Pular para o conteúdo
Áreas de Atuação Psicologia Organizacional

Aprendizagem de Adultos nas Organizações

Academia do Psicólogo
Academia do Psicólogo

Psicólogo, por que você quer aprender? Quais são as suas ambições, sentido, qual problema você quer resolver? Como você gostaria de receber os conceitos que transformará em comportamento?

Estas são algumas perguntas das muitas que você, nós e outros fazemos na tentativa de investigar mentalmente aquilo que precisamos para melhorar nossas vidas em muitas áreas: profissional, financeira, espiritual, lazer.

Mas convenhamos... a vida é uma só, não é mesmo?

Faz sentido segmentá-la até a “página 2”, mas nós, psicólogos, sabemos que as ações praticadas em uma determinada área da vida influenciam novas ações e reações, inconscientes ou não.

A cada demanda profissional que surge, é preciso ter um comportamento ou uma nova habilidade desenvolvida. Neste processo busca-se referências, conceitos, conteúdos para fundamentar uma teoria de que o problema “X” será resolvido e assim, executar seus afazeres diferente e melhor do que já executavam – claro, na teoria tudo é lindo.

Por qual motivo as pessoas precisam fazer diferente e melhor?

Aliás, quais motivações elas encontram para isso?

No excelente livro “Motivação 3.0” de Daniel Pink, é descrito que a motivação se relaciona com o legado que nós queremos deixar e que isto reflete a busca por um melhor desempenho naquilo que praticamos em nossas vidas.

Talvez seja esse o melhor sistema de recompensa, não é? Sentir-se bem consigo mesmo e prol de um bem maior. E se considerarmos que as pessoas passam mais tempo em seus trabalhos do quem em suas casas (mesmo que trabalhem em casa), então estas mesmas pessoas precisam de bases sólidas para não se desmotivarem, precisam saber “o quê”, “por quê” e “como” fazer para que este legado continue sendo construído, dia após dia. Resumindo: precisam aprender.

Eduard Lindeman afirma que o adulto aprende quando torna consciente suas experiências, quando torna os conceitos em comportamentos que o ajudará a superar obstáculos em busca de sua autorealização.

Para você, psicólogo que trabalha com o desenvolvimento de gente, seja qual for a sua área de atuação no mundo das organizações, saiba que os adultos aprendem quando suas necessidades, experiências, diferenças individuais são consideradas.

Se você trabalha em uma consultoria ou irá contratar uma; se você é cliente do RH ou é o RH; se você apenas se preocupa com o seu desenvolvimento e dos demais da sua área, seja você um líder ou não, saiba que um modelo baseado na Andragogia – aprendizagem de adultos – facilitará com que as pessoas tomem suas próprias decisões em relação ao que precisam para sair do mundo comum e se desenvolverem.

Andragogia - A aprendizagem de adultos

De acordo com Malcolm Knowles, a educação de adultos é pautada em 6 princípios:

1 – Necessidade de saber: adultos precisam saber o motivo de estarem aprendendo algo ao passarem 8 horas por dia em uma sala de aula, isso se pensarmos em um modelo de treinamento defasado e de pouco valor experimental – falaremos disso mais à frente.

2 – Autoconceito: adultos tornam-se independentes e responsáveis por suas decisões em suas vidas, é uma forma de mostrar que são capazes de realizar com os conceitos que estão recebendo.

3 – Experiências: adultos têm mais experiências de vida do que as crianças, logo, acumulam hábitos, conquistas, derrotas, preconceitos, manias. São situações importantes que determinarão como cada indivíduo precisa aprender ao considerar seus estilos, perfis, tipos psicológicos. A troca dessas experiências individuais co-facilidatas por alguém, produzirá um significado maior para solução de um dilema.

4 – Prontidão para o aprendizado: adultos precisam saber qual problema resolverão a partir de um novo aprendizado, estão predispostos a adquirir algo que incorporarão em suas vidas para transitar entre um estágio de desenvolvimento e outro.

5 – Orientação para aprendizagem: adultos, a partir de sua prontidão, identificam se estão estudando disciplinas ou recebendo ferramentas para o dia a dia. Os “comos” fazer e não somente os “por quês”. E aqui cabe uma provocação: este material é um “como” ou um “por quê” para você, psicólogo? Não que ambos não sejam importantes, mas considere o quanto estes conceitos são transformados em comportamentos na sua profissão. Se você já os pratica e tem resultados com isso, então já sabe como fazer – mas nada o impede de buscar mais “comos” e “por quês”.

6 – Motivação: adultos não querem saber se a “disciplina vai cair na prova”, mas como todo o processo de aprendizado terá um valor em sua vida, valores intrínsecos e recompensas pessoais – e aí voltamos ao Daniel Pink. Contudo, aprender pode ser dificultado por falta de recursos, modelos defasados, desestimulantes, de baixa experiência.

Pense bem: hoje, você ficaria ou recomendaria que alguém de sua equipe ficasse uma semana, 8 horas por dia dentro de uma sala vendo slides e ouvindo uma pessoa falar?

Isso ainda acontece! Mas é fato que o mindset das pessoas está mudando e o mundo junto com ele. Adultos, adolescentes e até crianças – a geração millenium – são autodidatas. Os conceitos, antes repassados por um mentor ou grande professor, hoje estão a um “click” de distância. O que se faz é discutir isso em sala, um espaço físico ou virtual, como esse aqui... a Academia. É o chamado flipped classroom ou flipped learing.

Além disso, o “treinamento” não termina na “sala de aula”. Ele continua no dia a dia, na prática, quando os conceitos são testados na função, quando o líder ou demais funcionários criam ações para estimular que um tema específico continue sendo estudado, como um clube do livro, por exemplo. EADs, os e-learnings, como processos de interação, com logística barata e acessível de qualquer lugar, gerando conteúdos que também são bons reforçadores do aprendizado. Além dos feedbacks, planos de ação e construção de PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) tão popular dentro das empresas.

A todas essas ações se dá o nome de Transferência do Aprendizado.

Enfim, o tema é vasto e o artigo não pode ser longo. Mas é claro que você pode tirar suas dúvidas aqui na sessão de comentários. E você, psicólogo das organizações, que aprende e também é responsável pelo aprendizado de pessoas, tenha em mente que proporcionar esta mudança na vida delas a partir do desenvolvimento de novas habilidades, é também atrelar tudo isso ao negócio da sua empresa.

Qual a relevância um treinamento de técnicas de vendas terá para o negócio? O que ou quem poderá confirmar esses resultados? (O departamento de vendas passou a vender mais, o clima está mais leve?). Quais são os critérios específicos de sucesso? (Indicadores, aquilo que pode ser medido indicando o clima, vendas e etc.?).

Tudo isso a ser alcançado a partir de uma pessoa, um time, seres humanos aprendendo e motivados para isso, selecionados dentro de um modelo organizacional que pode abrigar uma Universidade Corporativa ou simplesmente, uma área interessada no desenvolvimento de gente.

Que responsabilidade! 

Você está preparado?

Autores:Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.

Compartilhar este post