Todo ano surgem números altíssimos de lesionados esportivos no mundo. Esta alta taxa pode estar relacionada ao crescimento dos aspectos físicos ligados ao esporte e da constante carga exigida destes atletas em centros esportivos.
No esporte paraolímpico a ocorrência de lesões pode ser diferenciada pela sua intensidade. É preciso verificar o regulamento de cada competição e realizar um trabalho em conjunto para concluir os métodos de treino adequados.
A incidência de lesões pode ocorrer a partir do momento que se analisa individualmente cada competição e o nível de treino associado. Há de se tomar as devidas precauções para os atletas juntamente com sua deficiência específica para a prevenção das mesmas.
Entretanto, como em qualquer outro esporte a ocorrência de situações de lesão são sempre comuns e seus efeitos podem ser devastadores dependendo da maneira de se observar o atleta em sua recuperação. Muitas vezes ela não ocorre de forma simples e meramente física. Aspectos psicológicos como os emocionais e de pensamento agem, por vezes, como determinantes para a sua recuperação.
Por esta razão, uma prevenção psicológica se faz necessária devido à alta complexidade de emoções, sentimentos e pensamentos negativos associados a uma lesão esportiva. Se este atleta não reunir uma estrutura básica de suporte frente a adversidades e frustrações deste tamanho, a tendência é a dificuldade maior no quadro de lesão. Dessa maneira, uma verificação de como ocorreu a lesão se torna necessária para evitar novos quadros, assim, pode-se verificar quais elementos prejudicam o atleta.
Os benefícios da psicologia esportiva variam em auxílio para os profissionais que lidam com atletas. Nestes casos, são realizados mapeamentos, aplicações de testes e inventários psicológicos, questionários e uma constante troca de informações com os atletas e comissão técnica a respeito de seu rendimento esportivo.
Por estas razões são estabelecidas métricas associadas a fatores psicológicos que podem auxiliar em seu rendimento já que, com esta permanente avaliação, será possível associar a lesão a fatores afetivo-emocionais, socioeconômicos, institucionais, pensamentos disruptivos e/ou relacionamento com a equipe e esporte atuante.
Para simplificar: o psicólogo do esporte tenta nomear o momento paralisante vivido em torno de um atleta e como ressignificar o duro processo de recuperação.
Uma manifestação genuína de sentimentos por vezes negativos infelizmente é negligenciada por aqueles que entendem que somente o corpo tem a capacidade de cuidar da regeneração dos atletas lesionados. Sempre que houver um atentado ao corpo e a integridade física, um ser humano experimentará reações constitucionais.
Conceba agora a ideia de não poder continuar com sua rotina de treinamentos de forma normal. A primeira ideia geralmente é a de negar que a lesão pode ser tão grave como se mostra, e para isto este atleta poderá buscar outras avaliações que sejam diferentes da diagnosticada anteriormente e, quando percebe que não haverá mudança no mesmo resultado insiste em dizer que não há nada de errado. Este movimento retarda a aceitação e posterior busca por recuperação.
O próximo estágio se refere à raiva da descoberta da gravidade da lesão, então reações hostis são esperadas principalmente na relação com pessoas significativas.
Após a perda dos benefícios como atleta a tendência é sentir pena de si mesmo, e este é o momento crucial para uma melhor recuperação. Este é o ponto que reitero a importância de se obter estruturas emocionais consistentes e preventivas. Somente com esta estrutura o atleta terá inteligência emocional e maturidade para lidar com a adversidade, e também no que concerne ao externo, o apoio familiar e dos profissionais envolvidos é de suma importância.
Essa aproximação acontece pelo próximo estágio, de depressão, isto dependendo de como o atleta lida com as expectativas e com a realidade. Ele pode entender que a lesão não se curará nunca mais e isto gera uma profunda falta de esperança. Por esta razão ele se isola do meio social que tanto lutou para conquistar e muitas vezes não consegue o apoio daqueles que são significativos em sua vida e, certamente, o apoiariam em sua recuperação.
Quando este atleta percebe que está se curando podem surgir transtornos voltados à etapa anterior do atleta a lesão. Como citado anteriormente, toda lesão causa um significado no atleta que interrompe sua ação pré-lesão.
Dessa forma ele pode ter a sensação de que voltará a se lesionar e portanto estar incapacitado de voltar a ser o que era antes da lesão, ou até mesmo querer continuar com a lesão por receio de não render o esperado, dessa forma a lesão serve como alívio da pressão no esporte e aquela exercida por pessoas próximas.
Mas se as etapas ocorrerem dentro do esperado a recuperação deste atleta transcorrerá da melhor maneira possível.
Finalmente o último e mais delicado estágio vivido por este atleta é o de reabilitação. Este é o momento de começar os primeiros passos de alto rendimento.
Podem aparecer momentos de ansiedade sobre o desempenho no esporte, e isto causa momentos de tensão muscular. Neste momento o papel dos profissionais que atuam com este atleta é fundamental, pois com o apoio dado aos mesmos, saberão identificar sentimentos e sensações comuns na retomada de uma lesão.
Pode ser que o atleta tenha medo de expressar sentimentos e emoções ao treinador ou comissão técnica por achar que nunca mais será escolhido para integrar a equipe. Um esclarecimento sobre a situação pode evitar mal entendidos nessas situações.