Você e o seu cliente ficam confortáveis ao realizar um experimento durante a terapia? Falar "feche os olhos e respire fundo" não é a única atitude necessária para iniciar uma vivência diferente.
Neste vídeo, Simone apresenta dicas para conduzir experimentos que auxiliam o cliente a identificar e expressar emoções, extravasar emoções como a raiva. Quando o terapeuta experimenta junto a adesão é maior.
Boa tarde, tudo bem com vocês? Então, eu tô aqui hoje pra falar a respeito das vivências e fantasias guiadas. Algumas dicas que eu quero dar pra vocês, que pra mim foram super importantes, me ajudaram muito com a lida dessas fantasias, desses experimentos no consultório, que tem a ver com a questão tanto do espelhamento, como eu já havia falado em alguns vídeos atrás, por exemplo, o cliente tá batendo a perna e não percebe, daí eu peço pra entrar em contato com a perna, e clientes muito resistentes ou que tem a parte cognitiva muito ativada, eles ficam até um pouco envergonhados, então eu costumo espelhar o que eu vi. Então, eu os imito, entre aspas, faço um espelhamento corporal pra que ele preste atenção e às vezes até pergunto, se você, ao olhar pra mim batendo a perna desta forma, o que você percebe ou o que você diria de alguém que tá falando de uma coisa e batendo a perna dessa forma, enfim, né? Pra que ele também possa entrar em contato do lado de onde ele está olhando pra mim e também tendo uma percepção de que algo ali não tá batendo.
Por exemplo, eu falar que eu sou super tranquila, eu sou uma pessoa tranquila, eu sou uma pessoa muito calma, muito em balanço inteira, o que esse movimento, o que esse corpo tá falando, né? Que não está em sintonia com a minha fala verbal. Então, esse espelhamento eu já havia falado nos outros episódios da importância dele. Um outro experimento importante, por exemplo, o cliente começa a relatar, sei lá, que ele tá com raiva de alguém e daí ele chora e ele fala dessa raiva.
Geralmente, a raiva é um sentimento que, via de regra, os adultos pedem muito pras crianças se controlarem, né? Engole essa raiva, não fala alto desse jeito, não diz desse jeito, não chuta, não… Claro, né? Eu tô falando dentro de um contexto repressor e não de um contexto educativo da importância da criança aprender também a se autocontrolar, né? Os seus impulsos. Mas os adultos que chegam aqui pra terapia, eles têm uma dificuldade muito grande em expressar essa raiva. Tanto é que eles falam dessa raiva com muita tristeza.
E daí eu sempre pergunto, esse sentimento que você tá me dizendo, é raiva ou tristeza? É raiva. Por que é raiva? O que faz você me falar que ele é raiva? Ah, porque eu sinto uma angústia, porque eu começo a sentir uma energia, porque eu começo a sentir um nó, porque eu começo a sentir… Então eu tenho um puff aqui no meu consultório, onde eu falo pra eles, o puff, a almofada, mas eu falo do puff porque ele tem uma armação, ele tem a madeira e depois tem a espuma. Então se a pessoa bate nele, ele não é molinho, assim, ele responde a essa batida, né? Ele não despenca, ele permanece ali.
E eu acho isso muito importante pra liberar essa raiva. Só que se eu falo isso pro cliente, ah, então libera essa raiva e fico sentadinha do lado de lá, olhando pra ele, vamos combinar que não é uma tarefa muito fácil. Alguém que tem dificuldade em lidar com a raiva, de falar da raiva, de colocar a raiva pra fora, e você ainda pedir pra que essa pessoa, ela expresse a raiva, então tá, olha, eu tenho esse puff que eu costumo trabalhar com a raiva, você poderia expressar essa raiva? A gente não vai funcionar.
Então, na verdade, eu levanto, pego o puff, me agacho e falo pra ele, vamos lá, junto comigo, né? Eu vou batendo a mão devagar e falo, repete o movimento comigo. E daí, de repente, ele falou assim, ah, eu tenho raiva do meu irmão. Então vamos lá, eu tenho raiva de você.
E daí, se quiser falar o nome, e dele é bater nesse puff, eu tenho raiva, eu tenho raiva. E com as duas mãos. E daí, assim, o que mais vir dessa emoção, eu tenho raiva do que você fez pra mim, do que você falou pra mim, você não me respeitou, você não viu meu momento, você… E peço, inclusive, pro tom da voz, e vou junto com a pessoa, estimulando ela, do lado dela, meio que batendo o tambor ali, entendendo que é um puff, né? E deixo essa energia até eu perceber que isso foi extravasado.
Geralmente, as pessoas costumam olhar pra mim como se fosse algo mágico. Alguns clientes me olham e me falam, muito obrigada. Outros, você vê um relaxamento, eles se jogam depois no sofá.
Outros falam, meu Deus, como eu tô leve, meu Deus, como isso foi importante, ou como eu não sabia lidar com isso, ou, nossa, como que isso saiu? Enfim, então, isso é uma forma de você trazer de novo os sentimentos, as emoções básicas pra pessoa, pra que ela entenda, né? A raiva é um sentimento muito importante, porque é uma emoção, uma expressão muito importante, porque ela é a única emoção que nos permite colocar limite, que nos permite falar, basta, deu. E eu não estou falando de uma agressividade, de uma ira. Estou falando da raiva como uma emoção que vem justamente pra colocar limite.
Ela vem porque ela mexe com o nosso emocional de algo que extrapolou, de algo que foi além do que poderia ter ido. Então, tanto o espelhamento quanto colocar a raiva pra fora, eu experimento junto. Quando eu também peço pro cliente, feche os seus olhos, respira, gente, eu faço a mesma coisa.
Porque não tem nada mais desagradável do que você pedir pra alguém fechar os olhos e você ficar olhando o outro de olho aberto enquanto você fecha. Claro, pra clientes que já estão acostumados a fazer isso, eles fazem com a maior naturalidade do mundo. Mas, às vezes, o cliente, ele é muito rígido, ele é muito desconfiado, ele não está acostumado com essa proposta de fecha os olhos, coloca tua raiva pra fora, olha o que essa perna está dizendo.
Então, eu costumo, eu já relaxar no meu sofá, primeiro pergunto, claro, você topa fazer um experimento? Vamos fazer uma fantasia guiada? E daí meio que eu explico o que é uma fantasia guiada, falo que a gente primeiro vai respirar, inspirar pelo nariz, respirar pela boca de olho fechado e eu vou guiando esse relaxamento corporal dele, se ele topa, se ele está afim. Ele diz que sim, eu já fecho os meus olhos, encosto de uma forma mais confortável e fico fazendo exatamente aquilo que eu estou propondo pra ele fazer. Então, eu percebo que a adesão que existe quando eu faço isso junto com o cliente, ela é muito maior, ela é muito mais intensa, ela é muito mais solta do que eu simplesmente dando um comando e ficando sentada na minha poltrona, esperando que ele faça esses comandos.
Então, pessoal, é isso. Eu espero que de alguma forma tenha ajudado vocês nessas três pequenas dicas de experimento de fantasia guiada, a forma como eu faço isso. E a gente se vê num próximo encontro, tá bom? Um beijo e até breve.
Tchau!