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Áreas de Atuação Psicologia Organizacional

5 Dicas Para Construir uma Carreira de Sucesso nas Organizações

Academia do Psicólogo
Academia do Psicólogo

Se há algo fácil de encontrar nas mídias no que tange a carreira em organizações, são dicas para ter sucesso.

E não precisamos ir muito longe para achá-las.

Em São Paulo, o Max Gehringer tem uma coluna diária na rádio CBN, onde, por meio de casos reais, fornece dicas práticas para as pessoas resolverem questões de carreira.  Quadros como “Sala de Empregos” do Jornal Hoje da Rede Globo, ou os especiais produzidos pelo Jornal da Globo da mesma emissora, também oferecem informações relevantes para profissionais.

Uma das minhas profissionais prediletas é a Adriana Gomes, que além de Psicóloga e Orientadora de carreira, é colunista da revista Exame e Jornal Folha. Sempre tem um vídeo dela na página da Exame comentando sobre questões de carreira.

Ter tantas mídias e profissionais renomados versando sobre este assunto, torna ainda mais desafiadora a tarefa de escrever um artigo que tenha um “quê” disruptivo.

No entanto, existe aqui algo bem específico: este artigo é escrito para Psicólogos e Psicólogas que desejam construir uma carreira em organizações, algo pouco comentado e valorizado na graduação de Psicologia. As dicas que seguem são bastante funcionais, mas ao mesmo tempo podem ser aquela informação a se ter “no bolso” quando tiver de enfrentar uma situação adversa. Vamos a elas:

#01 Filtre as informações da graduação

Conversei com alguns estudantes de psicologia, para não parecer que estou escrevendo baseado somente nas impressões do meu período de graduação e, infelizmente, não constatei algo muito diferente.

Alguns professores começam a falar de Christophe Dejours, o que é muito bom, mas não o suficiente. Aos professores, e talvez até a alguns alunos, parece que o psicólogo que trabalha nas organizações é um “traidor do movimento”, ao “se vender aos mandatos do capitalismo”.

Não é bem assim.

É fato que vivemos num regime capitalista, com empresas que praticam a meritocracia, baseada em desempenho individual e resultados atingidos, gerando ganhos financeiros maiores para os melhores e menores para os piores.

Mas em que cartilha está escrito que para ser psicólogo nas organizações é preciso abolir este sistema?

Críticas e não aceitações são muito bem-vindas quando bem fundamentadas.

Mas fazer parte de uma organização e estar inserido neste modelo, pode até te permitir construir uma reserva financeira que permita financiar outros empreendimentos pessoais, iniciar uma carreira acadêmica, etc.

Trabalhar numa organização privada e meritocrática não é crime, pelo contrário, é apenas uma das N carreiras que a Psicologia pode te oferecer.

E fazendo um pequeno gancho, lembro a você, psicólogo clínico, que a sua carreira e ganhos com a clínica também fazem parte do mesmo sistema capitalista.

Seja o seu pensamento altruísta ou não.

#02 Beba na fonte da administração – mas não se esqueça que é psicólogo(a)

Eu sei, isto pode soar um pouco chato, mas quando falamos de “Psicologia organizacional”, é mais fácil achar livros escritos por administradores do que dentro da própria Psicologia.

Isso gera ao meu ver dois tipos de profissionais:

1) aqueles que esquecem que são psicólogos e se tornam administradores por experiência ou;

2) aqueles que evitam beber na fonte da administração e se tornam psicólogos limitados no ambiente corporativo; carreira estagnada, baixa empregabilidade, são sintomas desse profissional que escolheu limitar seu espectro de conhecimento acerca das empresas.

Aprender sobre administração sem esquecer que é psicólogo, é ganhar a linguagem para levar sua Psicologia às pessoas no meio organizacional.

Qualquer que seja o ambiente em que você decidiu trabalhar, é necessário estar conectado a ele, e genuinamente se familiarizar com a realidade à volta. Aprenda sobre finanças, manufatura, remuneração... talvez um dia, quando você for falar à um grupo de pessoas sobre as tendências de mercado e quais os caminhos que a área de gestão de pessoas deve seguir para os resultados da companhia melhorar (afinal, a grande expertise da nossa área de formação se relaciona à pessoas), alguém te aborde e fale: “Nossa, como você fala bem sobre esse assunto, você é economista? ”,e você responderá com um imenso orgulho, “não, sou psicólogo(a)”.

#03 Tenha uma cultura diversa

Pode até parecer chover no molhado, mas está mais do que na hora de profissionais interessados em entender as organizações terem uma cultura diversa.

Isso quer dizer ampliar o olhar, buscar conhecimentos além dos treinamentos que você tem na empresa em que trabalha ou estagia, ler conteúdos que fogem do status quo, ler sobre arte, ouvir uma música diferente, assistir um filme norueguês, por aí vai.

Para ser mais literal, vou citar três livros e três filmes que eu recomendo:

Presente e Futuro – de Carl Jung – livro escrito em 1957, está longe de ser um livro de administração, menos ainda de Psicologia organizacional. Mas oferece uma visão psicodinâmica inconsciente daquilo que Jung vislumbrava para o homem no futuro. Estaria ele correto? O que ele errou? O que acertou? O que está escrito lá que é ainda real? Como a psicodinâmica social impacta nas relações de trabalho contemporâneas? E quantas questões mais quiser fazer!

A corrosão do caráter – de Richard Sennett – voltamos ao trecho inicial de “se vender” às organizações. Aqui está uma bela crítica, escrita em 1998, que ajudará você a construir também sua crítica e iniciar um movimento que pode mudar as relações de trabalho do futuro; a priori, a mudança está sempre em você.

Estratégia do Oceano Azul – de W. Chan Kim e Renée Mauborgne – um livro disruptivo em estratégia corporativa, escrito em 2005. Lê-lo pode gerar insights tão diversos que fica difícil descrever, mas alguns deles podem ser: entender melhor o modelo de negócio da empresa que você trabalha, aplicar o modelo numa consultoria que você deseja abrir, utilizar o modelo para fazer a gestão da sua equipe, dentre muitos outros

Bônus: O Novo Social Learning – de Bingham e Conner: tem tudo a ver com o propósito da Academia do Psicólogo!

Nos filmes serei sucinto na descrição, para evitar qualquer spoiler:

O Capital – filme francês que conta a história fictícia de um executivo que foi promovido a presidente de uma grande corporação, e as mazelas empresariais contidas neste contexto – será tão fictícia assim?

Cirque du Soleil – se não teve a oportunidade de assistir ao vivo nas visitas que o grupo fez ao Brasil, ou nas apresentações fixas que mantém pelo mundo, assista na NetFlix ou compre um dos DVDs e repense tudo aquilo que tinha como conceito de excelência, qualidade e trabalho de equipe.

O Poderoso Chefão – sei que esse parece um tanto óbvio, mas eu diria que a trilogia, dentre outras coisas, conta a história do capitalismo moderno. Já assistiu com esse olhar? Caso não, faça. Isso torna a história ainda mais interessante.

Lembrando que essas dicas são somente algumas das inúmeras que você pode buscar. Estar inserido no mundo das organizações, não invalida a construção de um raciocínio crítico daquilo que pode ser melhorado para propiciar ambientes de trabalho melhores às pessoas. Isso passa por ter uma visão histórica das relações de trabalho, em seus defeitos e virtudes.

#04 Não tenha medo dos números

Uma das frases mais típicas que se ouve no mundo das organizações é “eu sou psicólogo, não entendo de números”.

Vamos lá, em bom “psicologuês”, isso não é uma resistência? Números fazem parte da sua vida: sua idade, sua altura, seu RG, sua conta bancária, a placa do seu carro.

Os números por si só são neutros, nem bons, nem maus. A aversão nasce daquela aula chata que você teve na escola. Mas passou!

Agora já é hora de entender de números, compreender que eles também são parte integrante daquilo que chamei de “linguagem das organizações” e “cultura diversas”.

Tem um canal muito bom aqui na Academia voltado exclusivamente a Finanças para Psicólogos. Compreenda o inconsciente, mas faça o mesmo com o salário, receita líquida, prejuízo...

Não precisa ser o Pitágoras e reinventar a matemática, mas dominar conceitos básicos, dará a você ainda mais ferramentas para progredir na carreira ou até mesmo para empreender em seu novo negócio, afinal de contas, como você contabilizará o lucro da sua nova empresa se não souber de números? J

#05 Seja o agente de mudança daquilo que você deseja ser

E para finalizar, volto ao início novamente. A Solução Ativa, proposta que Rodrigo e eu estamos desenvolvendo, nasceu de alguns incômodos nossos em relação ao mundo corporativo.

E você? Trabalha no mundo corporativo e não concorda com o modelo vigente? Ou sequer pensa em trabalhar em empresas porque elas “maltratam” as pessoas?

Não tem problema ter essa visão, mas qual é a sua proposta?

Dentro ou fora de uma empresa, seja o agente de mudanças. Ganhe espaço, proponha suas ideias, entenda do tema. Faça da sua experiência no mundo corporativo uma fortaleza de aprendizagem para gerar novas ideias e execuções. Reclamar, se eximir, evitar, não assumir responsabilidades, não têm o mesmo efeito positivo de mudança que tomar iniciativa, têm.

Lembre-se: você é psicólogo(a) – ou quase um(a)!

Um Abraço!

Autores:Rafael Rodrigues e Rodrigo Moreira.

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