Em tempos nos quais ter as 24h do dia ocupadas é sinônimo de sucesso, em que qualificação profissional está intimamente ligada à quantidade de horas semanais trabalhadas, em que já começamos o ano no dia primeiro de janeiro com posts nas redes sociais nos dizendo assim:
“Já se foi um dia. O que você fez hoje para chegar mais perto do seu sonho?”, escrever um texto dizendo que “o pouco é muito” chega a parecer um insulto a tanto esforço. São ainda tempos de fazer mais e mais. Mesmo que hoje isso seja em nome de uma independência financeira futura, de um sonho, de uma futura liberdade, estamos ainda sim em tempos de valorização do fazer sobre o ser.
O grande risco é deixar o ser sempre para amanhã e, com tanta pressa de chegar lá, acabar nem percebendo o fazer se desconectar do ser no meio do caminho.
Nada contra sonhos, objetivos e nem contra a determinação em fazê-los acontecer, em se realizar através do seu caminho. Isso é fantástico! E faz um bem danado ser capaz de construir o caminhar que se deseja na vida.
Porém, a exigência da perfeição, da rapidez de resultados, da comparação com a história e vida do outro é tanta, que o foco principal deixa de fazer sentido.
Na correria para chegar lá, deixa-se de estar aqui e viver verdadeiramente aquilo que escolheu para si.
Você pode estar pensando aí: “Tá, e o que isso tem a ver com a nossa prática profissional?”. A ansiedade de correr contra o tempo, olhando o foco lá fora, também pode tomar conta do psicoterapeuta ao desenvolver seu papel.
As pessoas não querem perder muito tempo olhando para si mesmas para descobrir-se e descobrir o caminho. Elas querem que o entreguemos pronto. De preferência naquele formato de “10 dicas para ser feliz”.
Junta isso com a tentadora e velha armadilha, de o psicoterapeuta se encaixar num lugar de poder, de quem sabe tudo sobre o paciente, de quem sabe qual o caminho a seguir e de quem vai promover mudanças no paciente e o que temos é uma bagunça só na prática psicoterapêutica.
Venho contar que o setting de Psicoterapia Biodinâmica envolve conceitos que nos mostram que não há espaço para o fazer desenfreado.
“O pouco é muito” é uma expressão que ouvi constantemente na minha formação e que faz todo o sentido na experiência dessa abordagem. E é disso que venho falar um pouquinho pra vocês hoje. Na psicologia biodinâmica, a relação terapêutica é a base onde tudo vai acontecer. Ela precisa estar forte para propor um espaço realmente seguro e acolhedor para que o processo do paciente possa se desenrolar.
Seu foco é no tempo, ritmo e necessidades do paciente e não nas exigências externas, nem do terapeuta, nem da sociedade.
Nós psicoterapeutas precisamos cuidar com a armadilha de nos sentirmos “donos”, responsáveis pelos processos de nossos pacientes. Somos figuras importantes sim no processo psicoterapêutico, mas o processo não é nosso, é do paciente. E quem pode conduzi-lo é ele. Nós, estamos ali com as ferramentas todas que temos para ajudá-lo a encontrar seu caminho, seu ritmo, a lidar com os obstáculos.
Mas, quem dirige o percurso é ele.
E, para ajudá-lo a ficar presente no aqui e agora, para que ele possa descobrir-se e ao seu caminho, nós precisamos focar e estar presente no aqui e agora, para enxergarmos e fazermos contato com a pessoa que está ali na nossa frente: nosso paciente.
Acredito que esse momento que vivemos fora do consultório do “quanto mais fazer melhor”, também pode influenciar nossa postura no setting terapêutico. Já é um risco sentir que é necessário fazer mais e mais para o paciente ter sucesso em seu processo. Sobretudo hoje em dia, quando o tempo fica ainda mais urgente.
Ninguém quer esperar para ver resultados, todos querem receitas fáceis, de preferência sem comprometimento e que tragam mudanças visíveis, rápidas e efetivas. Aí surgem propagandas de programas milagrosos capazes de transformar vidas num piscar de olhos. Essas propostas existem porque encontram aqueles que buscam exatamente isso: a pílula mágica.
E o psicoterapeuta pode se sentir tendo que “concorrer” com tudo isso. Lembram-se daquele ditado antigo? Talvez já tenha ouvido de seus pais ou avós: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Ele mostra um pouco da realidade atual. Infelizmente.
Aff. Qualquer profissional sério sabe que não existe processo mágico.
Aliás, chama-se processo por isso. Um passo de cada vez, que leva a outro passo. E o caminhar leva à transformação e ao resultado.
Muitos profissionais sentem-se mal de ter que colocar um pouco de realidade na expectativa do seu paciente em resolver, ou melhor, em que o terapeuta resolva para ele aquele problemão cultivado há tanto tempo.
Também faz parte de nosso papel frustar o paciente. Sim, quando ele vem na expectativa que você diga o que fazer, que você tenha a resposta, ou que exista uma resposta certa naquele momento. E, de repente, não é bem assim do jeito que ele quer.
O terapeuta pode levá-lo a descobrir sua própria resposta, mas isso exige contato, envolvimento e comprometimento dele nessa tarefa. E, essa resposta, pode não ser tão simples assim e precisar de tempo para que ele possa construí-la. Por outro lado, há vezes em que ela pode estar tão pronta dentro dele e só precisando de espaço para criar corpo e surpreender, tanto paciente como o terapeuta, na facilidade com que aparece.
O pouco é muito fala da necessidade de focar na qualidade e não na quantidade no processo terapêutico, fala de ser capaz de se colocar mais como expectador do processo e assim auxiliar o paciente a assumir o seu lugar de protagonista da sua própria vida.
Ainda mais quando falamos em uma abordagem corporal, onde temos infinitas técnicas para utilizarmos com nossos pacientes. É como se tivéssemos uma apostila com uma técnica para cada necessidade.
E aí vem o risco de focar na técnica e não na pessoa, de focar no fazer e não no processo.
A ansiedade do terapeuta de se mostrar capaz, eficiente, que sabe o que e como fazer, pode sabotar o processo e levá-lo a lançar mão de várias técnicas e ferramentas para “resolver” o problema. Quando na verdade, o terapeuta pode permanecer vários minutos apenas segurando a mão do paciente, se perceber que é disso que ele precisa. Ou ficar em silêncio com ele quando necessário.
Sim, temos ferramentas poderosas que existem para serem usadas – quando for realmente o seu momento. E aí, entrar na prática proposta sem pressa e atento ao momento do paciente – sua expressão facial, sua postura, seus gestos, a cor e o calor da sua pele, sua respiração, seu tônus corporal, seu tom de voz – é muito mais útil do que seguir qualquer receita de bolo ou aplicar uma sequência de técnicas.
Em Psicoterapia Biodinâmica aprendemos diversas técnicas completas de massagem e suas possíveis indicações, mas aprendemos junto que cada paciente e cada momento são únicos e vamos nos conduzir pelo que ele nos mostra.
Procuramos ouvir qual é o pedido do paciente: do que ele precisa naquele momento? Como podemos lhe ajudar nisso? É preciso estar com a escuta atenta. Não somente à fala das palavras, mas a que vem expressa em todo o contexto.
Como saber se sua intervenção vai ajudar ou atrapalhar, seja ela física ou verbal?
O importante é ir com cuidado, principalmente quando ainda estamos no início, fazendo vínculo, desenvolvendo a confiança e conhecendo o nosso paciente.
Um terapeuta muito “fazedor” pode inibir a capacidade do paciente de “cuidar de si”, levando-o a achar que o “saber” sobre ele está fora dele, está num outro – no terapeuta nesse caso.
Isso o coloca num lugar de impotência diante de suas questões, o infantiliza e o torna passivo. E tudo isso vai contra a proposta da psicoterapia, de levar o paciente a tomar as rédeas da sua vida em suas mãos, de amadurecer emocionalmente e se responsabilizar por suas escolhas. De fazer escolhas conscientes e com liberdade.
Outro cuidado a se tomar é que o terapeuta muito ativo pode acabar invadindo o paciente, entrando em terreno ainda não preparado.
A Biodinâmica busca trabalhar próxima do ego, busca fortalecê-lo para lidar com as questões difíceis que possam estar inconscientes. Essa postura aparece em toda forma de contato e técnica, seja no verbal ou no corporal. Fazemos isso quando optamos por não brigar com a resistência e sim fazer amizade com ela.
Gerda nos disse sobre as mães: “A maioria das mães é muito ativa, perderam seus próprios nirvanas e não conseguem compreendê-los. Por isso sentem dificuldade em sentar ali, ao lado do bebê e apenas ser, ser, ser…”. As mães acabam se tornando invasivas, não conseguindo respeitar o ritmo do bebê, por ansiedade, medo de errar, achar que tem que fazer e fazer.
Assim como nós, terapeutas.
A atitude terapêutica na biodinâmica vem baseada no deixar acontecer, através de uma postura atenta ao paciente, assim como a mãe atenta às necessidades do bebê, deixando que elas se expressem para serem saciadas e não se colocando à frente dele para deduzir e antecipar as necessidades.
Assim, o bebê sente que a satisfação que lhe veio é fruto de sua expressão e mobilidade e vai fazendo essa conexão. Com o paciente, acontece que a atitude do terapeuta, na postura de “parteira” é de ajudar a nascer aquilo que está ali pronto, e não de fazer uma cirurgia para retirar o que está escondido lá dentro.
Gerda traz o “método da parteira” onde o terapeuta abre mão da sua necessidade de “fazer”, de falar, de interpretar, de ser ativo e se coloca passivo, “paciente” dando suporte e confiando na força do núcleo saudável do paciente e na sua capacidade natural de curar-se. Oferece acolhimento, aceitação e um ambiente seguro para a expressão e desenvolvimento desse núcleo saudável.
Muitas vezes, estar ali presente verdadeiramente é tudo que seu paciente precisa.
Na visão winnicottiana, nascemos com uma tendência natural para amadurecermos e a mãe deve dar o suporte a isso, atenta às necessidades daquele bebê e não seguindo uma técnica de “como criar um bebê”.
Uma mãe é suficientemente boa na medida em que atende ao bebê em suas necessidades e não nas necessidades dela própria. Winnicott incentivava as mães a estarem mais atentas ao bebê, ampliando a sintonia com ele, mais conectadas a ele, do que a ouvir dos pediatras métodos padronizados de como fazer. Ele fala de aguçar a sabedoria interna de ser mãe.
E, trazendo isso para a psicoterapia, assim pode fazer o terapeuta no contato com o paciente, aguçar o contato verdadeiro com ele e ouvir o que ele precisa, propiciando um ambiente seguro para que ele naturalmente se desenvolva. As técnicas ficam na mochila para usarmos quando puderem nos ajudar, mas o que guia é o contato. A qualidade desse contato é fundamental.
Envolve a fé verdadeira do psicoterapeuta no processo natural do seu paciente, na sua capacidade de amadurecer, de se autorregular e se desenvolver.
Envolve também confiança na própria capacidade de percepção sobre o que está acontecendo ali na sua frente. E antes disso, envolve a capacidade de se conectar verdadeiramente com seu paciente, vê-lo e ouvi-lo por inteiro, tudo isso costurados com sua história.
“O Pouco é Muito” significa simplesmente que podemos ter melhores resultados com uma intervenção simples e focada, do que com grandes shows de técnicas, ferramentas e interpretações.
Muitas vezes, o que o paciente precisa é de acolhimento e segurança e não que o terapeuta lhe explique o que está acontecendo. Precisa de um ambiente onde possa ser e vivenciar o que há nele e a partir daí encontrar o seu núcleo saudável.
Podemos nos questionar: o que leva o organismo a se afastar do seu núcleo saudável? A retirar tanto conteúdo da consciência e deixá-lo guardado no inconsciente, gerando efeitos terríveis para sua vida? A necessidade de se proteger de algo ameaçador. Essa é a função do sistema de defesa.
Gerda Boyessen nos fala de outras couraças além das musculares, mais visíveis e perceptíveis na postura, já descritas por Reich. Ela nos fala da formação de couraças viscerais e tissulares, que são distúrbios mais sutis. As couraças constituem o sistema de defesa psíquico/orgânico da pessoa. Sua formação foi necessária no momento em que se fez para proteger e manter a sua integração.
Então, por que nós, psicoterapeutas, queremos desfazer essa estrutura de proteção?
O desenvolvimento das couraças tem como consequência a perda da flexibilidade natural para a pulsação saudável (contrair e expandir). A energia vital fica impedida de circular livremente por todo o organismo e mesmo possuindo uma boa concentração de energia no corpo, essa energia na maioria do casos não está disponível. Perde-se a capacidade natural da autorregulação.
Podemos dizer que a autorregulação é expressão da personalidade primária, que as couraças reprimem, ao bloquear a circulação natural de energia pelo nosso corpo, impedindo-nos de ser simplesmente nós mesmos, de entrarmos em contato com nosso potencial e utilizá-lo plenamente.
Essa compreensão pode trazer algumas atitudes perigosas por parte dos terapeutas ao entender que a solução é focar o trabalho terapêutico na eliminação ou quebra das couraças, ou seja, do sistema de defesa do indivíduo. O risco ao ignorar a sabedoria do organismo é não perceber a importância dessa defesa para a integridade pessoal.
Ela está protegendo o quê?
E do quê?
Por trás dela há material inconsciente.
E o que pode acontecer quando trazemos à tona o que havia reprimido ali?
O grande perigo é promover uma nova couraça, mais complexa e menos aparente.
A lógica é a seguinte: se aquela não deu conta da proteção, providencia-se outra mais resistente e difícil de ultrapassar.
Essa couraça nova que surge para se defender dessa invasão terapêutica, quando ainda não há maturidade para assimilar e integrar o material reprimido, chama-se Couraça Secundária.
E o objetivo, que era chegar mais perto do conteúdo inconsciente, por um momento pode até parecer alcançado, porém depois percebe-se uma dificuldade ainda maior em alcançá-lo. Em vez de aproximar, afasta. Em vez de gerar ambiente seguro e confiável, gera desconfiança, afastamento e ampliação da defesa.
E em casos mais extremos, se não houver a base para montar essa defesa secundária, corremos o risco de um surto psicótico acontecer.
Na Psicoterapia Biodinâmica o objetivo principal da terapia não é a quebra do sistema de defesas e a expressão emocional a qualquer custo. Vários fatores importantes são levados em conta como a maturidade e a força do ego, os recursos internos existentes, o momento presente na vida do paciente e a capacidade de assimilação intelectual.
Dessa forma, evitamos a formação defensiva da Couraça Secundária e podemos criar condições para que naturalmente o ego vá amadurecendo e se tornando capaz de suportar o contato com aquilo que está reprimido e inconsciente. Quando esse amadurecimento ocorre naturalmente, a necessidade de defender esse conteúdo desaparece.
É nessa relação de respeito que vai se desenvolvendo a maturidade emocional.
E naturalmente, o sistema de defesa só é aberto quando há como sustentar o que está por vir. Assim, o contato com o material reprimido é feito por opção, no momento em que há a capacidade de uma assimilação do mesmo e a possibilidade de uma ressignificação. Por isso a importância da atitude do terapeuta em respeitar o tempo orgânico do paciente, de fazer “amizade com a resistência”.
É realmente um papel de parteira, de esperar a hora e ajudar a nascer.
Fica fácil, então, entender o conceito de Gerda de derretimento de couraça no lugar da ideia de quebra do sistema de defesa. Com isso, ela mostra o caminho de uma atuação terapêutica suave, de forma que o sistema de defesa possa ser aberto naturalmente pelo paciente, de dentro para fora.
Esse trabalho consiste em transformar a forma encouraçada e endurecida de ser e estar no mundo, que foi constituída numa época da vida em que o paciente se encontrava dependente e vulnerável, com recursos internos muito limitados, sem ter como se proteger de outra forma.
Isto é, acreditar na possibilidade e abrir espaço interno para que uma nova forma mais saudável possa surgir e se reorganizar, com um fluxo mais livre de energia. Um novo modo de funcionamento mais maduro, aproveitando recursos do adulto que ali está.
Mas sempre respeitando a criança interna.
O papel do terapeuta é criar no vínculo essa possibilidade, esse ambiente seguro, que possibilita o amadurecimento. E também promover o reestabelecimento da sua capacidade de autorregulação, a abertura do inconsciente e o contato com seu movimento de expansão. O núcleo saudável existe e continua sempre pulsando. A terapia dirige-se para o contato com essa pulsação.
A autorregulação traz a capacidade de vivenciar a ansiedade gerada pela tomada de consciência do material reprimido.
É preciso respeitar o paciente e deixar que ele guie o processo. O aparecimento da couraça secundária é resultado da atitude do terapeuta, independente da abordagem terapêutica e das técnicas utilizadas.
O terapeuta capaz de estar presente e em contato verdadeiro com seu paciente, utilizando também de suas experiências pessoais de ter vivenciado seu próprio processo psicoterapêutico, pode perceber o momento certo de falar, intervir corporalmente ou promover uma vivência que facilite o processo do paciente.
Um terapeuta autorregulado pode ajudar na promoção da autorregulação do seu paciente. Pode usar verdadeiramente a si mesmo como instrumento de trabalho. Quanto mais espontânea for sua autorregulação, melhor você pode ajudar outra pessoa.
Quando confiamos no processo natural ao criar um ambiente seguro e respeitar o ritmo do paciente e ir assim chegando mais perto do inconsciente, usamos como base a ideia psicanalítica de que o conteúdo recalcado quer se tornar consciente e faz pressão para isso.
Ou seja, facilita o nosso trabalho quando estamos dispostos a deixá-lo aparecer, ficamos atentos a isso e somos capazes de reconhecê-lo e acolhê-lo quando ele se expressa.
Mas, não podemos fechar esse texto sem colocar o que nos lembra Ricardo Rego em seu livro “Deixa Vir…”: ao mesmo tempo que existe a força dos conteúdos recalcados para virem pro consciente, existe uma força contrária a isso – a resistência.
Sim, o sistema de defesa resiste.
Ricardo traz a relação do tamanho e da força da resistência do paciente com a diretividade ou atividade do terapeuta. Ele conclui que quanto maior e mais forte a resistência, o acesso ao conteúdo reprimido mais dependerá da postura ativa do terapeuta.
É necessário fazer a distinção entre os pacientes que estão mais abertos no seu processo e onde basta dar o ambiente seguro, daqueles que necessitam de uma intervenção que abra um caminho de expressão para o conteúdo reprimido. Natural que os pacientes resistam a essas tentativas de aproximação do conteúdo inconsciente, pois são ameaças capazes de eliminar a proteção conhecida que levaram tempo para construir.
E é aí, nesse momento em que o terapeuta percebe que a resistência está mais forte e que o processo está estagnado, que ele pode lançar mão das ferramentas que confia, que são capazes de ajudar a acessar o conteúdo interno e que cabem na necessidade do paciente naquele momento.
Ele traduz Reich ao dizer que o psicoterapeuta deve agir no sentido de dar condições ao organismo para que a sabedoria espontânea da natureza (autorregulação) realize seu trabalho curador e transformador. Há a confiança na necessidade de expressão da personalidade primária.
E então, para quem já estava se contorcendo achando que nunca é indicado ter uma postura ativa na abordagem biodinâmica, aí foi a resposta.
O segredo é seguir o fluxo do paciente: quando ele estiver fluindo, simplesmente esteja lá, quando ele não fluir, crie condições para que isso possa acontecer.
Aí entra a ação focada em propiciar o contato com o conteúdo interno.
E para quem gosta de dicas práticas:
Ah, e para terminar, proponho retomar o início, onde falei da tendência atual de fazer, fazer, fazer. Há uma outra corrente que vem nos dizendo: “Pare, será que você precisa de tudo isso? Vamos mais devagar. Aproveite o momento.”
Eu convido você, a levar um pouco dessa proposta biodinâmica de “o pouco é muito” pra sua vida. Convido a focar na qualidade de contato com você mesmo onde estiver e seja lá fazendo o que. Convido a estar presente na sua própria vida, em cada momento.
Ah, e a respeitar seu ritmo e fluxo. Tarefa de casa. E um pouquinho que conseguir, pode fazer muita diferença.
Treinando consigo pra levar pra prática terapêutica.
Que tal?
bemviveredesenvolver@gmail.com
Luciana Calazans quer compartilhar com você essa abordagem apaixonante que integra corpo e emoção e mostrar que é possível, sim, buscar e criar formas mais eficazes de ser e estar no mundo a partir da própria essência. Encantada pela capacidade humana de transformação e pela sua força vital, acredita no desenvolvimento do potencial latente no indivíduo ou grupo, pessoal ou profissional - no Desenvolvimento de Pessoas. É Psicóloga (CRP 06/85520), Psicoterapeuta Biodinâmica e Coach de Desenvolvimento de Pessoas. Co-fundadora e Diretora de Projetos da Bem Viver e Desenvolver.