Uma das perguntas que mais ouvi em minha jornada profissional nas organizações é “O que o mercado está praticando nesse determinado tema? ”. Eu tinha de descobrir e responder! Caros colegas da Academia, este artigo tem por objetivo mostrar o que são os grupos de empresas autopatrocinados, como são utilizados para se fazer benchmarking e as razões para sua empresa fazer parte ou criar um deles.
Um dos grandes ensinamentos que trago da área de remuneração é a conexão direta que esta área tem com várias empresas, ou seja, a facilidade de se obter informações de uma companhia concorrente, sem grandes esforços, a apenas um telefonema de distância.
Precisa saber a faixa salarial de determinado cargo? Só ligar para a pessoa certa. Quer saber como foi o alcance das metas de negócio do ano anterior de uma determinada empresa? Basta contatar o responsável e conversar. Mas isso só acontece se a empresa está inserida num grupo específico que em que são permitidas essas trocas de informações.
Ter sua empresa inserida num grupo desses é a garantia de estar em contato direto com o mercado, é o exercício do relacionamento entre profissionais para que se tenha acesso a diversas informações mercadológicas de qualidade e sem distorções de veículos de imprensa e afins.
Outra grande vantagem é poder fazer tudo isto que citei acima a um custo praticamente zerado – algo tão almejado por empresas e empresários.
Os grupos autopatrocinados geralmente são formados por empresas que têm por interesse compartilhar informações de Recursos Humanos, sem qualquer intervenção ou intermediação de consultoria. Trocando em miúdos, são grupos seletos, onde companhias compartilham dados e práticas entre si. Mas vamos aos exemplos reais:
Além desses, existem outros como o DEASA que é um grupo de empresas específico da região de Campinas (local muito forte economicamente no Estado de São Paulo), o GPFP, dedicado a trocar práticas de gestão de Previdência Privada, CAR que é exclusivo para Automobilísticas e por aí vai.
Todos esses grupos são mantidos pelas próprias empresas que os compõem. É diferente de Associações de RH ou afins. Uma das fortalezas de se estar neles é justamente a possibilidade de conhecer diretamente diversos profissionais de empresas de porte e estrutura semelhante à que você trabalha, assim como a obtenção de informações sobre boas práticas de gestão.
Mas não é antiético trocar informações com a concorrência?
Se as trocas de informações ultrapassarem o limite do aceitável, é antiético sim! E esse “limite do aceitável” tem regras e parâmetros claros para cada grupo. De maneira geral, não são trocadas informações de estratégia empresarial ou conteúdos muito específicos.
Adicionalmente, todos os grupos possuem um regimento, onde as participantes compactuam sobre quais são os profissionais que podem representar suas respectivas empresas, como se dará a frequência de encontros, quais assuntos que poderão ser conversados nas reuniões e limites de trocas de informações. Existem também critérios para admissão ou exclusão das empresas nos grupos. Normalmente acontecem reuniões mensalmente nas instalações de alguma das companhias que integram o grupo.
Aqui no canal falamos muito de que para ser um bom profissional nas organizações, é necessário entender a linguagem dos negócios. Esses grupos são ótimos para se aprofundar nesta linguagem e aprender de uma outra forma, com as experiências dos colegas profissionais. Além do mais, esses grupos são uma ótima oportunidade para conhecer grandes profissionais e assim montar seu network.
Mais do que entender teoricamente uma estratégia de gestão, é importante viver a realidade.
Portanto, amigos da psicologia, se você trabalha numa empresa ou área que ainda não faz parte de um grupo de troca de informações de gestão de RH, leve essa sugestão. Podem ser formados grupos separados por região geográfica, por temática de RH (Seleção, Treinamento, etc), por segmento de atuação (Comércio, Químico, Autopeças), por porte, o que for. Nem que seja um grupo em que participem os comércios de uma mesma rua.
Seu concorrente pode ser a pedra do sapato em termos de vendas, mas, pode ter certeza que sempre terá algo a ensinar sobre alguma coisa que ele faz bem em termos de gestão e, claro, você também terá algo para ensinar a ele.
Estar em contato com outras empresas é uma excelente maneira de incorporar a linguagem dos negócios ao seu repertório e conhecer práticas que vão além de teorias e livros. Ter uma boa bagagem em Psicologia Organizacional é ter uma boa bagagem de dados e fatos mercadológicos, ir além dos livros, estudos e cursos. É preciso vivenciar o mercado e os negócios.
Jorge Paulo Lemann, sócio do Grupo de Investimentos 3G, detentor da AmBev, relata no livro “Sonho Grande” (Cristiane Correa) que sempre procurou evitar gastar tempo para criar coisas que outras empresas já faziam bem. Diz ele que ia ao concorrente, conhecia o modelo e trazia para empresa dele. E dessa forma se tornou um dos maiores empreendedores brasileiros.
Será que é um bom conselho?
Um abraço.
Autores: Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.