A psicologia, por si só, traz com ela o bonito e intrigante objetivo de ser o principal campo de estudo dos processos mentais e dos comportamentos. E apesar de termos um órgão diretamente relacionado a esses produtos mentais e comportamentais, apenas mais recentemente a psicologia começou a lhe atribuir o devido valor e influência.
Talvez o antigo debate entre o que é influência da natureza versus do ambiente, provocava na psicologia o desconforto de que o cérebro (visto de forma apenas estática e estrutural) sozinho poderia ser o nosso determinante.
Como todo bom órgão, o cérebro tanto expressará uma predisposição genética, quanto sofrerá e refletirá o impacto do ambiente em que estiver inserido e, essa dinâmica, impacta o que somos. É nesse meio, tentando entender o equilíbrio entre a natureza e o ambiente que encontramos a Neuropsicologia. Uma área de especialização empenhada em estudar e compreender as relações entre o cérebro e o comportamento/cognição.
Afinal, o que isso quer dizer? Porque entender o cérebro e, não só o que podemos observar dele, adiciona algo na psicologia?
Isso quer dizer que seu cérebro tende a ter um certo grau de padronização para funcionar e consequentemente de produzir funções cognitivas e comportamentos. E que determinadas alterações cerebrais resultarão em desempenhos cognitivos e comportamentais mais ou menos previsíveis.
Entender o cérebro nos ajuda a compreender melhor os padrões e exceções do que na psicologia observamos nos indivíduos. Entender, por exemplo, porque algumas pessoas tem memória melhor, enquanto umas são mais impulsivas. Entender de que forma isso funciona desde a base até a integração do indivíduo com as demandas do ambiente.
E o que isso adiciona na psicologia?
Bem, muita coisa!
Assim como cada corrente adiciona uma forma de observar e compreender o ser humano, a Neuropsicologia adiciona o cuidado com o não dissociar a mente e o que somos de um funcionamento orgânico. Acima de tudo, precisamos de um cérebro funcionando para que as mais belas construções mentais possam ser executadas.
Ter ciência disso, já de antemão, evita que em algum momento possamos ignorar que particularidades naturais e até mesmo doenças sejam vistas em sua complexidade, não apenas do produto psicológico, mas também de sua origem. Essa visão ampla tem como objetivo final proporcionar o equilíbrio entre a nossa natureza e as influências do ambiente.
Convido vocês a iniciar uma nova experiência e, junto comigo, compreender um pouco mais a Neuropsicologia, seus conceitos e aplicações clínicas e cotidianas.
Laiss Bertola é neuropsicóloga PhD, Especialista em Adultos e Idosos - laissbertola@gmail.com