da idade, resistem às mudanças.

Não afirmo aqui que esse será o único jeito. Eu mesmo atendo online, mas gosto muito de estar com as pessoas no consultório. No entanto, a dinâmica do mundo mudou. Já existem artigos científicos que analisam os resultados da psicoterapia via Skype. O cenário é bem positivo – Freud esperneando, rs?

Nem sempre a psicoterapia tradicional e sem prazo para término atenderá a necessidade de alguém; o trânsito nas grandes cidades influencia no deslocamento; a sua empresa poderá ter (se já não tem) inúmeras plantas em cidades e países diferentes.

Mas, o que eu quero dizer com tudo isso?

Pode ser que no seu programa de desenvolvimento, a orientação psicológica seja incluída (consulte as resoluções do CFP); se um treinamento precisa acontecer, talvez não seja necessário trazer as pessoas de longe para isso; se a proposta for de um grupo de estudos, por exemplo, você poderá compartilhar ideias esteja você onde estiver.

Enfim, as distâncias estão cada vez mais curtas. Seja você um psicólogo ou psicóloga atendendo dentro de uma empresa ou mediando programas de desenvolvimento, processos de R&S na área de RH, dentre outros, é seu dever compreender o que as pessoas precisam fazer de diferente e melhor, de acordo com seus propósitos, mas também, “casando” com os resultados que a empresa precisa atingir.

#4 – Realidade virtual

Brincar, divertir-se, tratar um trauma, aprender. Essas e outras ações são muito bem exploradas pela realidade virtual.

Sim, e só para você ter dimensão de como a coisa é séria, na Universidade da Califórnia do Sul, um projeto em desenvolvimento utiliza a realidade virtual para ajudar pessoas que sofrem de estresse pós-traumático.

Eles chamam de “A Virtual Reality Exposure Therapy” ou “Terapia de Exposição à Realidade Virtual”.

Por meio do Oculus Rift, cenários de imersão fictícia são criados e expõem pacientes aos seus maiores traumas. A iniciativa já apresenta bons resultados.

E que isso impacta na sua vida?

Bom, o que as pessoas procuram cada vez mais são experiências e não somente a reprodução de conteúdo.

Que tal em uma integração, os novos funcionários serem “transportados” décadas no passado e vivenciarem a fundação da empresa? Ou então, participarem de experiências ligadas à saúde, sustentabilidade e etc.?

Pense nisso!

#5 – Fim do RH (será???)

O guru, consultor de gestão empresarial Ram Charan, publicou em um artigo na Harvard Business Review sua defesa relacionada a extinção do RH das empresas.

Para ele, o tradicional RH “engessa a inovação e emperra os negócios com processos ineficientes”.

É difícil apontar o fim com certeza absoluta, na verdade, gosto mais da palavra “reinvenção”.

É fato que existe hoje em dia uma relação com processos (e não com pessoas) muito grande nesta área. Profissionais ditos “generalistas” são bons tecnicamente, mas não é a técnica que humaniza as relações empresariais e tão pouco, é a única forma para atingir metas regionais e globais dos negócios.

Ran Charan ainda aponta a criação de duas áreas: uma administrativa, responsável pela gestão de salários e benefícios, que responda ao CFO. Já a outra, focada na liderança e em aspectos comportamentais, cuidando do desenvolvimento de gente.  Esta área se reportaria diretamente ao CEO, dada a importância das pessoas nas empresas.

Paro por aqui, do contrário, este artigo ficará muito longo.

Recomendo um livro bem interessante e que, talvez, lhe trará ainda mais dúvidas como incentivo para que você busque as melhores respostas: “A Psicologia no futuro” – Rubén Ardila.

Como eu disse antes, este não é um artigo para respostas prontas. É mais provocativo mesmo, pois estamos diante de muitas mudanças.

E você, o que acha?

A sua área está ficando para trás?

A sua função ainda funciona?

É preciso se reinventar?

É claro, também podemos considerar se, continuar trabalhando em uma empresa, é o que você quer para sua carreira, ou melhor, para sua vida.

Forte abraço!

AUTORES

Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira