Pilares da Preparação Psicológica do Atleta

Escrito por Eduardo Souza | Jul 1, 2016 12:45:00 AM

Neste vídeo falamos de energia de ativação, do diferencial do psicólogo ao olhar de forma individualizada para o atleta, da técnica da mentalização e de como a preparação de um atleta de alto rendimento precisa de um alinhamento de diversas áreas do saber científico. Aquela equipe que optar por aprimorar suas habilidades através da ciência certamente obterá excelentes resultados.

Compreenda qual é o papel da psicologia esportiva dentro de uma equipe e como ela contribui para os outros conhecimentos. 

https://player.vimeo.com/video/172670171

Transcrição

Quando nós falamos na preparação de um atleta de alto rendimento, temos quatro pilares fundamentais para que ele tenha um bom desenvolvimento nos treinos ou no jogo. E determinam então se ele vai ter um bom desempenho ou um mau desempenho. São as questões técnicas, táticas, físicas e psicológicas.

Claro que eu vou me atentar aos motivos que levam à preparação psicológica e de que formas eu posso fazer isso. Esse vídeo é o primeiro de uma série que eu vou colocar para vocês sobre treinamentos psicológicos. Então, para que a gente tenha um alinhamento da importância de todos esses fatores, eu vou falar deles individualmente.

O primeiro que eu quero falar para vocês é a questão física. Se você perceber atletas que tinham desenvolvimento há 50 anos atrás e os atletas de hoje, é nítida a diferença física que você vai encontrar neles. Por quê? A evolução da ciência interfere nesses quatro fatores, nesses quatro pilares.

Se você tem métodos utilizados na física, na educação física aliás, que mostram que você vai ter uma superação através do físico, então, novas tecnologias associadas ao preparo físico ou novas descobertas científicas através do que você já teve no passado, você leva a conclusão de que este atleta poderá se desenvolver mais com o uso de uma tecnologia diferenciada. Então, por exemplo, quando os preparadores físicos pensam em uma partida excluída a individualidade, ele nunca vai pensar em uma carga que seja menor do que o jogo disputado. Então, se algum tenista, por exemplo, tem um jogo pela frente que pode durar até quatro horas, então o treinamento dele será de oito.

Mas essas oito horas terão de ser muito bem estruturadas, senão você pode lesionar este atleta. Então, como eu posso fazer com que este atleta aguente a carga pesada do jogo sem que ele se prejudique fisicamente? Esse é um grande desafio. Quando você vê, por exemplo, filmes do rock, em que você tem a associação do rock, faz o treinamento físico da maneira dele, e o adversário faz o russo, se você lembrar bem, ele faz um treinamento através daquelas máquinas.

Então, é uma junção perfeita do que não pode ser feito quando você tem uma intenção de homem-máquina. O homem-máquina não vai aguentar os fatores associados à atividade física. O segundo fator, que é decorrente também da atividade física do atleta, são os fatores técnicos.

Ou seja, eu vou dar um exemplo muito clássico que eu gostava muito quando eu via aqueles lançamentos da seleção da Copa de 70, muito técnicos, do Gerson, se não me engano, que ele jogava a bola, o Tostão também, ele pegava a bola de um lado e jogava para o outro, e a bola fazia uma viagem enorme até chegar o outro jogador no pé, diga-se de passagem, no pé do jogador. Então, aquele estilo de jogo tinha uma técnica colocada nele. Hoje, os jogadores, por terem um treinamento físico, também têm essa capacidade.

Porém, eles não priorizam esse tipo de técnica. Por exemplo, eles utilizam o toque rápido, porque com o físico mais elaborado, a tendência é que a marcação chegue mais próxima daquele jogador que receberia anteriormente um lançamento de muitos metros. Então, a técnica vem sendo aprimorada, e o uso da criatividade na técnica precisa ser inovado, porque o esporte vai mostrando sempre as novidades no mundo.
O que acontece também com a questão tática, o pilar tático, porque se você vê o adversário com um certo tipo de tática de jogo, a tendência é você aprimorar aquele jogo. É muito legal de ver, de acompanhar a NFL, porque você tem muitos jogadores, mais de 40, e você tem táticas muito bem definidas. É muito legal ver como elas se alternam durante a partida.

E a questão psicológica, que eu nem preciso dizer pra vocês o quanto é importante, o quanto complementa esses pilares. Vamos supor que você tenha um técnico que conhece sobre técnica, tática, e a questão física dos jogadores. Se você, de repente, vê que um jogador não está rendendo o esperado, a psicologia do esporte pode compreender aquele movimento de rendimento esportivo como uma mudança de humor, por exemplo, um transtorno de humor.

Vocês lembram quando eu falei que a psicologia, naquele vídeo sobre alimentação e a psicologia, inserido no esporte. A psicologia, então, do esporte, tem esse diferencial junto com os treinadores e com os jogadores. Ele identifica questões psicológicas que interfiram no rendimento.

É por isso que é tão importante o uso de treinamento esportivo psicológico. Por exemplo, um jogador que não consiga compreender a tática, você pode iniciar um treinamento junto com ele de estimulação à concentração, por exemplo. Existem diversos tipos de treinamentos voltados a situações específicas no esporte, mas essa comunicação com o treinador e com a equipe vai demonstrar em que direção você pode seguir para que ajude aquele tipo de situação problemática.

Então, aqui, infelizmente, na América do Sul, não tem tanto campo de pesquisa. Essa é uma das possibilidades que você tem ao se inserir dentro da psicologia esportiva. Não há dados tão concretos quanto fora do país.

Então, essa é uma oportunidade para que seja feito um trabalho juntamente com uma pesquisa que contribua de forma científica com os resultados. Um breve exemplo é a energia de ativação do atleta, que ela precisa ser vista e aprimorada. Quando você tem um atleta que a ansiedade dele é tão grande que ele demora a entrar em campo, o psicólogo do esporte pode fazer uma intervenção junto a este atleta, e uma intervenção individualizada.

Esse é o nosso diferencial, você olhar para aquele atleta de forma individualizada e não diminuir a questão emocional que ele está passando. Outro exemplo, ainda dentro da energia de ativação, é quando o atleta começa com a sua energia de ativação lá no alto e decai de uma maneira muito forte. Então, a intervenção psicológica se dá nos momentos em que este atleta poderá ter um desenvolvimento melhor na partida.

Quero um exemplo de intervenção técnica da mentalização, que visa antecipar esses momentos esportivos e amenizar os efeitos corporais e de pensamento que aquele atleta vai desenvolver durante a partida. Eu posso visualizar antes uma batida de pênalti com a torcida adversária pegando no meu pé. Este é um exemplo de que a psicologia esportiva pode fazer.

Como prometido, nos próximos vídeos eu vou desenvolver os principais treinamentos psicológicos para que você consiga aplicar com os atletas que você evidenciou. Até a próxima e deixe seu comentário abaixo.