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Áreas de Atuação Psicologia Organizacional

O Mundo das Organizações Está na Minha Casa

Academia do Psicólogo
Academia do Psicólogo

Psicologia Organizacional, home office, tecnologia e o psicólogo no meio disso tudo... ufa! 

Neste vídeo, o Rodrigo Moreira explica que o mundo das organizações pode ser levado para dentro de casa, ou melhor, já está nela. Entenda como fazer parte desse processo, conheça exemplos de atividades a serem realizadas e compreenda que, o mundo corporativo, é maior do que você pensa... mesmo para quem bate no peito e diz: “Sou psicólogo clínico”.

https://player.vimeo.com/video/166943861

Transcrição

Ai, ai... Como é bom ser um psicólogo organizacional dentro de casa. Fala pessoal, Rodrigo Moreira, PsicoBrother, e mais uma vez sejam bem-vindos à Academia do Psicólogo. Quer dizer, então, que trabalhar em casa é assim? Botar os pés pra cima e assistir TV? Até pode ser.

Por exemplo, eu também sou escritor. Antes de botar a mão na massa e escrever, eu faço pesquisas sobre o tema. E uma das formas que eu encontro para pesquisar é assistir a filmes e séries, buscar referências de diálogos, personagens, narrativas e outras coisas mais.

Mas a proposta aqui é outra. O que eu quero falar pra vocês é que é possível trazer a vida corporativa para dentro de casa, o home office. Um estilo de trabalho, eu diria, mais soft, porém não menos importante que executar as suas atividades dentro de uma megacorporação.

E o mais importante de tudo, sendo psicólogo. Bom, para desenvolver esse assunto com vocês, eu dividi o vídeo em quatro partes, quatro momentos. Um é Psicologia Organizacional. Dois, Modelos de Trabalho. Três, Tecnologia. E quatro, o Psicólogo e tudo isso.

Vamos lá? Psicologia Organizacional. Nessa parte, eu não me refiro a ela somente em moldes referentes aos cuidados com as pessoas nas organizações, ou os fenômenos psíquicos, problemas organizacionais ligados à saúde, ao bem-estar do trabalhador, estresse, clima, etc. Eu não me refiro a você, psicólogo, somente como um profissional da saúde ou cientista no trabalho.

Eu estou introduzindo aqui um olhar de negócios, mas sem perder a essência da psique, sem perder esse olhar pro ser humano. E eu falo isso porque, nesse mundo globalizado em que nós vivemos, não é só função do psicólogo o bem-estar e a saúde emocional das pessoas nas empresas. Cabe a qualquer profissional, pedagogo, administrador, advogado, fazer essa gestão de pessoas da área do clima.

Percebam que é algo amplo e estratégico, que diz respeito sim à saúde profissional, e que se propaga nas mais diferentes áreas interessadas no desenvolvimento humano e, consequentemente, no desenvolvimento dos negócios. O que torna o RH clássico, área tão popular entre nós psicólogos, e que hoje não tem só psicólogo, uma área muitas vezes engessada, travando muitos processos de inovação e tornando ações ineficientes, dificultando a comunicação entre clientes internos. Hans Charan, um renomado consultor de negócios, aponta isso e defende inclusive a criação de dois pilares.

Administrativo, o que faz a gestão dos salários, benefícios e fica sob o guarda-chuva da área de finanças. E organização e liderança, responsável pelo desenvolvimento de pessoas, sob o guarda-chuva do presidente, vice-presidente, do head da organização. O objetivo é justamente separar a burocracia do desenvolvimento e, é muito importante dizer que ambas são importantes, mas não devem interferir uma na outra.

Partindo desse princípio, bem-estar, desenvolvimento de gente na carreira, no trabalho, nas organizações, que inclusive é o nosso propósito, meu e do Rafael, na Associação Ativa, uma das alternativas criadas pelas empresas para promover ações como essa é o home office, um modelo de trabalho diferente. Antes tendência, agora prática do dia-a-dia. É um formato mais prazeroso de trabalho.

Os líderes dizem que trabalhar em casa faz com que a produtividade das equipes aumente, o atendimento aos clientes melhore, os gastos com energia e água, ativos físicos sejam reduzidos, além de atrair e reter mais talentos. Mas também existem profissionais que, cansados desses modelos corporativos, do trânsito, da casa para o trabalho e vice-versa, e até mesmo por não acreditarem mais na sua liderança e tantas outras coisas, decidem unir o útil ao agradável, desligam-se da empresa e adotam como modelo de trabalho o home office. Vendem seus serviços como pessoas físicas ou jurídicas e desfrutam do prazer por ter mais qualidade de vida em suas casas.

Aí vocês me perguntam, é possível? Eu respondo, sim, hoje eu trabalho nesse modelo e convivo com pessoas desse mesmo módulo. Sou psicólogo, consultor, escritor, e dentre tantas atividades, minha casa, meu escritório é também um local de acolhimento e prazer. Vou deixar dois links aqui, um é sobre a gerente de recursos humanos da Dell e o outro é um artigo escrito por mim, ambos falando sobre esse tema, o home office.

Enfim, trabalhar em casa tornou-se uma alternativa viável, é tudo aquilo que muitas pessoas querem da vida, afinal, dá pra se manter financeiramente, trabalhando com o conteúdo que domina e longe das pressões corporativas e cobranças por resultados, certo? Tá errado. Tudo isso exige planejamento, maturidade, não confundir horas de lazer com trabalho e não se iludir achando que não terá mais chefe, pois você terá sim. Se o seu escritório, em casa, for uma extensão da empresa que você trabalha, você se reportará a alguém.

Agora, se você for autônomo, empresário, freelancer, o cliente será o seu patrão direto, compreenda isso, pressão sempre haverá e caberá a você administrá-la. Agora, se você está em casa trabalhando e precisa se conectar com as pessoas, a tecnologia vai te ajudar. Se você é empregado de alguma empresa, por exemplo, você terá equipamentos para que o trabalho seja feito remotamente, notebook, celular, tablet, servidor, rede, software, segurança, assistência técnica.

Agora, se você não é funcionário de uma empresa ou abriu a sua, o investimento não precisa ser pesado, claro, dependendo aí da sua proposta de trabalho, mas você precisará, no mínimo, de um smartphone. Enfim, o que chama a atenção é que a distância deixou de ser um problema para que as pessoas se comuniquem, se encontrem, estudem, compartilhem experiências, vendam, comprem produtos e serviços. Só no Brasil passamos 149 minutos no celular comparado aos 113 assistindo TV, e acredito em fazermos isso ao mesmo tempo.

Bom, estamos aí nos comunicando, informando, aprendendo. É claro, atenção a isso, pois a tecnologia também pode ser um mal, e aí é importante dosar as coisas. Um bom exemplo de como a tecnologia é tão bem empregada no trabalho do psicólogo é, o que eu quero demonstrar aqui, é pela Psicolink, uma empresa que fornece orientação psicológica online.

Eu vou deixar aqui o link para que vocês conheçam um pouquinho. Ok, então estou em casa feliz, trabalhando com as emoções equilibradas, recursos tecnológicos e tudo mais, mas como é que eu boto a mão na massa? Como é que eu me torno psicólogo no mundo das organizações? Trabalhando de casa. Bom, se você quer atender à distância, por exemplo, sabe que o Conselho Federal de Psicologia explica isso por meio de uma resolução.

Eu vou deixar o PDF aqui para que vocês possam baixar, mas já adianto que o termo usado não é psicoterapia, mas sim orientação psicológica. Além disso, vídeos, vlogs e blogs se tornaram um meio muito interessante para a produção de conteúdo. E você, psicólogo, com seu smartphone, por exemplo, pode levar informações relevantes a muitas pessoas, falando sobre saúde, sobre motivação, empreendedorismo, carreira, psicologia.

Você pode fazer isso de casa com apenas dois dedos. Outra alternativa é a consultoria e eu pratico. Por exemplo, isso daí não quer dizer que eu não fale só pelo Skype com os meus clientes e parceiros.

Não, eles me conhecem, veem o meu rosto, eu vou até eles. Para desenvolver um trabalho que facilite o aprendizado no mundo das organizações, é preciso que você esteja lá, converse com as pessoas, observe as áreas, faça o diagnóstico. De posse destas informações, o desenvolvimento, por exemplo, da criação de palestras, treinamentos, e-books e learning, reestruturação de uma área, podem ser feitos na sua casa em alguns momentos.

Mas não descartem sempre a presença no seu cliente, um bate-papo presencial. Isso além de fortalecer o vínculo entre vocês, permite que vocês conheçam e compreendam, vivam a realidade, um pouco da cultura desse espaço. Uma realidade, digamos, mais acolhedora é a psicoterapia praticada na sua casa, presencialmente.

Já vi psicólogos que têm um espacinho dedicado em seus lares só para isso. Por que não? Isso é a rotina doméstica, não interferir no trato com seus clientes, pacientes, vice-versa. Tudo bem, vá em frente.

Talvez vocês estejam se perguntando por que eu falei das organizações e nesse final trouxe a clínica junto. Bom, ter uma clínica, alugar uma sala por um período de uma hora e atender de um a cem pacientes, caracteriza o psicólogo como um profissional. E esse espaço, mesmo que seja utilizando uma hora semanal, se é ou não na sua casa, ainda assim é a sua empresa, é a sua organização, é o seu mundo corporativo.

Já pensaram nisso? O tema psicólogo nas organizações se faz presente nas clínicas, nas escolas, nos hospitais, ONGs. Depois falam do modelo de gestão de negócios, objetivos, propostos, de uma missão, mesmo que não esteja desenhada formalmente. E não somente daquela visão poliana de um cara cuidando de gente.

Não, não é isso. As organizações estão presentes, esteja você onde estiver e praticando suas atividades como psicólogo. A execução dessas atividades pode variar, pode ser diferente, mas quando falamos de clientes, pacientes, remuneração, saúde, desenvolvimento, pessoas, gestão, etc., perceba que esses temas transitam também nas empresas e fora dela.

Nas melhores definições conceituais, o ambiente suficientemente bom favorece o seu desenvolvimento, segundo o Winnicott. E aqui eu puxo para o desenvolvimento profissional de carreira. E nesse ambiente desafiador, por vezes hostil, a higiene mental é tão importante para manter o melhor nível de saúde, já dizia Blair.

E além disso, Daniel Pink nos faz lembrar das nossas motivações intrínsecas, o que nos leva a levantar todos os dias da cama para trabalhar. Desconectar aí um legado, deixar um legado para o mundo, criar um propósito de vida, isso nos incentiva a buscar melhores desempenhos. As organizações definitivamente não são cemitérios para os psicólogos.

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