Da Empresa para o Consultório e Vice-Versa
“Por que a clínica se eu sou das organizações?”
Um questionamento comum de alguns psicólogos que, ao término da faculdade, acreditam que a carreira no mundo corporativo em nada tem a ver com a clínica. Ignoram, inclusive, a possibilidade de um dia fazerem uma transição de carreira.
Será?
Neste vídeo, compreenda o contexto do mundo organizacional na clínica, conheça alguns recursos que combinam bem para atender a estas duas áreas distintas e saiba que o seu conhecimento do dia a dia nas empresas, não precisa ser deixado para trás.
Nossa, eu tô me sentindo no Jornal Nacional aqui. Boa noite. Psicologia positiva.
Imagens comprovam que ela é positiva. Calor em toda a região Nordeste. A pouca sombra da região é atribuída a Jung.
Briga entre mãe e filho. Jocasta bate em Édipo. A sua avó, uma senhora suficientemente boa, acolhe toda a família.
Vai, vamos para o vídeo logo, vai, chega. Fala, minha gente, tudo bem? Brincadeiras à parte. Vamos para o nosso vídeo aqui, que tem bastante informação relacionada ao mundo das organizações.
Esse vídeo ali, ele é especial, talvez acho que o mais especial que eu tenha gravado aqui para o canal Psicobrother, porque ele vai retratar uma realidade comum a muitos psicólogos aqui no Brasil, talvez no mundo, né? Eu não sei. Mas é o fato desse profissional, de você, psicólogo, ter uma jornada dupla. O que eu quero dizer com isso? Você vai para a empresa do mundo das organizações, onde você trabalha durante o dia, para o consultório, para a clínica à noite, onde você exerce a sua atividade clínica.
Então eu quero falar um pouco desses dois mundos e como algumas situações, algumas ferramentas, elas podem se encontrar, podem casar bem nesse processo. O que eu quero é ajudar você a compreender como o mundo das organizações pode se encaixar na clínica e conhecer como alguns recursos da empresa, do mundo corporativo, podem ser muito bem aplicados na vida, no mundo clínico. Bom, para começar, uma pequena provocação.
Talvez você esteja se perguntando, mas o que a clínica tem a ver com o meu dia a dia na empresa? Compartilhando de uma experiência pessoal e também de experiências com amigos que já passaram por isso, pode ser que no final da faculdade você não tenha intenção alguma de atuar clinicamente. Isso pode acontecer. E é bem possível que essa vontade, esse desejo, se manifeste anos depois, mesmo depois de você já ter terminado a faculdade e já ter uma carreira consolidada na empresa, independentemente do seu cargo e da sua função.
E aí, seja atendendo uma hora por semana, só à noite, ou de repente empreendendo, abrindo a sua clínica e não apenas atendendo pessoas, mas gerenciando a locação de salas por período para outros psicólogos e profissionais de saúde, eu afirmo que é sempre bom estar preparado para esses dois mundos, utilizando algumas ferramentas para isso, para te ajudar não apenas na gestão, mas também numa atuação mais técnica. Eu falei aqui de ferramentas, e é claro, a gente, nós, psicólogos, temos aí os testes psicológicos, mas eu acredito que a melhor de todas elas, seja você psicólogo ou qualquer outro profissional, seja a escuta, essa incrível e tão difícil habilidade de ser exercida, que é ouvir atentamente e genuinamente as pessoas. E como o universo é muito vasto, muito grande, da minha parte eu considero uma injustiça se você tiver feito ou estiver prestes a fazer, ou no futuro, a fazer essa transição do mundo corporativo para a clínica, eu acho uma baita injustiça você deixar, abandonar todos os conhecimentos, todas as ferramentas, o que você tem na sua mão durante essa sua trajetória corporativa, para, em detrimento de uma nova jornada na clínica.
Acho que esse mundo, ele pode ser muito bem casado. Eu vou dar aqui alguns exemplos de ferramentas, de como você utilizar no seu dia a dia. Eu separei aqui quatro ferramentas, é claro que existem muitas, não dá para falar muito aqui no vídeo, senão vai ficar gigante, mas eu quero discutir e compartilhar com vocês não apenas o que é o conceito, mas também a forma de utilizá-los.
A primeira ferramenta é a IDEAÇÃO. O que é isso? IDEAÇÃO é uma forma de compartilhar ideias, trocar ideias, criar as mais variadas opções para alguns problemas, alguns dilemas, exame sempre soluções. A IDEAÇÃO, ela é parte de um processo do design thinking, eu aconselho vocês inclusive a procurar e lerem um pouco sobre o tema, porque ele é bem contagiante e eu considero uma literatura muito importante para qualquer profissional, independente da área.
Vale a pena. A IDEAÇÃO, ela é um momento para buscar ideias, opções, que vão além do óbvio, além daquilo que nós enxergamos, e é claro, você pode fazer isso no seu trabalho, no dia a dia, com a sua equipe, desenvolvimento de pessoas, como também com os seus clientes ou pacientes, eu vou falar cliente porque é assim que eu chamo, mas sinta-se à vontade também para chamar de paciente. Com os seus clientes, você pode também utilizar esse tipo de ferramenta.
Algumas técnicas de estímulo à criatividade são usadas aqui nesse momento de IDEAÇÃO. Uma delas, é bem provável que você já tenha ouvido falar, é o brainstorming ou o toró de palpites. A ideia consiste basicamente em você dar ideias, falar livremente, para que algumas situações relacionadas a dilemas, por exemplo, possam surgir.
Como utilizar isso? Oriente que as ideias sobre uma situação específica sejam dadas livremente, sabe? Oriente mesmo, fale para não se preocupar, porque não tem julgamento, não tem crítica, não tem nada. Elas devem ser estimuladas a correr livremente, porque quanto mais abertamente, melhor, mais possibilidades podem ser trazidas à toa. Não estou dizendo que todas as possibilidades serão válidas, algumas sim serão descartadas, mas nesse momento é muito mais importante a ideia correr solta, que as coisas saiam naturalmente, sem censura.
Você pode, inclusive, utilizar alguns post-its para marcar essas ideias, colhe na parede, na cadeira, na mesa, no chão, onde você quiser, mas é importante deixar registrado, porque essas ideias vão precisar ser trabalhadas de uma maneira mais qualitativa depois. E para trabalhar melhor essas ideias, aí entra a segunda técnica dentro da ideação, que é você construir um mapa de critérios, que é agrupar simplesmente essas ideias. Como você faz? Primeiro você vai começar a agrupar essas ideias em grandes temas.
Você pega aqueles post-its que estão separados e começa a colar um ali próximo do outro, para identificar mais ou menos uma situação. Eu vou dar um exemplo aqui do que eu já vivi na clínica e eu acho que cabe bem nessa situação. Imagine que uma pessoa deseja sair do país, morar fora, mas aqui ela tem um trabalho e lá fora ela não sabe exatamente o que vai fazer.
E não sabe exatamente do que gosta, inclusive. Então é um conflito aí que merece atenção. O que você pode fazer? Dentro das ideias já dadas, discutidas, você começa a identificar os grandes temas.
Então, por exemplo, essa pessoa disse assim para mim que gostava muito de cuidar de pessoas, que se interessava por enfermagem, que tinha um grande apreço, sabe, por acolher e por se dedicar ao outro. Então, no processo, a gente começou a entender que isso era algo ligado à saúde. E eu não digo a medicina, não necessariamente também que ela seria enfermeira, não é isso, mas é algo ligado à saúde, ao bem-estar.
Então, de todos esses apontamentos, de todas essas palavras ou frases soltas, esse era um grande tema, né, que enfermagem, acolhimento, bem-estar, elas caberiam muito bem dentro de um grande tema chamado saúde. Então, esse mapa de critérios, ele começou a ser construído a partir de alguns critérios que ligavam, conectavam palavras ou frases à outra, revelando aí uma vontade maior. Nesse caso, saúde, bem-estar.
A partir do momento que você tem isso já, esses grandes temas e grupos, fica muito mais fácil para você determinar um foco, né, na discussão. Então, falaremos sobre saúde, falaremos sobre família, falaremos sobre animais de estimação. Então, a primeira ferramenta foi a ideação e eu compartilhei aqui duas técnicas, que é o brainstorming e também o mapa de critérios aí dentro desse processo de identificar ideias e classificá-las.
A segunda ferramenta que eu quero trazer é o mapa de empatia. O mapa de empatia é uma ferramenta que é utilizada dentro do método do design thinking, porém, e dentro da ideação inclusive, mas eu decidi separar ele desse processo de ideação porque eu acho que ele tem algo um pouco mais, digamos, atrativo. Eu nem sei se a palavra é atrativo, mas ele tem um quê a mais aí.
Esse quê a mais é o fato de poder colocar a pessoa ou as pessoas como um terceiro em uma situação. Eu já vou explicar. O mapa de empatia é uma síntese sobre uma pessoa ou sobre as pessoas.
Utilizando ele, o seu cliente vai utilizar essa ferramenta para se enxergar de fora, como se ele estivesse falando sobre ele mesmo, se olhando como um terceiro naquela situação e respondendo perguntas, claro, relacionadas a ele. Como fazer? Bom, como vocês podem ver aqui na imagem, ele é um diagrama e, é claro, você pode desenhar numa folha de papel, numa lousa. Pode, inclusive, baixar essa imagem na internet.
Digita lá mapa de empatia que vai aparecer um monte para você. É só escolher. Bom, esse mapa, ele é dividido em seis áreas que se conectam à pessoa listada aí no centro.
Cada área tem uma pergunta e essas devem ser respondidas. Então, a pergunta 1, o que ele vê? A 2, o que ele escuta? 3, o que ele pensa e sente? 4, o que ele fala e faz? 5, quais são as dores? E 6, quais são os ganhos? Oriente o seu cliente a responder as questões de acordo com o que outras pessoas responderiam sobre ele. A terceira ferramenta é a análise SWOT.
A SWOT, ela é utilizada nas empresas para fazer análise de cenários internos e externos. É uma ferramenta muito bacana, interessante, porque ela é utilizada algumas vezes para fazer planejamentos estratégicos. Por exemplo, a expansão de uma empresa para algum local, entender quais são os ambientes, quais são as ameaças, as oportunidades que a empresa poderá encontrar nessa transição, nesse novo momento.
E se funciona para uma empresa, com certeza funciona para as pessoas também. Vai funcionar para você e vai funcionar para os seus clientes. Vamos lá, o que quer dizer SWOT? Strengths, fortalezas, weaknesses, fraquezas, opportunities, oportunidades e threats, ameaças.
Como fazer? Explique primeiro os quadrantes. Então vamos lá, fortalezas e oportunidades ajudam, já as fraquezas e ameaças atrapalham. As fortalezas e fraquezas se referem à parte interna, diz respeito à pessoa.
E as oportunidades e ameaças se referem à parte externa, família, empresa, pessoas com quem o seu cliente conviva. Vou dar um exemplo, imagine que uma pessoa a quem você atende é super comprometida com o trabalho, isso é uma fortaleza. Ela acredita que assim será promovida em breve, uma oportunidade.
Mas tudo precisa ser do jeito dela e se não for, as atividades são realizadas na base da reclamação e de forma bem reativa, fraqueza. O comportamento reativo do tipo reclamão pode afastar as pessoas, causar uma advertência, afastamento dela, das pessoas, do relacionamento, e também a perda de confiança e até mesmo uma demissão. A SWOT permite à pessoa enxergar vários cenários de diferentes formas.
A partir disso, alguns planos de mudança podem ser traçados e você, é claro, ajudar nesse processo. A quarta ferramenta é o MBTI. Eu não vou mostrar como usar, porque eu quero apenas reforçar essa ferramenta já mencionada pelo Rafael aqui no Psicobrother.
Tem um vídeo, estou deixando um link aqui para vocês assistirem, em que ele mostra o passo a passo do uso dessa ferramenta. Se ela cabe muito bem no mundo das organizações, cabe também perfeitamente num processo clínico. Se você não assistiu ainda, assista e se já viu, recomendo, assista novamente.
Vale bastante, é sempre bom reforçar o conhecimento. Um ponto importante sobre o uso de todas essas ferramentas que eu mencionei, é que elas cabem bem em um processo, em uma dinâmica de psicoterapia breve. E por quê? Porque nesse formato, nesse escopo, o tempo é importante, o foco também, o direcionamento.
É claro, não há porquê não utilizá-las em processos de psicoterapia convencionais, dependendo do contexto. O mais importante é que você, psicólogo, não utilize a ferramenta como um material essencial no seu processo. Seja na empresa, seja na clínica.
Você ainda tem a brilhante capacidade de ouvir, conversar, interpretar, analisar as situações. Isso é importante. A ferramenta, eu digo, essas ferramentas mais concretas, elas são opções, são apoios.
Não devem tomar ou preencher o espaço da sua análise, seja dentro da clínica ou na empresa, como eu acabei de falar. E é claro, se você estiver numa organização, o foco deve ser redobrado, porque a aplicação delas, dessas ferramentas, tem que ter um foco direcionado para o desenvolvimento, e não apenas para dados quantitativos, indicadores de quantas pessoas em tais departamentos já passaram pela aplicação disso e daquilo outro. Em vez disso, utilize essas informações para compreender como funciona a dinâmica ou a psicodinâmica dessas pessoas, de equipes, dentro da empresa, e crie aí processos melhores, alternativas melhores de desenvolvimento de gente.
E é sempre importante pensar não apenas nos negócios, mas é claro, no desenvolvimento delas, na saúde, no bem-estar e no autoconhecimento nessa jornada, estejam essas pessoas nas organizações ou fora dela, no seu consultório. É isso aí, eu fico por aqui, e se você conhece alguma ferramenta, algum outro tipo de meio para ajudar a facilitar o autoconhecimento na clínica, nas empresas, eu quero que você compartilhe aqui, por favor, traga esse conhecimento para a gente, vamos trocar ideia. Beleza? Grande abraço, até mais, tchau, tchau.
