O Psicólogo, a Psicanálise e as Redes Sociais

Escrito por Academia do Psicólogo | Mar 24, 2016 9:13:00 PM

O profissional da psicologia deve usar as redes sociais? E se comunicar com os pacientes pelo Whatsapp, pode? Pode postar fotos no Instagram?

Vivemos em um momento que é inevitável nos depararmos com tais questionamentos. Em primeiro lugar, é bom esclarecer: não existe um manual para responder tais perguntas. São situações ainda muito novas, com as quais estamos aprendendo a lidar.

Talvez para uma geração mais antiga e conservadora de profissionais - da psicologia e da psicanálise -, seja mais fácil e cômodo se manter longe dessas  tecnologias. Mas, para quem faz parte de uma geração mais nova, parece ser quase impossível.

Quem não tem Facebook hoje em dia? Quase todo mundo tem. Inclusive quem é de uma geração anterior, quer estar atualizado e utiliza esses meios de comunicação e interação social. Além de muitas vezes ser um meio de trocas, leituras e marketing pessoal.

Princípios Psicanalíticos

Mas temos um papel importante como psicólogos ou terapeutas psicanalíticos, em que nossa vida pessoal não deve ser tão exposta. Por quê? Trabalhamos com o princípio da neutralidade, abstinência e anonimato, como já citou Freud e outros autores contemporâneos.

Na psicanálise, acreditamos que tal distanciamento ajuda o paciente a projetar aspectos próprios na figura do terapeuta, durante a análise pessoal ou no processo psicoterápico. Trabalhamos, fundamentalmente, com representações e fantasias.

Agora imagina se o paciente sabe muitas coisas sobre a vida de quem o trata? Onde mora, quem são seus amigos, para onde viajou no final de semana, quantos cachorros tem, se é viúvo, fumante... Adeus neutralidade, não é? Não será terapêutico! Claro que a mente sempre pode transformar informações reais, tendenciada pela pelas particularidades dos sujeitos, no entanto, quanto mais evitarmos determinados atravessamentos (ou rompantes), melhor.

É importante lembrar que o terapeuta deve sempre estar atento e se por algum motivo acontecer alguma situação inusitada, que isso possa ser trabalhado em sessão, como qualquer outro assunto. Um paciente pode enviar um convite para amizade no Facebook, buscar conversas mais longas por Whatsapp ou pesquisar informações pessoais do terapeuta, por exemplo. O importante é ter cautela e sempre tentar preservar o vínculo terapêutico.

Bom Senso

Nunca devemos nos esquecer de usar o bom senso. É ele que muitas vezes nos ajuda a lidar com alguma situação em que ficamos incertos sobre aquilo que é mais apropriado fazer. Na dúvida, se nos parece que algo não é adequado, é melhor não arriscar e primeiro ter mais claro para si mesmo qual a melhor forma de agir, afinal algumas situações nos pegam realmente desprevenidos.

Cautela é a palavra de ordem. Podemos estar nas redes sociais sim, mas é sempre bom ter muito cuidado para nos preservarmos e também cuidarmos de nossos pacientes com carinho, respeito e atenção.


Autoras: Simples Insight - Que tal ouvir sobre psicologia e psicanálise de maneira leve, atual e divertida? Que tal aprender também sobre atendimento clínico, supervisão, atendimento online, redes sociais, início de carreira… Pois todos estes temas – e muito outros – serão tratados pelas psicólogas da Simples Insight. É a psicanálise abordada de uma forma mais solta, dinâmica e simples. Acessível para estudantes, profissionais e curiosos de plan