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Esporte Áreas de Atuação

Muhammed Ali, a Verdadeira Identidade do Atleta

Eduardo Souza
Eduardo Souza

Muhammed Ali é uma das figuras mais conhecidas do esporte. Seu jeito descontraído de se colocar até mesmo nas lutas mostra como sua imagem de atleta ultrapassava os limites da época. Este vídeo é uma homenagem a seus feitos como atleta e ser-humano.

Você verá como a sua identidade emana uma necessidade cada vez mais crescente de se orientar os atletas atuais para sua representatividade.

https://player.vimeo.com/video/173104741

Transcrição

Olá para você que me acompanha aqui na Academia do Psicólogo. Eu vou falar hoje sobre uma personalidade no esporte que, com certeza, marcou época. E, por que não, é uma homenagem que eu deixo aqui no canal, falando sobre esportes.

Não tem como eu deixar de falar sobre ele. Mohamed Ali morreu aos 74 anos, decorrente do seu mal de Parkinson. Ele já estava internado há um bom tempo e nos deixou triste com a sua despedida.

Mas a imagem que nós temos desse grande pugimista é a de grande fibra, raça e uma identidade inconfundível. E é sobre esse tema que vamos fazer um comparativo hoje com a identidade de um atleta. Como é que foi a construção da carreira do Mohamed Ali? Ele teve um momento histórico muito atrelado à sua carreira, que foi o momento da política nos Estados Unidos e da União Soviética.

E ele foi o único que aliou o marketing à política naquela época. O único pugilista que teve uma grande representação nesse sentido. E, falando de forma técnica, é difícil você ter outras representações como ele.

Ele realmente era um gênio do esporte. Ele exibiu uma técnica diferenciada dos demais. E, naquela época, também tinha lutadores à altura dele.

Ele sempre mostrou uma integridade nos momentos até mesmo da entrevista. Ele tinha um jeito descontraído, um jeito espontâneo de se colocar e também uma inteligência para saber que as suas declarações tinham um impacto político no país muito grande. Ele era negro e, naquela época, se vivia o movimento do apartheid nos Estados Unidos e, por essa razão, ele se uniu a representações políticas importantes da época, como Martin Luther King, Malcom X e até mesmo Nelson Mandela.

Em 1974, mais ou menos, ele foi até a África realizar uma luta e, vejam só, a maneira com que ele se colocou. Ele se colocou como um africano ali disputando uma luta de boxe contra o George Foreman. Essa luta ficou muito conhecida como a luta do século.

O George Foreman estava sendo representado como um lutador dos Estados Unidos alienado. Por que isso aconteceu? Você deve se recordar que o Mohammed Ali se recusou a entrar na guerra do Vietnã em 1964, se não me engano. Há três anos e meio ele ficou fora dos esportes, ele foi banido do boxe e também foi condenado a cinco anos de prisão, mas ele foi absolvido pela Suprema Corte e ganhou então o seu perdão a partir de um pagamento de dívida de 10 mil dólares, que na época era um grande dinheiro.

Então, nessa época, ele entendia a representação. Tanto que ele falou assim, ele tem uma frase muito célebre. Nenhum Vietcong me chamou de crioulo.

Por que eu vou lutar contra eles? Olha só a representação que ele tinha, a ideia que ele passava para a população norte-americana. Ele foi um grande mensageiro da paz, da igualdade entre as pessoas naquela época. Imagina a efevercência que se tinha através dessa representação.

Era em plena guerra fria e os ânimos estavam acirradíssimos e as questões internas do país urravam naquela época. Por isso que eu trouxe para vocês várias e várias curiosidades sobre Muhammad Ali para você entender a dimensão que ele alcançou. A primeira delas é o seguinte, ele nasceu com o nome de Cassius Clay em Kentucky em 1941.

Em 64, ele conheceu a religião islâmica e converteu seu nome então para Muhammad Ali. Ele disse que Cassius Clay Jr. era um nome passado para ele, que o nome era de um homem novo, Muhammad Ali era o nome de um homem novo. Em 60, ele quase se recusou a ir às Olimpíadas, porque ele tinha medo de avião, imagina.

O que que ele fez então? Ele tinha um jeito bem irreverente, ele usou um paraquedas para ir no avião e depois voltou com a medalha de ouro. Em 64, ele enfrentou Sonny Liston e ele já estava invicto. Ele começou a lutar na década de 50.

Sonny Liston então perdeu a luta e Muhammad Ali conquistou pela primeira vez o título de campeão mundial de boxe. Ele ficou famoso também, gente, por receber uma grande quantia em dinheiro. Ele recebeu 2 milhões e meio na luta contra Joe Frazer, que é uma das mais emblemáticas.

Quando ele perdeu o cinturão, ele ganhou 2 milhões e meio de dólares, isso é muito dinheiro. Ele também ganhou 2 milhões e meio de dólares na luta novamente para conquistar o cinturão contra o mesmo Joe Frazer. E a luta que foi considerada a luta do século foi entre ele e o George Foreman, lá na África, e ele conquistou 5 milhões de dólares pela sua vitória também.

Muito significativo, né? Na sua última luta, foi em 1981, ele perdeu para Trevor Burbick e ele disse o seguinte quando ele perdeu, eu não quero ser mais um desses lutadores que falam gugudadá antes de entrar para o ringue. Então ele tinha um jeito bem engraçado, né? Ele colecionou 61 lutas, 57 incríveis vitórias, 36 incríveis nocautes e quatro derrotas. Me diz um lutador que teve esses números ao longo da sua curta carreira.

Ele parou de lutar aos seus 37 anos, mais ou menos, e o seu adversário ele tinha uma idade muito inferior, né? Foi uma luta de exibição para representar o fim da sua carreira e mesmo assim ele deu um grande prejuízo para o outro lutador. Aos 42 anos ele foi diagnosticado com o mal de Parkinson em 1984 e ele em 96 teve um emblemático momento de acender a tocha olímpica em Atlanta. Foi um momento bastante emocionante, quem acompanha a Olimpíada vai se lembrar.

E olha só o patamar que esse atleta alcançou. Em 1990, ele negociou com Saddam Hussein no Iraque a libertação de 14 presos americanos. Olha só a representação.

Ele foi considerado atleta do século pela Sports Illustrated, famosa revista, e personalidade esportiva do século pela BBC. Ele também recebeu o prêmio de mensageiro da paz pela ONU e ele obtém a medalha presidencial da liberdade, que é uma honra civil norte-americana. Então, Muhammad Ali, ele representa uma grande gama da sociedade norte-americana que via nele um aspecto social voltado para o esporte.

Para vocês entenderem como o esporte se localizou na história e alcançou patamares enormes. Então, Muhammad Ali pode ser considerado um ícone na mudança política dos Estados Unidos. A sua representatividade junto com outros ícones na época é de grande valia para o mundo inteiro, na realidade.

Ele alcançou o mundo inteiro. Tanto essa representação, estou batendo muito na tecla da representação, porque filmes foram feitos em nome de Ali, séries foram feitas em nome de Muhammad Ali, tanto que o Will Smith protagonizou o filme em 2001, que foi bem aceito pela crítica, e também em 1974, ele foi colocado frente a frente nos quadrinhos com o Superman. Olhar melhor sobre Muhammad Ali em comparativo com o Superman, eles tiveram uma luta, o enredo dos quadrinhos é de um vilão que vem de fora, um alienígena, que deseja enfrentar o melhor lutador da terra.

Então, eles colocam frente a frente Muhammad Ali e o Superman, só que o Superman sem as condições totais da sua força, porém, muito forte, mais forte do que qualquer um na terra. Então, veja como a integridade do super-homem, a imagem do super-homem de uma pessoa forte que cuida dos norte-americanos, em igualdade com Muhammad Ali, só que nós estamos falando isso em 1974. Então, fica essa minha homenagem a esse pugilista que eu considero o maior de todos os tempos, e também a imagem de como é uma identidade do atleta, o que representa o esporte para o mundo, e o quanto ele tinha autenticidade para romper barreiras do esporte, e como o mundo, naquela época, tinha também condições férteis para que isso acontecesse, e para que a divulgação fosse muito grande.

Então, fica essa minha homenagem e lamentação por ele ter nos deixado, mas a imagem de um esportista do século, com certeza, fica na nossa memória. Um abraço a todos, e espero vocês aqui no comentário, hein? Até mais!

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