Quem gosta, se identifica, simpatiza e/ou tem envolvimento com a teoria e técnica psicanalítica, já deve ter ouvido falar do famoso tripé analítico.
Certo?
Bom, por via das dúvidas, vale lembrar que se trata de três recomendações freudianas para que o profissional trabalhe com a melhor e mais genuína forma do seu inconsciente.
Apesar do termo não ter sido criado pelo pai da psicanálise, ele representa os três pilares fundamentais para qualquer um que queira prosperar como via de autoconhecimento do outro.
O contínuo estudo teórico, a supervisão e o tratamento pessoal, formam a figura geométrica basilar da formação e atuação do clínico. Aliás, diferente de muitos anos atrás, nos quais o consultório imperava, hoje, todos esses elementos se mostram vitais para qualquer terapeuta psicanalítico, independente da área em que vai exercer a sua escuta.
De uma forma bem simplificada, podemos dizer que o estudo teórico contribui não apenas para que consigamos entender as estruturas e desenvolvimentos psicológicos, mas também, nos permite pensar em novas possibilidades.
Casando os escritos passados com os presentes, estamos em constante atualização, podendo abrir caminhos para novos entendimentos e novos olhares. Além disso, quanto mais conhecemos diferentes autores, mais podemos nos aproximar da subjetividade daquele que nos procura, pois não ficamos presos a uma única forma de compreender. A sociedade muda e a psicanálise não pode parar no tempo nem no espaço.
A supervisão, como já diz o nome, vai ampliar o campo de visão sobre os nossos pacientes.
De que forma?
Um profissional mais experiente ajudará a dar outros significados para os casos que estamos acompanhando. Nem sempre conseguimos captar tudo que permeia os atendimentos.
Ao buscar ajuda, temos a possibilidade de identificar pontos cegos (quando há interferências pessoais do terapeuta), reconhecer mais detalhes do funcionamento do paciente, discutir quais as melhores formas de intervenção e mais, encontrar no supervisor, um modelo de identificação. Alguém que nos servirá como referência enquanto construímos nossa identidade profissional.
Identidade essa, que também depende (diríamos, fundamentalmente) do reconhecimento da nossa psiquê.
De nada adianta vestir a camisa da profissão, se não vestirmos a nossa própria.
Antes de saber muito da teoria e muito do paciente, é preciso saber muito mais de nós mesmos. Caso contrário, os atendimentos podem ir por água abaixo.
Parece mentira, mas não é difícil encontrar estudantes de psicologia ou formados, que querem a psicanálise, mas não acham necessário se conhecer melhor.
Pessoas que resistem ao serviço que elas mesmas oferecem, acreditando que os livros vão resolver suas questões. Nada contra quem busca esse caminho, mas, desculpem-nos pela sinceridade: talvez não devessem seguir a psicanálise.
O inconsciente é nossa maior e mais importante ferramenta de trabalho. Portanto, cuidar dele é indispensável.
Por essa razão, sugerimos que: se você nunca se tratou (com um profissional da psicanálise, claro), faça isso! Não porque faz parte dos conselhos de Freud, mas para que você seja a melhor versão de você mesmo, fora e dentro do consultório. Para mais, assim como o supervisor, nosso psicólogo/psicoterapeuta/psicanalista torna-se mais um espelho, que contribui – e muito – para a forma de intervir.
É incrivel como esses três fundamentos se encaixam perfeitamente e juntos vão sendo internalizados ao longo da nossa caminhada como terapeutas. Aos poucos, o tripé vai nos dando forma e segurança, para assumirmos toda a responsabilidade da profissão.
Mas, espera! E aquele título lá em cima? Que história é essa de quatro apoios?
Calma! Vamos explicar.
Um tanto pretenciosas, nomeamos de “quatro apoios” a soma das três recomendações de Sigmund Freud - citadas acima -, a mais um ingrediente diferencial, a formação.
Mais especificamente, a uma instituição onde possamos nos vincular, não apenas para aprofundando teórico e técnico, mas também, para ver e sermos vistos. Não é todo mundo que pensa em dar continuidade nos estudos ao se formar. Não que seja uma regra fazer isso, mas, mais uma vez, se tratando de psicanálise…
Vincular-se a uma insituição para especialização, mestrado, enfim, é a chance que temos de, finalmente, focar.
Mesmo a melhor faculdade de todas, não dá conta de fornecer todo o conteúdo possível sobre determinada linha. Não por falta de competência, mas porque seria impossível!
Claro que podemos buscar, por nós mesmos, fazer cursos, participar de jornadas, grupos e tudo que estiver à disposição sobre o que queremos saber. Mas, quando ingressamos numa pós-graduação, descobrimos que estamos recém dando os primeiros passos em direção aos nossos objetivos.
Independente do local que escolhermos, além de ganhar contato com um material realmente consistente, passamos a trocar muito mais com colegas, professores e supervisores.
Exercitamos nossa capacidade de escrever, de apresentar estudos de caso e de fazer networking. Conhecemos mais exemplos. Começamos a construir nossa própria rede de encaminhamentos e, por vezes, dentro do próprio local, recebemos nossos primeiros pacientes, de forma segura e acolhedora. Não apenas para eles, mas para nós mesmos.
São muitos os benefícios e as vantagens de buscar “um algo a mais”. Ademais, para adquirir o título de psicoterapeuta psicanalítico e/ou psicanalista, por exemplo, ingressar num local específico de aprimoramento e formação, é obrigatório. Portanto, gostaríamos de encerrar propondo que - pela nossa experiência - esse “plus” é crucial nos dias de hoje.
O que você acha?
Até logo.
Autoras: Simples Insight - Que tal ouvir sobre psicologia e psicanálise de maneira leve, atual e divertida? Que tal aprender também sobre atendimento clínico, supervisão, atendimento online, redes sociais, início de carreira… Pois todos estes temas – e muito outros – serão tratados pelas psicólogas da Simples Insight. É a psicanálise abordada de uma forma mais solta, dinâmica e simples. Acessível para estudantes, profissionais e curiosos de plantão.