Afinal, o que é Psicologia do Esporte?
A atividade física faz parte de nossa constituição e é responsável pela evolução direta do Homem quando mostra que o movimento se constituiu como estimulante à vida e à sobrevivência através da caça, que foi a maneira encontrada para a continuação de nossa espécie.
Mas nada disso seria um diferencial se não houvessem aspectos psicológicos que compõem esta dinâmica. Aspectos estes que são interessantes para a Psicologia do Esporte. Sendo assim, esta ciência responde a uma pergunta principal:
Como fazer com que este praticante de atividade física tenha mais qualidade de vida e um melhor desempenho nos esportes?
Com o advento da ciência pudemos então nomear os processos associados à prática de atividades físicas e ter a possibilidade de responder a estas perguntas, mas isto foi possível para a Psicologia apenas em 1925 quando se inaugurou o primeiro laboratório norte-americano de psicologia do Esporte na Universidade de Illinois com o professor Coleman Griffith.
Tal necessidade surgiu da ideia geral na época que os esportes eram feitos apenas de jogadores que possuíssem um condicionamento físico excelente, não levando em consideração a relação mente e corpo.
Ignorância
A Psicologia, como ciência em si, era ignorada, e entendo ser compreensível que eles não soubessem de assuntos posteriormente explorados como: personalidade, intensidade ideal, motivação, foco, concentração, psicomotricidade, coesão de equipes e intervenções que melhoram o desempenho como relaxamento, mudança de pensamentos negativos, imaginação e autocontrole.
E estes são apenas conceitos básicos.
Em função de uma posição essencial que a atividade física proporciona na vida contemporânea, a Psicologia do Esporte encontrou nesse campo uma enorme possibilidade de intervenção. Apesar de ela ter se expandido apenas nas décadas de 80 e 90 pelo mundo esportivo, ela abrange uma grande variedade de atividades clínicas, educacionais e de pesquisa.
Embora a área esteja relacionada fortemente a melhora do desempenho do atleta, ela pode ser aplicada em vários ramos das atividades humanas já que os conhecimentos da psicologia abrangem as influências na aplicação do esporte e do exercício.
Um exemplo disto é a relação que os familiares exercem sobre um atleta, como a motivação pode elevar os índices de obesidade de um indivíduo e até mesmo a formação dos jovens que praticam esportes e criam sua personalidade ao longo dos anos.
Diversidade
Desta forma, o Psicólogo do Esporte está em escolas, clubes, espaços de recreação, clínicas, inclusão de pessoas com deficiência, clínicas médicas e reabilitação, esportes olímpicos e paraolímpicos e até mesmo empresas.
Neste cenário, perceba que o esporte e a atividade física são apenas um meio para se promover o bem estar.
Aliás, esta deve ser a prioridade do Psicólogo do Esporte, que infelizmente vem sofrendo uma influência negativa de profissionais que optam por atuar fora da ética profissional, o que também reflete a situação preconceituosa que vivemos nesta área.
Agora vamos ao ponto chave da apresentação da Psicologia Esportiva.
A atuação difere-se dos espaços que tradicionalmente os psicólogos ocupam como os consultórios por exemplo. Esta visão antiga não se enquadra na responsabilidade que o Psicólogo do Esporte assume, por isto, é esperado que ele se locomova ao espaço do atleta e do praticante de exercícios físicos e faça um mapeamento inicial bem desenvolvido para dar início aos trabalhos. Isto não exclui a necessidade de um encaminhamento para tratamento mais aprofundado caso seja necessário.
As intervenções pautadas na ética profissional deve ser sempre observadas pois a dinâmica envolvida abrange estas variáveis externas e que outrora não colocavam o psicólogo nesta posição ativa. Por isto, habilidades sociais serão sempre usadas e procurar conhecer o esporte praticado é de suma importância para uma relação minimamente produtiva.
Minha intenção nos próximos textos e vídeos deste canal é atualizá-lo sobre as principais novidades dessa fascinante atuação e para isto vou resumir o que vocês encontrarão no que se segue:
1. Melhora do Desempenho:
Intervenções que se destinam a favorecer o melhor desempeno esportivo possível como estabelecimento de metas, uso da imaginação, regulagem da intensidade e ansiedade pré-competitiva, estímulo de foco e concentração, hipnose aplicada ao esporte, regulagem e como ativar a motivação. A expectativa é que estas intervenções se adequem à abordagem teórica escolhida.
2. Promoção da Saúde:
Aplicações que promovam a saúde física e mental de praticantes de atividades físicas. Esta parte visa mostrar como a entrada do psicólogo nas comunidades e o incentivo a prática do esporte pode modificar a dinâmica institucional.
Visa também ao alcance da população no geral que tem dificuldades em estabelecer uma relação satisfatória com a atividade física. Por fim, para demonstrar ainda mais a capacidade de abrangência da área, haverá referências de aplicações de exercícios psicológicos em casos de distúrbios mentais bem como a avaliação de como a participação nos esportes trazem condições psicossociais positivas.
3. A clínica dos Esportes:
Como atuar na psicologia clínica esportiva? Esta pergunta foi postergada pelos teóricos iniciais por conta de sua preocupação com as atuações em campo. Por isto, alguns psicólogos do esporte ficam confusos com os limites éticos e aplicações clínicas.
Este assunto explorará temas como avaliação, psicopatologia associada ao esporte e como realizar o encaminhamento. Este movimento será de suma importância para aqueles que nunca praticaram a clínica esportiva.
4. Profissão:
Este tópico destina-se àqueles que querem trabalhar com a Psicologia esportiva, os temas principais estão ligados a profissionalização da mesma. O que é preciso para me tornar um psicólogo do esporte? Que treinamento devo realizar? Quais referências? Qual é a ética profissional que devo assumir?
