Outras Carreiras Corporativas para Psicólogos
Uma das dúvidas enquanto eu estava na faculdade era em que área eu iria trabalhar depois de formado: hospitalar, clínica, educacional, empresas, acadêmica, esporte? Qual linha seguiria? Como se eu precisasse ser iniciado em alguma seita. Atenderia crianças, adultos, adolescentes? Me tornaria um consultor, “grande conhecedor” do comportamento humano? – Nossa, era uma confusão mental e emocional!
O fato é que nada fazia disso sentido para mim.
Como eu poderia decidir por algo que a experiência – mínima que fosse – eu não tinha. Eu ainda não havia experimentado, não havia crítica entre ser isso ou aquilo, ou melhor, meu autoconhecimento era ZERO quanto à identificação de um sentido e propósito da minha formação no mundo.
Talvez você, estudante ou profissional, viva isso.
Este dilema sobre o que, quando e como ser e fazer; o tempo correndo contra e não a favor; e principalmente, a dúvida se ainda é ou não psicólogo. Afinal, de que vale investir 5 anos de estudo se não é possível clinicar?
Ah, pára! Vale muito sim!
Pluralidade de Psicólogos
Gente, vamos acordar! – Sim, o tom é de provocação mesmo e é para ser ácido.
Nossa profissão não carece de 100% de psicólogos fazendo uma coisa só, em um único lugar. Aliás, nenhuma profissão ou pessoa. A globalização, tecnologia, multiculturalismo nos permite conviver e compreender situações diversas. Da conversa por Skype com algum chinês na China, a trabalhar com um indiano no bairro do Brás (São Paulo). Falar outro idioma, estudar física quântica pelo Khan Academy, ou mesmo se conectar com tantos outros psicólogos por meio desta plataforma online, que é a Academia.
Desta maneira, vocês, psicobrothers, pois assim também os considero, percebam que há uma mudança no comportamento social que estabelece formas diferentes de agir se comparadas há uma ou duas décadas – não precisamos voltar muito no tempo.
A facilidade no acesso à informação, por exemplo, permite que muitas pessoas aprendam sem necessariamente consumir o conteúdo dentro de uma escola – novas demandas são geradas.
Mas o que eu quero dizer com tudo isso?
Segundo informações do Ibmec, o mercado pede por profissionais multidisciplinares. Tudo bem ser informado, ter uma sólida formação acadêmica, pós e tudo mais. Mas este profissional também precisa se adaptar a novos ambientes. Significa que não basta apenas a especialização na função visto que, o comportamento e não somente a técnica em lidar com essa multidisciplinaridade toda, é necessário.
“Candidatos com maior capacidade de resolver problemas, de se relacionar bem e de trabalhar em equipe em prol de resultados positivos são os mais requisitados, revelam as pesquisas. ” – Ibmec.
Em um mundo multicultural e que pede multidisciplinaridade na função, você, psicólogo das organizações, não fica de fora. Precisa expandir suas habilidades para outras áreas de atuação e receber delas conhecimento (claro, se for de seu interesse).
Afinal, o aprendizado vem da troca de experiências e da prática delas, não?
Conheça outras carreiras corporativas para psicólogos
- Comercial/Vendas
Um profissional nessa área tem habilidade de negociação potencialidade nos seus afazeres diários. Além disso, a boa oratória, raciocínio lógico e rápido são importantes. Quando a situação se aplica a um gestor, por exemplo, a gestão de equipes de vendas, desenvolver novos negócios, acompanhar relatórios financeiros e reportá-los, relacionamento com clientes, mapear e expandir mercados, contratar, desenvolver gente (ufa!!!) são ações estratégicas que não podem faltar em seu repertório.
Destaco aqui uma habilidade importante: empatia.
Psicólogos desenvolvem isso, uma premissa básica na compreensão das pessoas. Como negociar, gerir conflitos, atender às expectativas de clientes se a compreensão emocional do outro é substituída pela visão de negócios, somente?
Isso porque eu nem mencionei o desenvolvimento de gente.
Claro, qualquer profissional pode fazer isso, mas novamente, é um olhar de business apenas, ou tem algo mais? O objetivo é só atingir os resultados ou ter satisfação nisso, aproveitar a jornada enquanto chega lá?
Psicólogo na área comercial/vendas, sim, é possível.
- Consultoria
Para atuar como consultor, uma das habilidades mais importantes é a aptidão para compreender necessidades dos clientes, fazer diagnósticos que indiquem problemas e propor soluções que agreguem valor para os negócios e, consequentemente, que promova mudanças na empresa – comportamentais ou processos – seja qual for o segmento de mercado.
Talvez você tenha saltado da cadeira, levado a fazer isso pela alegria ao ler a palavra “diagnóstico”, tão familiar em nosso universo.
Fique feliz, pois é uma das habilidades mais importantes nessa função. A sua escuta clínica e para turma da Psicanálise, sua “atenção flutuante”, poderão se conectar as demandas apresentadas pelo cliente.
Muitas vezes as respostas estão à frente dele, mas o envolvimento afetivo é tanto que faz parecer algo inalcançável. Escutar, observar, conectar fatos e não somente “achar”, compreender de negócios e aprendizagem e não só de comportamento e saúde, são habilidades imprescindíveis.
Psicólogo na área de consultoria, sim, é possível.
- Projetos
Uma das funções mais complexas que conheço, porém, não menos prazerosa do que qualquer outra. Exige um perfil analítico, mas sem perder o foco na execução. Afinal, os projetos precisam “entrar e sair da esteira”.
Esta pessoa é responsável pelo planejamento, execução e acompanhamento de um projeto (treinamento, implantação de sistema, mudanças de processos, estruturas).
Seja assistente, analista, especialista ou gerente, este profissional faz uso de uma metodologia na realização do seu trabalho. É responsável por conectar e alinhar carteiras de projetos – sim, são vários.
O gerente de projetos tem sua função usualmente descrita, por sua técnica precisa, e por suas habilidades para estimular equipes, facilitar a comunicação entre áreas. É importante dizer, também, que um projeto pode ser realizado por diversas áreas, simultaneamente.
Além disso, precisa estar confortável com a falta de rotina. O profissional precisa ser multidisciplinar. Prazo e qualidade são palavras imperativas no contexto.
Imagine você nessa função. Consegue?
Pois é, como dito, é bem complexa. Uma das situações que mais se destacam são os conflitos – claro, muitas coisas estão mudando!
Um sinônimo para projeto é a palavra “proposta”. E uma proposta implica na intenção de fazer algo, mudar, apresentar novidades. O novo causa certo desconforto, exige adaptação, aprendizado, estabelece uma nova relação com a cultura, quando não uma nova cultura – ai, ai, ai!!!
Entender de gente é importante e o profissional da área de projetos precisa fazer a gestão do capital intelectual em momentos de mudança X o desenvolvimento dos negócios.
Se você é psicólogo e trabalha nesta área ou pensa em trabalhar, agregue valor com o seu conhecimento sobre o comportamento humano, mas estude projetos também. A Fundação Vanzolini é benchmarking nessa área. Psicólogo na área de projetos, sim, é possível.
- Marketing
Não, você não será um marqueteiro. Quer dizer, nos dias atuais o marketing digital se faz presente até mesmo para nós. Mas não quero me aprofundar neste perfil (profissional de marketing), pois uma das grandes contribuições da psicologia para essa área está na compreensão dos hábitos de consumo das pessoas, a influência cultural no comportamento de compra.
Isso estabelece uma inteligência de mercado, importante antes do lançamento de um produto para que este chegue ao consumidor e seja aceito. Por exemplo, muitos produtos são feitos para crianças, mas quem compram são os pais. Logo, é para eles que a comunicação precisa ser destinada também.
Outro ponto é que uma pessoa pode se identificar com uma marca, pois esta se conecta de alguma forma com seus sentimentos e emoções, com seus conteúdos inconscientes.
O marketing influenciará o comportamento humano, já a psicologia compreenderá o ser humano nesta relação entre estímulo e consumo, desejo e necessidade, emoções e sentimentos.
Psicólogo na área de marketing, sim, é possível.
- Clínica
Sim, é isso mesmo! Compreenda que você é um empreendedor mesmo que tenha apenas 1 paciente. Sua sala, alugada por período, é a sua empresa, é a sua organização.
Reflita sobre isso!
Falar sobre “o psicólogo nas organizações" é falar, inclusive, da clínica. As organizações estão em nosso dia a dia, fuja você ou não dela. O que muda é o formato de trabalho, ainda assim, você estará gerindo um negócio em menor ou maior escala.
E se você até aqui continua acreditando que nos dias atuais basta apenas se fechar para uma teoria da psicologia, talvez você não tenha prestado atenção no que eu falei acima, sobre multiculturalismo e profissionais multidisciplinares.
Não tem problema, a mudança de mindset é complicada mesmo.
Respeite seu perfil
Enfim, essas são algumas das muitas áreas possíveis. Repare que tirando a consultoria, as outras podem parecer distantes da visão clássica dos psicólogos nas organizações. Bom, de fato são. Falo de algo novo, não científico, mas empírico. Algo que a vivência nesse meio proporciona e que pouco ou nada é falado nas universidades.
E se a pergunta for: “Existe satisfação profissional”? Eu afirmo: sim.
O perfil clínico não é para todo mundo assim como o corporativo também não é, no entanto, feliz é aquele que consegue pegar o melhor dos dois mundos, ou dos vários, equilibrá-lo dentre suas ações e construir a sua obra. Psicólogo na área clínica... – ah, nem preciso afirmar, né.
Parafraseando o professor Mario Sérgio Cortella: “... compreender que a sua obra é muito mais ampla do que qualquer atividade que realize e que um dos maiores desafios do líder é inspirar, animar as pessoas a se sentirem integradas à obra para a qual nasceram” – Livro Qual é a tua obra?
Você não precisa ser líder para isso, assim como você não precisa deixar de ser psicólogo para atuar nas organizações.
Ah, você deve ter percebido que eu não mencionei a carreira em RH. Bom... precisa?
Grande abraço!
Autores: Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.
