Importância na Relação Técnico e Atleta

Escrito por Eduardo Souza | Mar 4, 2016 5:55:00 PM

Por muito tempo observamos esta cena: um competidor realiza seu ponto ou obtém a sua vitória e, logo em seguida, corre para o banco de seu treinador e o abraça efusivamente, isto só foi possível, pois este mesmo treinador o apoiou irrestritamente nos piores momentos de competição esportiva e até mesmo na vida. No ambiente de um esporte de alto rendimento, esta figura tem um importante papel em todos os setores de uma equipe ou no esporte individual e pode até determinar o grau de comprometimento de um atleta, configurando assim seu bom ou mau desempenho dentro de sua categoria.

Os técnicos têm suas peculiaridades dentro do esporte que lhe é cabido. Alguns já foram praticantes do esporte mostrando, portanto, uma vivência maior dentro da ação competitiva. Fato é que o atleta geralmente respeita mais as opiniões e diálogos daqueles que entendem o que acontece dentro da modalidade que pratica. Neste sentido, a comunicação entre eles é fundamental para qualquer início ou manutenção de um trabalho esportivo e competitivo.

Portanto, é esperado que o técnico mostre conhecimentos gerais como a preparação física, psicológica, ensino moderno das táticas e técnicas específicas, constante atualização da situação do elenco e mais recentemente até meios de gerir a pressão midiática, visto que eles estão em constante exposição. Obviamente ele não obtém esses conhecimentos de forma isolada, ele depende de profissionais com conhecimentos específicos para cada situação descrita acima.

Exclusivamente no campo da Psicologia esportiva, o profissional pode ajudar o técnico não só na preparação esportiva, como também identificar fatores de sua personalidade que maximizam ou diminuem a sua relação com os atletas e comissão técnica. Várias dificuldades podem surgir caso um treinador seja resistente ao lidar com seus atletas, pois o mesmo é visto como uma figura representativa de respeito e proximidade entre os atletas, principalmente pela cultura brasileira.

Então, nesse panorama visualizamos dois tipos de técnicos. Aqueles que são fechados a qualquer tentativa de comunicação eficiente e que amplie seus horizontes de conhecimento, ou aquele totalmente contrário a esta visão. Um técnico que abre a possibilidade de troca entre membros da comissão técnica, dirigentes, atletas e compartilha com eles a possibilidade de mudança e tomada de decisão em conjunto tem a chance de sucesso com todos envolvidos.

A comunicação destaca-se como um importante elo neste processo de desenvolvimento de uma relação significativa. Todos sabem que a figura de um técnico está carregada de expectativas e responsabilidades, nele está a obrigação de ganhar sem entrar no campo. E para isto ele dá direcionamentos e espera que seu atleta siga seu planejamento de treinamentos. Comunicar esta questão é o desafio a ser enfrentado. Durante uma temporada de competições,  percalços e mudanças de planos são frequentes. Então por esta razão, o constante envolvimento facilita a caminhada.

Geralmente o atleta espera um retorno sobre seu desempenho com o técnico e o mesmo diz o que ele precisa melhorar para as próximas etapas do campeonato. Em determinados atletas a imagem do técnico é de autoridade e determina suas metas como conhecedor de causa. Ele deve ser o conhecedor de técnicas, táticas e de comportamento para que o atleta possa alcançar seus objetivos. Para os esportistas  a compreensão de suas dificuldades e no que isto afeta diretamente o entendimento tático, técnico e emocional determina como deverá ser a comunicação e a relação profissional que se estabelece.

Se a comunicação for falha, pode gerar neste atleta uma série de consequências emocionais, comportamentais e de pensamento em relação ao que está sendo transmitido. Geralmente, reações como afastamento do grupo ou fuga de conversas cruciais ao longo do tempo de treinamento são indicadores de que este atleta está com dificuldades em gerir a comunicação.

Então esta forma de passar o conteúdo das instruções deve ser particular e pautada no conhecimento que se tem deste atleta. A ideia não é dar instruções específicas do que se deve dizer, e sim, expor que cada atleta recebe este feedback de uma maneira individualizada. Estabelecer uma comunicação punitiva geralmente desperta ansiedade e obviamente o medo de errar para não perder seu lugar na equipe.

Caso ocorram casos de indisciplina, a questão deve ser tratada seriamente e com cautela para avaliar a situação como ela ocorreu. A partir daí a maneira como o técnico age dita a maneira que o grupo de atletas o verá a partir daquele momento. Uma estratégia interessante para lidar com este tipo de atitude é estabelecer regras,punições e premiações antes do início dos treinamentos e então, colocar a responsabilidade nos atletas pelos seus atos. Esta atitude de adaptação com o ambiente parece acontecer de forma natural quando são estabelecidos uma coerência entre as regras e as atitudes dos profissionais e demais envolvidos com este atleta.