Pós-graduação em Psicologia Organizacional: Qual e Quando fazer?

Escrito por Academia do Psicólogo | Jan 23, 2016 4:53:00 PM

Dentro do mundo das organizações (talvez não só nele) uma questão que deixa muitos estudantes de cabelo em pé é:

Qual pós-graduação fazer e quando iniciar uma?

Vale o comentário: este artigo versa fundamentalmente sobre a pós latu-sensu (Especializações, MBA, etc.) e não stricto-sensu (Mestrado, Doutorado).

Inseridos neste mundo, já ouvimos muitos argumentos dos estudantes de Psicologia, quase formados ou recém-formados, defendendo uma pós-graduação imediata à formação.

Eles afirmavam: “Vou continuar estudando, pois se perder o embalo eu não estudo mais”, “Quero tirar o tempo perdido, já que não aprendi sobre business na faculdade” ou “Acho que quero fazer pós só para melhorar o currículo”.

1 Minuto de Silêncio...

A última afirmação é uma péssima frase, que mostra um objetivo duvidoso.

Afinal, se você ‘acha’ que quer fazer, é por que existe dúvida de qual caminho seguir e como fazer para percorrê-lo.

A pós-graduação pode melhorar o currículo, mas isso é uma consequência e não o objetivo principal. Por isso, a escolha de uma pós-graduação deve ser algo maduro, realizada com planejamento e focada na carreira.

É importante destacar que antes de investir o seu tempo e dinheiro em um novo aprimoramento intelectual e profissional, é fundamental buscar a vivência prática para construir seu repertório profissional.

Vamos partir da premissa que se você está lendo este artigo, provavelmente se encaixa em um destes 5 perfis:

  1. Estudante de Psicologia realizando estágio em uma organização, já pensando no próximo passo de sua vida acadêmica.
  2. Profissional recém-formado e que provavelmente atua na área ou tem experiência, mas quer avançar seus estudos na área.
  3. Profissional com algum tempo de experiência, que quer revisitar e atualizar sua formação acadêmica e agregar conteúdo a sua prática profissional
  4. Jovem empreendedor que deseja “mudar o mundo” por meio do seu business, ao juntar a prática com novos conceitos.
  5. Curioso (a) – estudante ou profissional.

As dicas deste artigo se direcionam especificamente aos perfis 1 e 2, mas os demais podem se beneficiar também. Aí vão elas:

Dica 1 - Não Faça uma Pós-graduação Imediatamente após a Graduação.

O mundo corporativo é altamente dinâmico, especialmente em empresas multinacionais, e o aprendizado vem a galope nas suas interações e relacionamentos do dia a dia.

Se deixe levar por essa onda e “sugue” tudo o que puder dos profissionais experientes que o rodeia.

A sua pós poderá ser muito melhor aproveitada se você levar consigo uma boa bagagem profissional, experiências para compartilhar com seus colegas de cursos e professores.

Acredite: a troca e interação na pós é muito mais rica que na graduação, pois são profissionais de formação diversas e professores com experiência de mercado. Para ser bem específico, aguarde pelo menos 3 anos para iniciar sua pós.

A título de curiosidade, a tradicional pós-graduação em administração da FGV-SP (CEAG) passou a exigir pelo menos 03 anos de formado aos candidatos, para manter um corpo discente mais crítico. Sabemos que esse tempo pode soar como uma eternidade nesse mundo de velocidade em que vivemos, mas existem maneiras excelentes de preencher este período:

  1. Aprenda inglês – de verdade, não aquele inglês “bicausi ai nidi, né”.
  2. Se já fala inglês, estude espanhol – idioma do seu continente.
  3. Se já fala inglês e espanhol, estude um terceiro idioma de sua preferência. A linguagem abre fronteiras e estimula novas formas de pensar.
  4. Faça um intercâmbio! Estude fora, conheça culturas, pessoas e realidades novas e até mesmo, trabalhe no exterior durante o período em que viver por lá. Alguns programas conectam a sua realidade profissional e formação, com atividades profissionais do país em que estiver.
  5. Busque cursos livres, em artes cênicas, negócios, música, qualquer um que lhe satisfaça, estimule o pensamento e facilite a aproximação com aquilo que você almeja para sua carreira. E por que não dizer, que favoreça a descoberta daquilo que você ainda não sabe. Aprendizado é sempre bem-vindo!

Dica 2 - Escolha uma Pós que se Conecte com seu Futuro e Interesses Profissionais.

A escolha de uma pós-graduação é totalmente diferente da escolha de uma graduação. Você deve escolher algo que seja uma extensão profissional combinada com o futuro que você quer. Sendo bem claros, você deve curtir seu curso e não o escolher só pelo fardo de ter que estudar e depois reclamar para seus amigos como aquele TCC é puxado. É preciso se divertir estudando e ter uma percepção clara de que aquele curso efetivamente agrega valor em sua carreira. Uma pós-graduação bem planejada e escolhida propicia:

  • Criação de networking com ótimos profissionais – alunos e professores.
  • Conhecimento de temas inéditos ou poucos discutidos aqui no Brasil.
  • Aprendizagem significativa, ou seja, aquela que se conecta diretamente com sua realidade profissional - o professor está falando lá na frente e de repente, “serendipity”, tudo faz sentido e no dia seguinte você tem uma ideia bacana para implementar na empresa ou fora dela, construindo a sua própria.

Já a pós-graduação escolhida só para melhorar o currículo, vai te causar:

  • Preguiça de estudar.
  • Reclamação constante.
  • Abandono do curso e perda de dinheiro.
  • Esquecimento, pois você vai adicionar uma linha nova no seu CV, mas passado “1º. dia” do termino do curso, você terá esquecido tudo que estudou e terá a sensação de ter jogado o seu tempo e dinheiro no lixo.

Talvez estejamos sendo um pouco radicais, mas novamente, tudo isto é baseado nos nossos mais de 20 anos somados de experiência no mundo corporativo e é claro, estudando.

Dica 3 - Escolha o Melhor Formato para Aprender

Educação formal e informal, online ou off-line, na sala de aula ou fora dela? Fomos e ainda somos educados assim.

Veja bem: “educados”. O fato é que você precisa ser estimulado e pensar e a executar, sendo crítico em sua vida e profissão.

Um bom começo é questionar se o modelo tradicional de ensino é suficiente para facilitar o seu aprendizado, da forma como quer, em um mundo que muda velozmente. Não há problema algum em sentar-se por 4 horas em uma sala de aula e por ali obter trocas riquíssimas com colegas de classe e professores.

No entanto, a infraestrutura da instituição deve lhe oferecer formas de aprender mais envolventes, e não somente usar o professor como palestrante, uma ou duas vezes por semana. Algumas instituições começam a utilizar o adaptive learning ou aprendizagem adaptativa.

É um formato de aprendizagem que usa a tecnologia como principal meio para proporcionar uma experiência de aprendizado significativa às pessoas.

É baseada no aprendizado social ou social learning e pode ocorrer de maneira formal (escola, cursos, universidades) e informal (blogs, redes sociais, vídeos, podcasting, livros, wikis, plataformas de aprendizagem).

 A Academia do Psicólogo e o nosso trabalho na Solução Ativa, é um resultado disso.

Contudo, é necessário que você encontre o meio de aprender que mais se adapte ao seu estilo. Se por ventura a pós ainda não for uma realidade para você, como dito acima, preencha essa lacuna com algo proveitoso para sua vida.

Explore, inteligentemente, as redes sociais. Elas podem lhe trazer excelentes conteúdos.

Dica 4 - Estude Sobre “Negócios” e não RH ou Psicologia Organizacional

Esse trecho pode soar polêmico, mas vamos aos argumentos: você é estudante ou psicólogo, compreende muito o comportamento humano, teve ainda que, discretamente, algo de Recursos Humanos na sua faculdade, provavelmente tem experiência na área... por que estudar mais do mesmo?

Entendemos que a pós em RH cabe para profissionais que querem fazer uma transição de carreira e conhecer mais da área e a pós em Psicologia Organizacional, a priori, se direciona à profissionais não-psicólogos.

No seu caso, busque estudar negócios, entender de finanças, supply chain, marketing, etc.

Ter um conhecimento mais dinâmico do mundo corporativo abrirá sua visão e conexão desse sistema complexo com suas atividades na área de Recursos Humanos, caso você trabalhe na área de RH.

Se você é este profissional, compreenda que seu ambiente de trabalho não se trata da Folha de Pagamento e afins (sem qualquer desmerecimento aos valiosos profissionais desta área).

A Revista Você RH, mesmo não sendo científica, evidencia que o RH é uma área cada vez mais estratégica, que conecta pessoas aos negócios e vice-versa.

Portanto, você como psicólogo, precisa aprender sobre negócios para saber como conectar o comportamento humano à realidade empresarial. Afinal, uma “engrenagem” não gira sem a outra.

Dica 5 - Procure uma Instituição de Ponta

Ainda que muitos digam que essa mesma dica vale para a graduação, são contextos diferentes, especialmente para a Psicologia.

Na graduação temos que “estudar onde dá”.

Se conseguir passar numa excelente faculdade, perfeito, mas se as condições não permitirem e você estudar numa faculdade média, sua carreira não está perdida.

Nós, Rafael e Rodrigo, estudamos na Universidade Ibirapuera - UNIB, uma faculdade mediana, e nem por isso nossa carreira foi prejudicada, tendo empresas como Carrefour, Senac, AfferoLab, Bosch, General Motors e PepsiCo em nossos CVs.

Já a pós, voltando ao início do artigo, deve ser uma decisão consciente, pensada, planejada.

Se você ainda não tem o capital necessário para investir em uma instituição de ponta, espere e se planeje. É significativo esperar um pouco mais para estudar do que sair correndo e ir aonde o dinheiro pode pagar isto pode ser o investimento mais pesaroso de sua vida.

Além do mais, voltando aos benefícios citados acima de “networking”, etc., é provável que eles tenham maior força nas instituições de ponta do que nas medianas – muitos executivos de RH são professores em pós-graduação e faculdades de ponta.

É importante enfatizar que uma pós realizada em uma instituição mediana não tornará sua carreira perdida, pois elas abrigam excelentes professores trazidos de universidades estaduais, federais ou mesmo privadas.

Mas somente a expertise desses profissionais não faz milagres.

A partir do momento em que um professor desconsidera a proposta de aprendizagem da instituição e usa, exclusivamente o seu próprio “plano de aula” em função de um conteúdo desatualizado e que em nada tem a ver com a realidade do público, então há um problema.

Lembre-se que o seu nível crítico lhe ajudará a receber uma formação de qualidade, escolhendo o lugar certo para estar e/ou recomendar melhorias, seja porque o conteúdo é pouco desafiador ou até mesmo porque a infraestrutura ainda não lhe oferece muito.

Além disso, consultar a classificação da instituição pretendida no ENADE, além de conversar com pessoas que já a frequentaram, pode lhe ajudar a decidir.

Palavras Finais.

Vale a pena um esclarecimento: apesar de isso já ser antigo, muita gente ainda confunde o palavrório, achando que MBA é diferente de pós-graduação, que é diferente de Especialização.

Não é! Aqui no Brasil existem basicamente duas categorias de pós-graduação: lato-sensu e stricto-sensu.

Na categoria latu-sensu entram as Especializações e os MBAs (nome importado dos EUA para supostamente valorizar a formação).

Então aquilo de, “mas eu fiz MBA e não Especialização”, na verdade dá na mesma, ambas têm o mesmo valor acadêmico.

Vale citar que a sigla MBA ficou tão popularizada que algumas instituições começaram a tirá-la para “despopularizar” seus cursos.

Na categoria stricto-sensu, temos os Mestrados Acadêmicos, Profissionais e Doutorados. Essa formação já é caracterizada como científica e é um bom caminho a ser escolhido, porém desafiador aqui no Brasil.

Se seu interesse é fundamentalmente uma carreira científica, os caminhos a serem traçados não são os versados neste artigo, pois é um projeto de longo prazo e conectado com outro objeto de estudo – que por sinal, valorizamos e incentivamos!

Autores:Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.