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Esporte Áreas de Atuação

Fase de Preparação Psicológica - Parte 1

Academia do Psicólogo
Academia do Psicólogo

As pessoas, na maioria das vezes, não chegam à academia conectados com esse ambiente e com o estilo de vida saudável. Então, como o psicólogo pode auxiliar o cliente a passar pela primeira fase de preparação - a confiança -  de maneira feliz? Neste vídeo, Edu Azevedo trás elementos importantes sobre a hora e sensibilidade do feedback, a escuta analítica, a parceria com outros profissionais e muito mais.

https://player.vimeo.com/video/172817841

Transcrição

Vamos pensar um pouco, qual é a função do psicólogo no fitness, do psicólogo numa academia de musculação ou de ginástica. É fazer o meio de campo entre clientes felizes e academia cheia. Se nós formos pensar desta forma, é um jogo de ganha-ganha.

O quanto mais o psicólogo se dedica ao clima dentro da academia, ele ser positivo para colaboradores, gestores, ele também contribui para ter uma sala cheia e mais felicidade, mais alegria, mais realização dos seus clientes. Então se o consumidor vota com a carteira, como a gente diz, se o consumidor procurar aquela academia que tenha um psicólogo interessado em deixar um clima mais agradável e mais feliz, todos ganham, a academia ganha com uma academia mais cheia, um salão mais cheio e o cliente também ganha, tendo mais sentido, mais alegria em fazer a sua atividade física. Bom, mas o que faz o psicólogo dentro de uma academia, na maioria das vezes, é fazer com que o cliente passe com alegria pelas três fases de preparação.

O que seria fase de preparação? É o primeiro contato do cliente com o ambiente da ginástica, do fitness, da musculação. Nós temos a primeira das fases, que é a de confiança, nós temos a segunda fase da autoestima e a terceira, que é a que todos queremos atingir, que é a da conexão. Algumas academias acreditam no discurso do cliente e nós como psicólogos sabemos que às vezes o discurso é uma fantasia que o cliente traz para nós, achando que aquilo é o que ele realmente quer, quando na verdade ele precisa de muito mais subsídios, muito mais informação, muito mais confiança nele mesmo para atingir aquele objetivo.

Então qual que é o desejo clássico dentro de uma academia? Eu quero massa muscular e eu quero reduzir o meu percentual de gordura. Geralmente é isso que o cliente traz. E bom, em uma entrevista na academia, que como não é feito ainda por um psicólogo, ainda falta aquela escuta atenta, aquela escuta analítica para entender, será que é isso mesmo que ele quer nesse momento? Será que ele está me dizendo, não é, eu quero primeiro começar a gostar de um estilo de vida saudável? E geralmente é, só que o cliente ainda não sabe muito bem que é isso que ele precisa.

O que ele vem buscar? O resultado, que é redução de massa gorda e aumento de massa magra. Só que às vezes, por falta de uma escuta, o treinador, a academia diz, não, então tudo bem, se é isso que você quer, é só treinar dessa forma, é só se alimentar dessa forma e está tudo certo. Se assim fosse, não explicaria o motivo do porquê tanta gente desiste da academia.

Talvez já tenha acontecido com você, de se matricular, fazer um plano fidelidade, talvez de seis meses, talvez de três, talvez de um ano, e de repente se desmotivar no meio do caminho. Puxa, mas não era isso que você queria? Na entrevista na academia, tu não disse que tu queria diminuir massa gorda, aumentar massa magra, ter mais disposição, saúde? O treinador fez o papel dele, ó, é isso aqui, esse é o treino para o teu biotipo, para o teu peso, para a tua idade, ele deu certinho o que você precisa. A nutricionista também, quer emagrecer? É isso aqui que você tem que comer.

Você fez toda aquela entrevista, anamnese, a nutricionista adaptou tudo o que era possível na sua dieta, mas e como explicar que não deu certo? Faltou organização, faltou sentido em fazer aquilo por parte do cliente? Por quê? Porque a academia entrou naquilo que eu chamo de fantasia de cura do cliente. Então o cliente trouxe a fantasia de cura dele achando que, olha, o que eu vim buscar é isso. Na verdade, por não ter ainda o psicólogo dentro das academias, muita informação sutil passa batido nessa entrevista inicial.

E a academia acaba comprando a crença do cliente. Se é isso que tu quer, tá aqui, tá pronto, não tem erro. A ciência comprova que se tu quer emagrecer faz isso, se quiser ganhar massa magra faz isso, não tem erro.

Só que a gente perde de vista o assunto desse vídeo, que é a fase de preparação. A gente assume que o cliente já veio conectado com a atividade física, quando na verdade muito poucos deles já vem preparados para essa disciplina de adotar o estilo de vida saudável. Mas como a gente pode pensar essa fase de preparação, então? Bom, primeiro passo é o cliente confiar nele mesmo, é a fase da confiança.
Não é difícil a gente entender, por sermos psicólogos, que a gente projeta o tempo inteiro em seguranças e problemas que nós temos em nós, nos outros. O que o cliente faz? Quando ele busca uma academia, ele ainda vê como um esforço, um trabalho, vai ter que acordar cedo, vai ter que regular o horário de almoço, vai ter que regular o horário do banho, do trabalho. Ele ainda está com um pé na academia e um fora.

Isso que é importante a gente entender. Ele não está realmente confiante que ele vai conseguir fazer todas as mudanças que ele precisa para cumprir os seus objetivos. Logo, como ele não está confiante nele, ele projeta essa confiança no treinador, essa desconfiança no treinador.

Na academia, será que a academia tem ambiente? Será que a academia tem mesmo os melhores equipamentos, os melhores profissionais? Ele começa a se colocar uma porção de obstáculos. Então, hoje a gente sabe que uma academia, por mais simples que seja, se tiver bons profissionais com pouco peso, com equipamentos básicos, consegue fazer exercício físico para praticamente qualquer objetivo. Mas a gente ainda, a pessoa, o cliente que está nessa fase da confiança, ele ainda não entende que aquela academia pode ser simples, uma academia de bairro, uma academia de baixo custo e que vai conseguir trazer saúde para ele.

Ele começa a racionalizar, ele começa a colocar bloqueios. Mas e aí como fazer? Primeiro, o cliente busca a academia e é feita uma entrevista, uma anamnese. Sugiro que essa entrevista passe também pelo psicólogo, em alguns casos que o entrevistador, geralmente o profissional de educação física, acha necessário.

Então, a academia recebe o cliente, é feita uma entrevista, talvez até com o treinador em primeiro momento, e quando ele achar que pode se beneficiar de uma entrevista com o psicólogo, ele encaminha, o psicólogo faz uma outra entrevista já com as percepções do treinador e vai perceber, realmente, essa pessoa ainda está na fase da confiança, ela não está confiando nela mesma. Ela está com muitas racionalizações, muitas defesas, muitos bloqueios. Então o que nós temos que fazer? Uma vez tendo o diagnóstico, aí o psicólogo como sendo o profissional responsável pela análise do comportamento, é ele que faz o diagnóstico do cliente e coloca isso para o treinador responsável.

Nós vamos ter que mudar a atuação com este cliente, porque ele tem essa necessidade de se sentir, primeiro, confiante. Quais são os itens que nós temos que trabalhar com ele, então? Primeiro, nesse momento, não é interessante dar feedback negativo. Ele sabe que ele tem preguiça, ele sabe que, às vezes, ele vai se atrasar, ele sabe que ele ainda não consegue fazer o movimento com perfeição, não há necessidade de ficar pegando no pé do cliente nesse momento com isso.

Não é cobrando dele, se atrasou, levanta o peso direito. Feedback negativo, esse tipo de feedback ainda não é interessante nessa fase, vai aumentar a desconfiança e a crença limitante que ele tem, dizendo que não vai dar certo, realmente vai aflorar e ele vai ter certeza que, olha, eu fiz muito errado em procurar uma academia, ou fiz muito errado em procurar essa academia, deveria ter procurado outra, então você perde o cliente, ele acaba indo treinar na concorrência. Primeiro, não é hora de dar feedback negativo, é hora de receber ele sempre com um sorriso, sempre alegre, sempre festivo, e é hora de, na avaliação dele, começar a procurar coisas, detalhes pequeninhos que estejam fazendo com que ele perceba, olha, estou mudando, ir para academia está sendo bom para mim.

Por exemplo, ele consegue acordar cada vez mais cedo, ver que ele está com um olhar diferente, que ele já está começando a gostar da atividade física, qualquer rosto dele desenchou, braço desenchou, apontar isso para ele, conseguiu perder líquido, aponta isso para ele, que ele agora consegue fazer toda a rotina de treino sem se cansar, sem se queixar, aponta isso para ele, pergunta como é que está para dormir, para acordar, como é que está a vida com a família, como é que está com as crianças, como é que está no trabalho, ele provavelmente vai dizer depois de poucas semanas, poucos dias de treino, está indo tudo bem, está indo melhor, então na verdade o cliente estando na fase de confiança, ele precisa muito mais desse feedback positivo diário do que uma avaliação física daqui um mês com fita métrica e dipômetro dizendo que ele só emagreceu 200 gramas, isso colocaria o trabalho todo por terra, ele não está na fase de ouvir esse tipo de feedback ainda, você tem que procurar o que tiver para fazer com que ele se sinta melhor, se sinta mais fazendo realmente alguma coisa com sentido e com resultado, essa é a ideia que a gente tem que instrumentalizar dentro da academia e mesmo que seja necessário fazer palestra para os treinadores, a gente pode fazer, pode fazer conversa com o gestor até ele entender a necessidade de fazer análise de todos ou de clientes que ainda não estejam nessa fase de conexão, que o treinador na anamnese inicial viu, olha, acho que tem alguma coisa aqui para o psicólogo explorar, vou encaminhar, veja que importante, a gente vende saúde dentro de uma academia, todos nós que fomos procurar academia um dia, a pessoa da recepção ou de vendas falou, você vai ter mais saúde, mais alegria, mais felicidade, mas como pode? Entrou na academia e começa a exigir que levante peso, que perca gordura, quando você vai para aquela salinha temida da avaliação física, e eu acho esse nome sala de avaliação horrível, a gente tem que tirar esse nome, a gente se sente já avaliado indo lá, você só perdeu 200 gramas, nossa que absurdo, perdi um mês da minha vida então para perder 200 gramas, tá aí todo o resto que não foi analisado na fita métrica e no adipômetro que a pessoa conseguiu revolucionar o seu comportamento, não teve um profissional que tivesse sensibilidade de dizer parabéns por todos esses itens que você já conseguiu conquistar.

Então, gente, no próximo vídeo nós vamos continuar falando sobre a fase de preparação, hoje falei sobre a fase de confiança, a próxima é da autoestima e a outra é da conexão, que é aquela que todos nós queremos que os nossos clientes entrem o mais rápido possível, mas cada um tem o seu tempo, ok? Espero que tenham gostado do vídeo, nos vemos no próximo, até lá!

AUTOR

Psicólogo Edu Azevedo

Psicólogo funcional integrativo
@psieduazevedo
Longevidade p/ viver mais e melhor com qualidade nos relacionamentos aliado ao seu sucesso profissional
CRP 07/16.290

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