A preparação mental é tão importante para um atleta quanto a preparação física, tática e técnica. Isto se mostra exatamente nos momentos de treinamentos e competições que são submetidos.
Fatores comuns da competição e treinos reforçam esta necessidade visto que há uma constante confrontação com outros competidores igualmente preparados, comparação de desempenho dentro ou antes da atual competição, demonstração de habilidades, qualidades e as falhas tão comuns neste contexto.
Então é fácil deixar de se surpreender quando observamos muitos atletas que estão sob pressão e desenvolvendo patologias associadas à prática esportiva. Emoções como medo e inseguranças facilmente levam à índices de agressividade se não forem compreendidas e adaptadas ao meio que vivem.
Neste contexto o Psicólogo do Esporte pode entender como os mais comuns fatores psicológicos afetam o desempenho dos atletas no quesito motor e em sua repetição. A avaliação levará a uma posterior intervenção que pode servir de suporte às habilidades sociais e psicológicas que o atleta poderá se utilizar para aprimorar o seu rendimento em situações de competição e julgamento próprio.
Por isto, reuni aspectos comuns para uma avaliação por parte do profissional que atua com atletas e equipes:
A raiva pode ser definida como qualquer forma de comportamento dirigido ao objetivo de prejudicar ou ferir outro ser vivo que está motivado a evitar tal tratamento.
Se pensarmos no contexto esportivo ela pode ser canalizada de forma positiva ou negativa. Vários cientistas do esporte relacionam fatores positivos como a ativação interna da agressividade e estimulação para melhores rendimentos. A canalização neste sentido se mostra na vontade de querer ganhar.
Por outro lado, a manifestação negativa da agressividade se dá quando conscientemente e intencionalmente um atleta quer prejudicar o outro fisicamente. Este tipo de comportamento torna o ambiente hostil e tumultuado.
Como ela pode surgir?
Muitos atletas consideram que a raiva é um “motivador” para as competições no sentido de entrar de forma mais “ativa” nas competições e treinamentos. Todavia o que se observa é que a agressividade aparece nos próprios erros cometidos, menosprezo dos rivais, má atuação do próprio time, erros de arbitragem e comportamento agressivo dos adversários.
O que os aflige no momento da raiva?
O que mais os atletas temem que aconteça ao perder o controle são: agir compulsivamente, perder a concentração e foco na competição e ansiedade.
Temos várias definições de motivação e uma delas se relaciona com a direção e a intensidade de nossos esforços. Esta é uma ótima definição quando pensamento na realização dos atletas em estar na competição. A direção faz com que o atleta reúna capacidades e foco nas situações de treino e competição, já a intensidade mostra o quanto ele se esforça para alcançar seus objetivos.
Evidentemente o fator de interação entre estes fatores mencionados e o ambiente pode nos dizer como o indivíduo reage considerando sua particularidade (personalidade, emoções, interesses, objetivos) e como ele reage frente às situações que estão fora de seu controle (treinador, patrocínio, torcida).
Se a motivação está prejudicada, a autorrealização não ocorre e prejudica seu rendimento durante a rotina de treinos e competições.
Como a motivação pode surgir?
O contexto associado à motivação é bastante complexo, mas quando se trata de atletas podemos compreender que o prazer e orgulho associados as suas ações ditam como eles se comportarão em sua rotina.
O prazer é considerado um forte indicador de motivação para alguns atletas e podem aparecer quando o atleta joga bem ou a competição está favorável, quando ele faz o que gosta e quando o time está unido e focado nos jogos e competições.
Já quando falamos em orgulho aparecem, sobretudo, nas vitórias e no bom desempenho individual e, ao contrário do que se pensa, o excesso de orgulho não prejudica o desempenho dos atletas, pelo contrário, aumenta a sua autoconfiança. Há de saber gerenciar estes processos, pois a autorrealização pode ser entendida dentro deste movimento.
O estresse pode ser produzido por inúmeras situações, podendo estar presente ou não no contexto competitivo. Este é um campo que merece atenção principalmente na vida pessoal dos atletas e deve ser considerado fator direto na queda de rendimento quando se fala em alterações físicas e mentais significativas.
Isso porque o estresse pode ser considerado como um processo estimulado pelo desequilíbrio substancial entre as demandas físicas e psicológicas e suas correlações com as respostas comportamentais e adequação aos estímulos do ambiente.
O conhecimento do atleta sobre o estresse que está submetido pode contribuir para que ele entre em um estado de maior equilíbrio. E novamente colocado dentro de um contexto esportivo, pode suscitar níveis de ativação aceitáveis para entrar em competição, mas isto não pode se tornar um fator paralisante.
Como ele é desencadeado?
Medo e pressão são dois motivos que podem desencadear o estresse competitivo. Eles estão conectados com o extrínseco e intrínseco.
O medo está mais relacionado com o seu desempenho e não é difícil encontrarmos indagações como “será que conseguirei dar o meu melhor durante a competição?”. Outras situações comuns são relacionadas ao medo de perder o jogo, errar, sofrer alguma lesão, começar jogando mal e não poder virar o resultado. Este sentimento para alguns atletas pode ser considerado impeditivo para sua performance.
A pressão nos dá uma amplitude maior devido a fatores externos e, portanto, mas fáceis dos atletas identificarem. Esta é uma característica comum aos atletas devido a sua dificuldade em reconhecer fatores intrínsecos (como a maioria da população). A autoexigência é a primeira das classificações da pressão, tão presentes no dia a dia destes atletas. Depois se observa que representar um clube, torcida, comportamento do treinador, desejo de ser titular e justificar seus erros são fatores externos que são influentes para os atletas.
É consenso que a pressão afeta negativamente o desempenho do atleta e a falta de acompanhamento psicológico contribuem para a negatividade da pressão. Quando não há espaço para se discutir mudanças externas ou dar legitimidade ás mesmas a tendência é que se formem barreiras de comunicação.
O que fazer com estas avaliações?
O psicólogo do esporte pode se valer de formas de avaliação adequadas como inventários, questionários e testes psicológicos para compreender o ambiente em que está envolvido.
Depois de uma avaliação criteriosa e uma posterior reavaliação após as intervenções, será possível mensurar as mudanças emocionais, cognitivas ou comportamentais decorrentes das mesmas. Há um conjunto de técnicas eficazes para lidar com as dificuldades colocadas a este âmbito esportivo.
Existem poucos estudos sobre a influência das emoções e sentimentos no âmbito esportivo aqui no Brasil, então podemos tomar a iniciativa de fazê-lo ostensivamente. Dessa forma contribuiremos com o aprofundamento da compreensão comportamental, reações emocionais a diversos estímulos e respostas psicológicas que interferem diretamente na realização profissional ou pessoal de atletas e seres humanos praticantes de atividades físicas.