Para começar, se você optou por fazer um estágio em uma empresa, saiba que este não será feito “em Psicologia Organizacional” ou “na Psicologia Organizacional” – termo muito usado nas faculdades. Não existe uma área ou departamento com este nome nas empresas. E tão pouco, – como dito em outras matérias nossas aqui na Academia – você será um psicólogo clínico ou cientista dentro de uma organização, salvo a necessidade dessa proposta existir no escopo corporativo. Via de regra este estágio será na área de Recursos Humanos ou Gestão de Pessoas (fora os nomes “modernos” para dizer as mesmas coisas, como Capital Humano, Área de Gente, etc.).
Para facilitar o seu entendimento, dividi este artigo em duas partes. Primeiro falarei para você, estudante de psicologia que ainda não trabalha e pensa em dar os seus primeiros passos no mercado de trabalho. E depois para você que já tem uma significativa experiência profissional em determinada área, mas que decidiu fazer o curso superior em Psicologia para depois fazer uma transição de carreira, mas está em dúvida se é valido fazer um estágio a esta altura do campeonato.
O estágio é uma interessante ponte entre os conceitos vistos por você na graduação e o trabalho. Como em um rito de passagem, lhe ajudará nesta transição de estudante para profissional.
Detalhando um pouco mais, veja o que você ganhará com isso:
Se quiser se aprofundar mais, clique no link e conheça a lei sancionada pelo Congresso Nacional sobre o estágio.
Falamos sobre os ganhos, os benefícios que um estágio pode lhe dar.
É claro que para toda decisão há sempre um risco e caso você decida não passar por esta etapa da formação profissional, não quer dizer que entrará no mercado de trabalho, mas o cenário mudará drasticamente. Ao evitar o estágio, você passará por processos seletivos já na condição de profissional, e não estudante, sem qualquer experiência anterior, exceto à faculdade. – Evidente que também existem processos seletivos, muitas vezes rigorosos, para iniciar um estágio.
Ao transpor essa barreira e uma vez dentro da empresa como estagiário, suas chances de ser efetivado aumentarão. Obviamente dependerá do budget da área e da corporação como um todo, da estrutura montada para aquele e os próximos anos, das demandas existentes, mas acima de tudo a sua atitude e seu comportamento dirão muito sobre você, reforçando o investimento que a empresa poderá fazer. Adicionalmente, você potencializará suas experiências profissionais e abrirá portas não só para efetivação na empresa em que estagia, mas para ao mercado de trabalho.
Você já trabalha, é um profissional com algum tempo de experiência atuando em áreas comercial, marketing, vendas, logística, call center, dentre outras. Percebe que elas em nada têm a ver com a psicologia e tudo o que você deseja é entrar para este mercado, fazendo uma transição de carreira para o RH, pois assim, “será ainda mais psicólogo”.
Mas aí... bate o grande dilema: remuneração. Você ganha razoavelmente bem e mudar desta forma, tornando-se estagiário, o “único jeito de ir para o RH”, implicará em uma redução drástica de dinheiro em sua conta corrente todo mês.
Calma! Não se afobe.
Em primeiro lugar, você será psicólogo de um jeito ou de outro. O conhecimento adquirido na graduação não será tirado de você. Depois, sabemos que a graduação não enfatiza como deveria a disciplina “Psicologia Organizacional” e o seu aprendizado, assim como o de outras pessoas em muitas áreas de trabalho, será na prática.
Trabalhar ou não em RH não fará você ser mais psicólogo do que aquele que trabalha em vendas. Da mesma maneira que você não será menos que um psicólogo clínico, atuação tão cultuada por quase 100% dos estudantes. Você estará agregando habilidades a sua formação trabalhando em áreas distintas. Este é um ganho importante!
Eu não quero acabar com os seus sonhos, se assim for, de integrar uma equipe de Recursos Humanos. Mas preciso lhe abrir os olhos para que você não se iluda acreditando que psicólogo só tem duas opções de trabalho: clínica ou RH.
Com a sua bagagem corporativa é possível investir em uma carreira em outras áreas, sem deixar de ser psicólogo e sem a necessidade de estagiar. Por exemplo: em uma consultoria, trabalhando na área comercial, o relacionamento com clientes e a negociação estão presentes todos os dias na sua rotina. Assim, a escuta clínica desenvolvida na graduação poderá se mostrar uma ferramenta importante em momentos de gestão de conflito, conciliação, até firmar um contrato justo – a boa relação ganha-ganha. Contudo, mais do que ser psicólogo em uma empresa, é preciso entender de negócios e você fará isso de forma muito simples: estagiando.
O conceito de estágio implica em um período preparatório, de aprendizagem. Desta forma, seja qual for a sua área interesse é preciso se preparar para transição:
Aqui falamos exclusivamente para os psicólogos no mundo das organizações.
Se você já decidiu sobre a clínica ainda na faculdade, parabéns! Siga a sua carreia clínica e não esqueça de se aprimorar. O aprendizado, ou melhor, o “estágio”, é uma constante em nossas vidas.
Agora, se você é um profissional de RH ou de outras áreas e deseja fazer a transição para clínica, além das dicas mencionadas acima, faça esta transição aos poucos. Pratique uma jornada dupla de trabalho. Atenda pela manhã, à noite, aos sábados, em um período que não conflite com o seu afazer mais importante. Este é um formato de trabalho muito comum entre nós, psicólogos.
Apenas mantenha-se centrado e não jogue tudo para o ar, peça as contas, monte um consultório e espere seus pacientes aparecerem. As chances de isso dar errado são enormes.
E se você quer saber sobre quais carreiras um psicólogo pode seguir no mundo das organizações, peço que aguarde. Em breve, mais conteúdo por aqui.
Autores: Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.