O Toque da Psicologia Biodinâmica no Trabalho de Desenvolvimento de Pessoas

Escrito por Academia do Psicólogo | Oct 5, 2016 1:52:00 PM

Nesse vídeo, Luciana Calazans faz uma introdução sobre a experiência de levar a Psicologia Biodinâmica, uma abordagem corporal, para um contexto diferenciado do contexto clínico – como base para trabalhar com Desenvolvimento de Pessoas.

https://player.vimeo.com/video/184907841

AUTORA

LUCIANA CALAZANS

bemviveredesenvolver@gmail.com

Luciana Calazans quer compartilhar com você essa abordagem apaixonante que integra corpo e emoção e mostrar que é possível, sim, buscar e criar formas mais eficazes de ser e estar no mundo a partir da própria essência. Encantada pela capacidade humana de transformação e pela sua força vital, acredita no desenvolvimento do potencial latente no indivíduo ou grupo, pessoal ou profissional - no Desenvolvimento de Pessoas. É Psicóloga (CRP 06/85520), Psicoterapeuta Biodinâmica e Coach de Desenvolvimento de Pessoas. Co-fundadora e Diretora de Projetos da Bem Viver e Desenvolver.

Transcrição

Tudo bem com vocês? Sou Luciana Calazans, sou psicoterapeuta biodinâmica e coach de desenvolvimento de pessoas. É, e sou coach, agora tive o prazer de fazer parte da primeira turma de coaching psicólogo da Academia do Psicólogo e foi muito bacana, veio agregar um trabalho que eu faço já com desenvolvimento de pessoas e que é justamente desse trabalho que eu vim falar um pouquinho aqui com vocês.

Então assim, como será possível utilizar uma abordagem como a psicologia biodinâmica, que é uma abordagem corporal, em um outro contexto, que não seja o contexto de consultório, o contexto clínico, já conhecido, ou o contexto de grupos vivenciais, mas com um foco mais clínico. Então assim, quando eu estava na formação de psicoterapia corporal, que desde o início foi uma grande paixão, eu fui me envolvendo em tudo que era possível, desde a época de estudante, até a hora que eu pude fazer a formação mesmo, em palestras, vivências, cursos, fui para a formação e fui tendo experiência de trabalhos, vivências em grupo e percebendo o quanto que esse tipo de trabalho pode trazer uma forma de desenvolvimento diferente da terapia, do consultório. E eu fui vivenciando tudo isso dentro da psicologia corporal, de propostas da psicologia corporal, em congressos, enfim.

Porém, sempre com abordagens mais voltadas para a clínica, para o desenvolvimento pessoal, vamos dizer assim, e não com foco para o desenvolvimento profissional, de competências focadas no profissional. Então, fui me apaixonando, fiz uma formação para trabalhar como facilitadora de workshops, tudo dentro do pensamento da psicologia corporal, como que a gente prepara um trabalho, utilizando as bases da corporal para fazer um workshop. E aí, formada, fui trabalhar com a clínica, N experiências, experiências de grupos também, em várias situações, até que me deparei com a experiência de trabalhos mais focados para a empresa, de treinamento, de desenvolvimento de competências, com outros colegas, colegas que não eram, na época, não são até hoje, né, mas colegas que não eram da mesma abordagem.

Para mim, sempre foi ficando claro que a maneira de… o meu pensamento, quando eu ia pensar, tá, eu tenho que ir lá desenvolver com esse grupo um trabalho sobre comunicação. O meu pensamento sempre foi baseado em tudo que eu acredito. Eu acho que não tem como ser diferente, né? Cada profissional, quando vai olhar para uma situação, para um ser humano, para um grupo, para uma organização, ele tem aquilo que ele acredita, aquela linha de pensamento que ele acredita, como base.

E aí eu fui entendendo que era assim que eu ia fazer, porque eu não sabia fazer de outra forma. Então, claro, fui procurando também, né, formações e experiências para trabalhar nessa área, mas, assim, o que eu fui encontrando dentro da minha área foi… dentro da minha linha, desculpe, mais próximo foi da bioenergética. Então, fui buscando tudo, não encontrei nada dentro da biodinâmica em específico.

Porém, da bioenergética é algo com quem, assim, a biodinâmica conversa muito bem, né, as duas são linhas de psicoterapia neo-reichianas, então as duas são abordagens que entendem o ser humano como um ser único, corpo, mente, emoção, espírito, somos uma unidade só. Então, quando nós vamos construindo a nossa história de vida, já é muito popular dizer que nós vamos ficando com alguns traumas, né, que vão formando o nosso jeitão de ser o hoje. Ah, fulano é assim porque teve esse acontecimento quando ele era criança.

Isso é um papo bem popular já. E na corporal, nós temos uma outra visão também, que é agregada a essa, que além dessas formações, desse caráter que vai se formando, que é o nosso jeito de lidar com as coisas, isso tem um equivalente físico, né, que é a nossa postura, a nossa forma física que vai se formando conforme nós vamos crescendo e vivendo e nos desenvolvendo, né. Então assim, o caráter, ele tem o equivalente mental, emocional, comportamental e físico, postural.

Então a nossa história, ela não está somente na nossa mente, nas nossas emoções, ela está inscrita no corpo que nós vivemos, porque é através desse corpo e com esse corpo que nós vivemos tudo que vivemos. Foi com esse corpo que alguns tiveram que engolir o choro, foi com esse corpo que alguns tiveram que se proteger para não apanhar muito, foi com esse corpo que alguns viveram momentos de muita alegria, outros momentos de muita humilhação. Então foi tudo com esse corpo e cada um tem uma forma nesse corpo de lidar com essas situações.
E conforme a importância dos acontecimentos, né, a constância dos acontecimentos, nós vamos construindo também essa postura no corpo, né, que é equivalente à nossa postura diante da vida. E a biodinâmica também trabalha a partir daí. Então se nós queremos trabalhar com o ser humano o seu desenvolvimento, seja ele para acolhê-lo ou ajudá-lo a resolver uma situação de conflito, que ele pode aparecer no consultório, ou seja para ajudá-lo a desenvolver a sua competência em comunicação que ele está precisando no seu trabalho e isso está atrapalhando um pouco as coisas para ele, seja qual for, nós vamos trabalhar a partir desse princípio, que ele vive em um corpo e que aquele corpo é ele.

E que quando nós acessamos, trabalhamos e movimentamos esse corpo, nós estamos também movimentando os conteúdos lá dentro, nós estamos saindo de um padrão pré-estabelecido, um padrão enrijecido que nós construímos, que é aquele mesmo jeitão que a gente tem de lidar com todas as situações e nós vamos abrir novas possibilidades de ser, de estar no mundo, de lidar com as situações, de nos relacionar com as pessoas, de nos enxergar. Então assim, quando nós movimentamos esse corpo e quando nós criamos um movimento na vida também. E assim, tocar nesse corpo, de qualquer maneira que seja, seja com um toque mesmo, com uma massagem, com um exercício corporal, com uma respiração mais profunda, seja ajudando a pessoa a colocar a mão no seu peito, fechar os olhos, respirar e perceber como ela está naquele momento, isso vai ajudando a pessoa a ter contato, contato com o que realmente está dentro dela, já que hoje em dia nós vivemos tão virados para fora, para o mundo, para as exigências externas.

Então esse princípio é um princípio que nós vamos levar para todo e qualquer trabalho, mesmo que ele seja fora do contexto de psicoterapia, seja para um trabalho de desenvolvimento com empresários, para um trabalho de um café com mulheres empreendedoras, como fizemos há um tempo atrás. Enfim, sempre vai estar presente esse princípio, de que é naquele corpo que vive aquela pessoa e ele nos conta muito dela. E se ela conseguir chegar mais perto e perceber o que aquele corpo lhe diz, ela vai saber mais dela e vai poder então buscar a transformação que ela espera.

Esse eu acho que é um princípio básico que nós podemos ativar de várias maneiras. Quando nós falamos tocar o outro, tocar o corpo, pode ser com um toque mesmo de uma massagem, mas pode ser sem que a pessoa que está conduzindo esse trabalho tenha um toque efetivo, ou que um outro colega. Isso pode ser ajudando a pessoa a perceber-se, a entrar em contato com ela, a fechar um pouco os olhos para fora e poder olhar para dentro.

Então, essa é uma das propostas que sempre vem no início de um trabalho. Ajudar com que os participantes cheguem e estejam ali para aquela proposta e possam ir deixando lá para fora com o seu dia-a-dia. E um outro conceito que é muito interessante que é a amizade com a resistência.

O que é isso? Nós temos todas essas defesas que nós falamos, que eu falei aqui dessa formação de postura de acordo com os acontecimentos da vida e vão formando as defesas. A gente vai se defendendo para não correr riscos de sentir tanta dor de novo, de entrar na mesma situação, e isso é inconsciente. Então, esse é um conceito que, quando você vai fazer um trabalho com esse tipo de pensamento, com essa compreensão de ser humano, de desenvolvimento humano, nós entendemos, na biodinâmica, que a pessoa precisa sentir que ela tem um ambiente seguro e acolhedor para que, então, ela possa ser.

E é a partir desse ser que pode se abrir para mudanças. Porque quando ela se permite ser, ela pode olhar para ela sem ter ela apontando o dedo ou ninguém apontando o dedo, e pode descobrir outras formas. Então, num trabalho fora do consultório, se nós vamos trabalhar, por exemplo, com comunicação, foi o exemplo que eu dei aqui, ninguém vai chegar falando que o outro está fazendo tudo errado.
Ninguém vai chegar apontando o dedo, escrachando. A forma de trabalhar dentro dessa abordagem é chegar acolhendo e valorizando o que o outro tem. Vem aqui.
Então, nós vamos conduzir um trabalho que diga para as pessoas, pode chegar, pode confiar. Aqui você está para somar, para ser acolhido, para aprender, para se desenvolver. Então, isso vai aparecendo na forma de conduzir esse trabalho.

Isso vai aparecendo na forma de aceitar o que o outro traz e de valorizar o que o outro traz. E não já chegar falando que está errado, que está tudo errado. E depois que ele vem, fazer ele entrar em contato com como ele é diante daquele assunto abordado, vai fazer com que ele mesmo perceba aonde estão suas falhas e suas limitações.

E para isso, se for possível, nós vamos utilizar, sim, de levar para pôr o pé no chão, respirar, estar mais em contato com esse corpo. Tudo isso vai depender do contexto, mas mesmo que seja só uma palestra, a intenção, a intenção é muito forte na psicologia biodinâmica. A intenção vai ser toda colocada desde a hora que aquela pessoa vai estar entrando pela porta, desde a música que vai estar tocando, desde quando eu vou abrir essa palestra, e desde a escolha que eu vou levar de como conduzir essa palestra para que as pessoas se sintam acolhidas, que estão num lugar seguro, que elas não estão ali para serem criticadas, e sim que elas estão ali num lugar que valoriza o que elas têm, que elas deram o que de melhor elas podiam até hoje.

Mas que está ali para mostrar que elas podem encontrar dentro delas outras formas muito mais eficazes de ser, de estar no mundo de uma maneira mais satisfatória, que possa ajudá-las a conquistar o que elas querem, a se relacionar melhor, a ser mais felizes de uma maneira geral. Então acho que esse é um dos conceitos. A amizade com a resistência vem chegando na pessoa devagar, sem querer quebrar aquela resistência, sem querer rachá-la no meio, abrir, arregaçar para tirar o que está lá de dentro.

Porque se o que estiver lá dentro a pessoa não está preparada para ver, isso pode causar um estrago tremendo. Então, esse lugar seguro e ir chegando, fazendo amizade com a resistência, o que é? É esse não cutucar, é esse ir chegando perto e valorizando e deixando que o outro se sinta seguro para que ele possa ser. E aí, quando ele sente que pode ser, ele se abre.

A hora que ele se abre, você tem essa abertura necessária para ir direcionando outras coisas e convidando para um outro trabalho de transformação e de modificação, seja ele onde for. Espero que, de alguma maneira, vocês tenham conseguido compreender um pouco de como é essa coisa de levar a biodinâmica para outros contextos. Para mim, é a primeira vez que estou buscando explicar isso.
E é isso. Acho que o que eu falei aqui é a primeira coisa que eu penso quando eu vou direcionar todo e qualquer trabalho. Como acolher essas pessoas? Como fazê-las se sentirem seguras que elas podem ser? Esse é um dos princípios da biodinâmica.

E fazendo amizade com as resistências possíveis e todas que podem aparecer ali, e sempre aparecem, para que elas possam também ir sendo abandonadas, flexibilizadas no decorrer do contato. E contato. Biodinâmica é isso.

É contato. Sempre. Não é contato só de toque, não.

Você toca o outro pela sua fala, pelo seu olhar, por tudo que está envolvido nesse relacionamento e nessa comunicação. Obrigada, gente. Ficamos por aqui, então.